Mostrando postagens com marcador Aedes aegypti federalis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aedes aegypti federalis. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de maio de 2011

dengue: “CONTINUAREI A DIZER O QUE PENSO, MESMO QUE ISSO CONTRARIE VELHAS TEORIAS”...

Os primeiro dados sobre a DENGUE foram estudados por Ashburn e Craig em 1909, que descobriram um agente infeccioso filtrável em sangue humano confirmando tratar-se de uma patologia de etiologia viral. No mesmo ano, Bancroft descreveu a forma de transmissão pelo mosquito Aedes aegypti.



Sabin e Schlesinger, durante a Segunda Guerra Mundial, isolaram os dois primeiros sorotipos do vírus do dengue, em 1944 - os sorotipos 1 e 2.


Nas Filipinas a dengue causou epidemias de 1901 a 1907 e, em 1956, Hammon e Col, isolaram os sorotipos 3 e 4 durante outra epidemia (dengue hemorrágico) ocorrida em Manila (Filipinas).


Passei a estudar esta patologia em 1993, ano que acompanhei os primeiros casos da doença, ao vir residir em Mato Grosso. Pouco se sabia sobre o assunto, como também o material para pesquisa era bastante reduzido. As mais diferentes suposições e teorias, de diversos pesquisadores estão publicadas. A grande maioria dos pesquisadores está seguindo uma linha que sugere a existência de vários e diferentes vírus.


Discordo desta teoria e minha hipótese envolve um vírus único.


As sorologias que apresentam diferenças, denominadas DEN 1, DEN 2, DEN 3 e DEN 4, sorologias essas coletadas de diferentes indivíduos, que tiveram 1, 2 ou mais vezes a infecção. O equivoco ocorre pela falta de uma revisão mais aprofundada, um estudo das seqüenciais epidemias ocorridas, por região.


São necessários novos estudos (análise e enfoque diferente) em nível de moléculas e antígenos e as reações que ocorrem num primeiro contato com o vírus e as diferenças moleculares no caso de uma 2ª ou 3ª infecção, visando identificar e classificar cada sorotipo, e uma investigação sobre infecções sofridas pelo indivíduo em anos anteriores. Isso pode ser dificultado devido ao grande número de casos que passam sem registro, subnotificados pela falta de sorologias e isolamento viral, não solicitados pelo médico.


Mas atenção! “Sorotipo circulante” é o indivíduo que sofreu uma, duas ou três Dengues! Não existe “mosquitos do vírus ‘um’ ‘dois’ ou ‘três’”! Esta é a confusão que gera erros de avaliação e até mesmo dificuldades para se criar uma vacina.






TRÊS TEORIAS BUSCAM EXPLICAR A DENGUE HEMORRÁGICA:






o 1. Relaciona a Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) à virulência da cepa infectante, de modo que as formas mais graves sejam resultantes de cepas extremamente virulentas;


o 2. Na teoria de Halstead, a FHD se relaciona com infecções seqüenciais por diferentes sorotipos do vírus do Dengue, num período de 3 meses a 5 anos. Nessa teoria, a resposta imunológica na segunda infecção é exacerbada, o que resulta numa forma mais grave da doença;


o 3. Uma hipótese integral de multicausalidade tem sido proposta por autores cubanos, segundo a qual se aliam vários fatores de risco às teorias de Halstead e da virulência da cepa. A interação desses fatores de risco promoveria condições para a ocorrência da FHD:


Neste caso eu posso dizer o que penso mesmo que isso contrarie velhas teorias! Muitas vezes, quando não há explicação sobre o “por que” de algum fato, surgem hipóteses diversas e, entre estas, uma poderá estar certa, mas, a confirmação, poderá envolver muito tempo de pesquisa até a conclusão final.


Analisando o desastre da dengue, por exemplo, não é tão difícil porque existem tantas contradições e equívocos, pois seguir velhas teorias ou hipóteses, sem rever fatos, discordar de dados, verificar a consistência dos dados obtidos pode provocar um desvio de graves conseqüências.


Utilizando amostragem sistemática, buscando números de pessoas infectadas numa determinada época, exemplo de Cuba, 1987.


Naquela ocasião, foram notificados 344.203 casos, com 34 mil casos de FHD, 10.312 das formas mais severas, 158 óbitos (101 em crianças). O custo estimado da epidemia foi de US$ 103 milhões,






No período de 1986 a outubro de 1999, foram registrados, no Brasil, 1.104.996 casos de dengue em dezenove dos vinte e sete Estados


A média anual, após 1986, foi de 78.928 casos/ano, ficando acima desse valor em 1987, com 82.446 casos; em 1990, com 103.336; em 1995, com 81.608; em 1996, com 87.434; em 1997, com 135.671; em 1998, com 363.010 e 1999, com 104.658 casos


Rio de Janeiro: em 1986/1987, novamente em 2002, o Rio de Janeiro foi castigado por uma epidemia de dengue, agora “com a entrada do vírus tipo 3”. Quase 290 mil pessoas contraíram a doença e 91 morreram em todo o Estado, sendo 65 mortes e 138 mil casos somente na capital. Foi o ano com mais casos de dengue na história do país, concentrados no Rio de Janeiro.


Em 2008, a doença volta a assustar os cariocas. Na atual epidemia(que amenizou a partir do mês de maio), já foram registrados quase 250 mil casos da doença e 174 mortes em todo o Estado (e outras 150 em investigação), sendo 100 mortes e 125 mil casos somente na cidade do Rio de Janeiro. A epidemia de 2008 superou, em número de vítimas fatais, a epidemia de 2002, onde 91 pessoas morreram.


Em 2009 novos casos surgem no Rio, pois cada epidemia envolve parte de um e outro ano.


COMPLICAÇÕES DESENCADEADAS:


No Rio de Janeiro um paciente necessitou uma cirurgia para retirada do baço, “Temos complicações que não conhecíamos, como problema pulmonar, no sistema nervoso central, problemas no coração. “Temos casos de crianças fazendo miocardite, que é uma inflamação no miocárdio”, disse Sousa, médico diretor do Hospital da Posse, que também está preocupado com os quadros em que grávidas são infectadas pelo vírus e podem transmitir a doença para o filho. Estas crianças, aos 04 de vida correm risco de sofrer uma segunda dengue, com reações mais fortes, podendo evoluir para o quadro hemorrágico e óbito, caso não recebam tratamento rápido e adequado. (G1 08/04/2008).


O que vemos pelo Brasil afora são médicos atestando as mais diferentes doenças quando se sabe que na realidade é Dengue. “Derrame no pulmão” foi um diagnóstico e, depois do óbito o atestado: ‘Leptospirose’... (no Acre).


O que está acontecendo? Por que médicos escondem a verdade sobre a Dengue? Ou eles realmente não sabem que é Dengue? Por que existem poucos médicos que se interessam na área de Medicina Tropical/Infectologia? Afinal, moramos num país tropical onde o número de doenças de origem infecciosas é bastante alto


AÇÕES NECESSÁRIAS E URGENTES






Gubler tem proposto, diante das dificuldades encontradas na luta contra o Aedes, a utilização de um sistema de vigilância ativa do dengue com o objetivo de detectar precocemente a ocorrência de epidemias.


Isto possibilitaria pôr em prática medidas de controle imediatas com o objetivo de reduzir a incidência e, desta forma, o risco de ocorrência do dengue hemorrágico.


Essa vigilância ativa estaria centrada principalmente na organização de um sistema de vigilância virológica, epidemiológica, clínica, sorológica e entomológica.


REVENDO VELHAS ESTRATÉGIAS






Acreditar que ações aleatórias possam resolver este grave quadro faz o problema aumentar a cada epidemia. Declarar que “houve redução de x%” na comparação entre um ano e outro também cria ilusão de redução de casos e isto não é verdade!


A partir do momento que decidi cursar Ciências Biológicas e, no mesmo ano de conclusão já busquei especialização na área de Entomologia Médica (estudo de vetores patogênicos ao homem e aos animais) enfrentei todo tipo de perseguição desencadeada por pessoas que ocupavam cargos mas não tinham nenhum comprometimento com o trabalho!


Muitas vezes senti essas pessoas mais preocupadas em atrapalhar minha pesquisa em vez de fazer o trabalho de combate ao mosquito! Montaram um processo de exoneração, após tentarem me forçar a desistir do curso, cortaram meu salário, me afastaram do setor da Dengue e mais: o mesmo grupo está me processando por que questiono em meus artigos seus erros cometidos! Aliás, estas mesmas pessoas estão me processando, porque estariam se sentindo ‘caluniadas’...


Ora, ora, e se eu decidir processar estas pessoas que, quando fui fazer o curso de especialização, me disseram as seguintes palavras de ‘incentivo’, rindo muito da própria piada: “Vai morar em baixo de uma ponte no Rio de Janeiro e beber carote de pinga”...???


Mas não fiquei embaixo da ponte, fiquei na residência de uma maravilhosa família que, mesmo não me conhecendo, abriu as portas da casa e do coração e me acolheu, apoiou e incentivou a prosseguir com este trabalho.


Não é meu hábito criticar por criticar, costumo apresentar projetos e soluções, embora meu projeto tenha permanecido “dormindo” em alguma gaveta ou tenha sido ‘arquivado’... Na cesta do lixo!


Eu questiono o Ministério da Saúde pela indicação de inseticidas errados e ineficientes no combate ao Aedes aegypti, e também por considerar índices de infestação de 1% como “normal”; discordo dos horários inadequados de aplicação e da falta do fumacê. E mais: se estas orientações estivessem corretas, não haveria casos de dengue ou epidemias...






sábado, 30 de outubro de 2010

UM MOSQUITO SEM PAI NEM MÃE...

republicando...

* Bia Lopes

E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:


*-Aedes aegypti municipalis


*-Aedes aegypti estadualis


*-Aedes aegypti federalis


O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.


No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.


Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...


A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.


E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.


Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...


Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.


Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?


Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...


Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...


E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...


Beatriz Antonieta Lopes

  1. Bióloga especialista em Entomologia Médica

domingo, 16 de maio de 2010

DENGUE E LEISHMANIOSE: ORIENTAÇÕES

       A relevância da orientação e informação adequadas tem peso fundamental tanto no que se refere à prevenção quanto à gestão de epidemias.


A DENGUE retornou ao nosso país há mais de 20 anos e foi se instalando nos municípios.

      Surtos epidêmicos ocorreram em alguns estados e não chegaram a chamar atenção embora já no início ocorressem casos graves e óbitos, pois algumas pessoas já com a saúde debilitada ou por confundir a doença com outras patologias de origem febril, a trataram de forma errada.

      Recordo que em 1993/94 houve em Rondonópolis uma grande epidemia, com muitas pessoas infectadas pela Dengue, e já com alguns óbitos, mas as dúvidas e/ou desconhecimento quanto à doença eram quase totais, o que, certamente, gerou um enfoque equivocado na condução e tratamento dos casos.

     A atenção para as emergências epidemiológicas deve ocorrer de modo contínuo e sistemático com o aperfeiçoamento dos mecanismos de identificação das emergências epidemiológicas, concorrendo para isto a capacitação do profissional da área médica. Isto – ressalte-se – é importantíssimo!

     Em Rondonópolis dispomos de um médico infectologista, atendendo nossa cidade e vários outros municípios, que aqui buscam atendimento, o que se dá através de encaminhamento seja do clínico geral ou outro médico ao identificar a importância do quadro do paciente.

     Acontece que muitos não buscam atendimento e outros recebem o diagnóstico vago: “É uma virose...” e sequer são encaminhadas para as sorologias, importantes e necessárias.

     Volto a frisar: as sorologias são importantes e necessárias!

     Não interessa a demora no resultado!

     Estes exames são importantes para o paciente, pois em caso (e muitos tiveram) de uma segunda Dengue, eles deverão receber maior atenção. São importantes também para a Saúde Pública, devido à necessidade da notificação ao Ministério da Saúde. Não existindo a notificação, até os repasses de recursos diminuem, aumentando ainda mais o problema.

     A DENGUE inicia de modo repentino. Estado febril (a temperatura é sempre alta), dor de cabeça, nos olhos, no corpo, mal-estar geral. Outras patologias cursam com sintomas semelhantes e devido a isto é importante a consulta, a orientação médica e o exame sorológico.

     Outro grave equívoco que ocorre: o uso abusivo do Paracetamol (Tyllenol)!

- É bom pra dengue, eu comprei e já estou tomando...

É comum se ouvir isso.

     Quando há a prescrição médica é de oito em oito horas; o uso errado poderá causar graves danos ao fígado e ao sistema renal. Muitas pessoas costumam utilizar tal medicamento para todo e qualquer mal-estar, indiscriminadamente. Lembro também que o Paracetamol faz parte da composição de inúmeros medicamentos!

Quando à LEISHMANIOSE, é uma doença silenciosa.

Na maioria das vezes, a pessoa nem percebe quando foi infectada.

     Uma febre baixa, tosse seca, gânglios inchados debaixo dos braços e no pescoço; pode ocorrer, mal-estar, dores no corpo, diarréia num dia ou dois, e melhora. Mas o protozoário já está no organismo do individuo, agindo silenciosamente, por um tempo que pode envolver meses ou anos.

     Conforme os professores doutores Éderson Akio Kido e Paulo Paes de Andrade: “A Leishmaniose começa com sintomas que despertam pouca atenção, e que vão avançando até deixar a pessoa tão fraca que pode levá-la a morte. As principais vítimas são as crianças. Adolescentes e adultos também são afetados, embora em menor número. Um rápido diagnóstico é importante e os profissionais da área de saúde, familiares e amigos, podem ajudar se souberem como identificar”.

     Geralmente, começa com uma febre que pode durar horas ou o dia inteiro, não é muito forte e se apresenta quase todos os dias. A criança com febre procura abrigar-se do vento e sentar-se ao sol. Dias depois, ela perde a vontade de brincar, passando a maior parte do tempo sentada ou deitada, e deixando de se alimentar direito. Posteriormente, passa a ter tosse, fica pálida, com os lábios descorados, o cabelo sem brilho, perde muito peso, e a barriga cresce. A febre continua, e um longo cansaço a impede que brinque, vá à escola ou faça as suas tarefas, explicam eles.

     A relevância do exame é fundamental e pode ser feito pela mãe, o pai ou o agente de saúde e vai verificar que há algo duro e crescido no lado esquerdo da barriga da criança, que sai de trás das costelas e pode ir até abaixo do umbigo, nos casos mais graves. O médico, ao deitar a criança (ou adulto) perceberá que o baço e o fígado estão aumentados e deverá solicitar as sorologias.

     Torna-se importante a observação: um leve aumento de temperatura, emagrecimento, crescimento do abdome não costuma impedir a vida normal, e a pessoa prossegue suas atividades. Mas enquanto isto a doença prossegue e não sendo diagnosticada logo, sem o tratamento correto, poderá evoluir para um quadro grave.

     A orientação é procurar os Postos e PSFs, relatando ao médico a ocorrência dos sintomas acima descritos. E, com o tratamento adequado, à doença tem cura!

     A Leishmaniose não iniciou agora, repentinamente. O inseto vetor está presente em nosso meio há vários anos, com alguns casos ocorrendo anualmente. Mas a partir de 2007 o número aumentou.

     Centenas de cães doentes foram mortos e surgem novos animais doentes a cada dia. É muito triste ver um animalzinho de estimação, que está com a família há muito tempo, ser sacrificado. Como já escrevi em artigos anteriores (Artigos.com, ou em meu blog Vetores Patogênicos, blog Abril), os cães são vítimas inocentes assim como nós.

     A eliminação do vetor começa na casa de cada um com a limpeza de folhas no quintal. Talos e folhas de bananeira devem ser removidos, restos de lixo em locais sombreados, a criação de animais de sangue quente: deve ser evitada (flebótomos tem predileção por galinha, cavalo e burro, além do cão).

Importante: quem transmite a doença não é o cão!

     É o Flebótomo, um mosquito muito pequeno, que costuma atacar à noite e de manhã bem cedo. Seu vôo é saltitante e muito rápido. A picada é dolorida, ‘queima’.

     Lamentavelmente tanto a DENGUE quanto a LEISHMANIOSE estão presentes em nosso município (e em muito locais no país).

     Descaso e falta de atenção pelo poder público ao longo dos últimos anos, erros no enfoque no combate ao vetor e está aí o resultado. Para mudar esse quadro, novas ações (e o retorno de outras atividades que eram eficazes e foram abandonadas) e poderemos ter em nosso município uma população saudável, livre de mazelas...

domingo, 30 de março de 2008

A dúvida continua: UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’

* Bia Lopes


E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:
*-Aedes aegypti municipalis
*-Aedes aegypti estadualis
*-Aedes aegypti federalis
O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.
No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.
Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...
A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.
E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.
Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...
Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.
Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?
Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...
Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...
E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...
Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga especialista em Entomologia Médica