Mostrando postagens com marcador democracia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador democracia. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de novembro de 2013

VALE A PENA LER! LEIA ATENTAMENTE...

Confesso que li e reli o excelente artigo de Luiz Carlos Azenha, Revista RADIS  não uma ou duas e sim várias vezes! Primeira vez, chateada, entendi erroneamente o que o Jornalista Luiz Carlos questiona... Então, finalmente entendi o REAL e VERDADEIRO sentido!
O Jornalista tem toda a razão! E, um artigo de tal nível deve ser republicado e lido por todos, é uma análise perfeita da realidade!
Beatriz Antonieta Lopes



Regulamentar os meios eletrônicos é defender a democracia

Luiz Carlos Azenha *
Censura é impedir alguém, a priori, de publicar ou divulgar alguma informação. Você bloqueia o conteúdo antes que ele seja divulgado. Foi o que aconteceu na ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Ditadura, aliás, que nasceu de um golpe contra um governo democraticamente eleito que teve apoio dos principais jornalões brasileiros — dentre os quais O Globo, Estadão e Folha de S. Paulo. Regulamentar as comunicações, por outro lado, é impedir que um punhado de donos dos grandes meios — muitos dos quais, sempre é bom frisar, apoiaram a ditadura — continuem agindo como se fossem ditadores na idade da informação. Só eles falam e os outros — 200 milhões de brasileiros — escutam.
É importante, aqui, distinguir: estamos falando de uma regulamentação dos meios eletrônicos, que são concessões públicas — emissoras de TV e rádio.
Esta regulamentação não se refere a jornais e revistas. Os donos da mídia corporativa — muitos dos quais, insisto, escreveram textos de apoio à ditadura que censurava — não fazem questão de distinguir, já que não pretendem informar, mas desinformar o público com o objetivo de turvar o debate. Portanto, marco regulatório não ameaça a liberdade de imprensa e promove a liberdade de expressão.
Marco regulatório é para garantir liberdade de expressão a todos, não apenas à meia dúzia de famílias que controla os grandes meios no Brasil, país que tem uma das maiores concentrações midiáticas do planeta.
Por que regulamentar? Ora, se você regulamenta o transporte público, a distribuição de energia elétrica e a telefonia — todas concessões públicas — por que não haveria de regulamentar as emissoras de TV e rádio, concessões públicas que usam o espectro eletromagnético que é público e, portanto, de todos nós?
Mas, qual é o objetivo de regulamentar? É permitir que mais gente fale. Insistimos: não queremos menos mídia. Queremos mais mídia. Queremos que ela reflita a realidade do Brasil por inteiro, não apenas do eixo Rio-São Paulo. Não é possível que um punhado de homens brancos e ricos fale em nome de um país tão diverso quanto o Brasil. Onde é que estão as rádios indígenas, a TV de um empresário negro, a rede que não trata as mulheres como objeto de consumo e aquela outra que respeita o sotaque do Nordeste?
Regulamentar tem o objetivo de desconcentrar a mídia (como exemplo da concentração, hoje quase 50% de todas as verbas publicitárias do governo federal ficam com a Rede Globo, irmã siamesa da ditadura). Regulamentar tem o objetivo de combater a propriedade cruzada, ou seja, que um mesmo empresário seja dono de emissora de TV, de rádio e de jornal no mesmo mercado, o que permite à família Sarney — por exemplo — exercer poder quase completo no Maranhão.
É importante que as pessoas se deem conta de que a regulamentação dos meios eletrônicos é um fato da vida em todo o mundo: França, Estados Unidos, Portugal, Alemanha, Espanha e assim por diante. No Reino Unido, a Ofcom (http://www.ofcom.org.uk/) atua para garantir diversidade cultural e influi inclusive no conteúdo. Além disso, tem poder para avaliar denúncias e punir emissoras, sempre depois do conteúdo ter sido divulgado (antes, nunca, antes seria censura). Isso faz com que os donos dos meios ajam de maneira muito mais responsável que no Brasil, onde quase qualquer coisa vale, já que praticamente há garantia de impunidade.
A quem favorece o modelo atual? Ao punhado de homens brancos e ricos que controlam as principais redes, em associação com sócios regionais que incluem deputados e senadores. De acordo com a Constituição, os parlamentares deveriam ser impedidos de controlar concessões, mas o fazem através de parentes ou laranjas.
O modelo brasileiro é profundamente antidemocrático. Não nos surpreende, já que, repetimos, muitos dos homens brancos e ricos acima citados apoiaram a ditadura militar. Por que antidemocrático? Porque falam sozinhos, impedem que outros falem e criminalizam todos aqueles que divergem de suas diretrizes políticas, econômicas e culturais. Distorcem, omitem ou manipulam informação em busca de seus próprios interesses. Louvam o mercado como se fosse Deus, enquanto detonam tudo o que se relacione ao poder público. Promovem assassinatos de caráter através de jornalismo investigativo dirigido com o objetivo de “punir” qualquer autoridade que lhes ameace o poder. Não garantem direito de resposta. Tentam confundir opinião pública com opinião publicada (a deles próprios). Simulam pairar sobre a sociedade como “neutros” e se julgam representantes da sociedade, quando representam interesses políticos e econômicos associados aos seus.
Portanto, regulamentar os meios eletrônicos é essencialmente um ato de defesa da democracia. Tem o objetivo de assegurar um verdadeiro debate numa sociedade crescentemente complexa como a brasileira. Debate não existe quando alguns poucos falam em uníssono, enquanto milhões não tem voz.

Revista RADIS - http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/conteudo/regulamentar-os-meios-eletronicos-e-defender-democracia
*Luiz Carlos Azenha é jornalista, repórter da Rede Record e editor do site Viomundo (www.viomundo.com.br)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PERSONALIDADES LANÇAM MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Entre os que já assinaram o documento estão Hélio Bicudo, Carlos Velloso, José Arthur Gianotti, Ferreira Gullar e Carlos Vereza

21 de setembro de 2010
21h 53

Leia a notícia

 SÃO PAULO - Num momento em que o governo do presidente Lula se dedica a investidas quase diárias contra a liberdade de informação e de expressão e critica a imprensa por divulgar notícias sobre irregularidades na Casa Civil, um grupo de personalidades de diferentes setores - entre eles juristas, intelectuais e artistas - decidiu lançar um “Manifesto em Defesa da Democracia”, cuja meta é “brecar a marcha para o autoritarismo”.





O ato público será realizado nesta quarta-feira, 22, ao meio dia, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo.





Entre seus signatários estão o jurista Hélio Bicudo, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso, os cientistas políticos Leôncio Martins Rodrigues, José Arthur Gianotti, José Álvaro Moisés e Lourdes Sola,o poeta Ferreira Gullar, d. Paulo Evaristo Arns, os historiadores Marco Antonio Villa e Bóris Fausto, o embaixador Celso Lafer, os atores Carlos Vereza e Mauro Mendonça e a atriz Rosamaria Murtinho.





“Em uma democracia, nenhum dos poderes é soberano”, diz o manifesto em sua abertura. Nos seus 14 parágrafos, ele aponta desvios e abusos do governo federal. “Hoje, no Brasil”, diz o texto, “os inconformados com a democracia representativa se organizam para solapar o regime democrático.” Mais adiante, considera “inconcebível” que “uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita”.





‘Ameaça concreta’. O historiador Marco Antônio Villa, da Universidade Federal de São Carlos e um dos signatários do manifesto, decidiu aderir porque vê nos recentes atos do governo “uma ameaça concreta” à democracia no País. “É uma preocupação geral com o que está ocorrendo no País, e hoje (ontem) o Lula mais uma vez reforçou”, disse, em referência às críticas do presidente à imprensa, feitas em viagem ao Tocantins. “O manifesto é uma síntese dessas preocupações.”





Caso um eventual governo Dilma consiga eleger três quintos do Congresso, advertiu, “eles conseguirão fazer mudanças constitucionais a seu bel-prazer. E se você tiver uma parte da legislatura formada por ‘Tiriricas’, corremos sério risco. Nada melhor para um Executivo autoritário do que um Legislativo desmoralizado”. Para Villa, “é preciso de um grito de alerta”. Ele acredita que “há muitas pessoas que comungam dessa preocupação” e que o manifesto funcionará como forma de agregá-las. “Não se pode achar que ataques, ameaças e agressão fazem parte da política”, diz.





O cientista político Leôncio Martins Rodrigues, que também subscreveu o documento, avalia que as ameaças à democracia têm origem na postura do presidente, opinião também manifestada por José Arthur Gianotti. “Lula não pode misturar as funções de homem de Estado e líder partidário. Ele também é meu presidente, independentemente do meu partido”, afirma Gianotti.



Leia abaixo o texto do manifesto:



"SE LIGA BRASIL"



"MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA



"Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.



"Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.



"Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.



"É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.



"É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.



"É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.



"É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.



"É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há "depois do expediente" para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.



"É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.



"É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.



"É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.



"Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.



"Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.



"Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos."



manifestoemdefesadademocracia@gmail.com