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sexta-feira, 29 de junho de 2012

DENGUE: Ministério público deve (deveria) agir na defesa do cidadão!


A falta de ações corretas do controle do vetor da DENGUE é um fato incontestável que se repete ano após ano, com epidemias com elevado número de casos, acontecendo a cada 04 anos. A situação atingiu um estágio tal que as epidemias se intercalam umas as outras e, a cada ano casos graves, aliados à deficiência no atendimento levam várias pessoas ao óbito!
O estado do Mato Grosso é coordenado pelo superintendente Oberdan Lira, da Vigilância Epidemiológica (SES).
 Em meio à epidemia que ocorria em Rondonópolis, em 2009 estive na Vigilância Epidemiológica, em Cuiabá para conversar sobre a necessidade do uso do “fumacê”.
Sou Bióloga e fiz o curso de Especialização Médica, sei muito bem que a ‘metodologia’ empregada é equivocada e, preocupada ao ver quantas pessoas estavam infectadas pelo vírus da Dengue, sempre com óbitos acontecendo, acreditei que poderia solicitar o ‘fumacê’ e ser ouvida pelo tal intendente...
Lamentavelmente perdi meu tempo, gastei meu dinheiro e meu dia de folga, direito que adquiri trabalhando em campanhas de vacinas, embora o Ministério da Saúde destine uma verba para pagar os servidores que trabalham nas campanhas este dinheiro não chega às mãos de quem trabalha na vacinação...
Pois bem, depois de uma longa espera fui atendida pelo arrogante cidadão, que afirmou não pretender fazer uso do “fumacê”!
A mim restou virar as costas e voltar para Rondonópolis.  Se eu desisti? NÃO! Continuo a lutar contra este tipo de gente que confunde fazer “Políticas de Saúde” com FAZER POLÍTICA NA SAÚDE!
Li esta declaração onde ele (Oberdan Coutinho Lira), superintendente de Vigilância Epidemiologia na Secretaria Estadual de Saúde tenta justificar o injustificável, explicando a nova epidemia que se inicia: Como ninguém está imune ao tipo 4,  é grande o risco de aumento dos casos de dengue no estado”.
 Desta forma ele justifica (tenta justificar) a nova epidemia que atinge todo o Estado do Mato Grosso e infecta centenas de pessoas e já causou alguns óbitos... Insisto em afirmar que, caso as ações para o controle do vetor fossem executadas corretamente não haveria epidemias!

Esta afirmativa do superintendente é de tal FALTA de lógica e desprovida de raciocínio claro e conciso, que faz pensar que ele poderia declarar que “uma pessoa que faz 15 anos ‘nunca mais fará 15 anos’... Ora, está claro e evidente que uma pessoa que teve uma PRIMEIRA Dengue, passado determinado tempo tiver dengue novamente, será a SEGUNDA DENGUE! E depois uma TERCEIRA e, atualmente as pessoas estão tendo uma QUARTA DENGUE! É evidente e claro que quem teve uma primeira DENGUE, jamais terá OUTRA ‘Primeira Dengue’!
E é por “pérolas” deste tipo que a Dengue se alastra incontrolavelmente! Estudos, leituras e pesquisas tudo isto não parece ser o ponto forte deste coordenador, que leu ou ouviu dizer que existe “um vírus diferente” e confundiu tudo!
O que é detectado nas Sorologias com Isolamento Viral são os Sorotipos (DEN 1, DEN 2, DEN 3 ou DEN 4).
Explicando: No resultado encontrado o Sorotipo DEN 1, as estruturas virais apresentam uma superfície estrutural simples. No exame de um paciente sofrendo uma Segunda Dengue as estruturas de superfície apresentam uma diferença: É o registro da Dengue anteriormente sofrida acrescida do registro da segunda infecção viral!
Com referência à ”mulher de menos de 30 anos, grávida de sete meses, contraiu a doença apresentando o vírus tipo 4” fica evidenciado que, ao longo destes 20 anos epidêmicos, onde a Dengue foi uma constante, esta mulher já havia tido a Dengue 03 vezes e, agora teve a QUARTA DENGUE! O mais grave é saber que este bebê que ela espera TEVE agora, junto com a mãe, a PRIMEIRA dengue de sua vida, ainda ANTES de nascer! Quando completar 04 anos sua vida estará correndo alto risco, pois sofrerá (possivelmente) a Segunda Dengue, geralmente mais grave e com alta possibilidade de evoluir para o quadro mais grave, a Dengue Hemorrágica!
A repetição constante que devemos "ficar atento e fazer nossa parte" já se tornou absurda! Já passou da hora de exigir que as 03 esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal) façam o serviço que DEVE ser feito POR ELES, que parem de transferir responsabilidades e nada fazer e pior, não serem responsabilizados pela TOTAL FALTA DE AÇÕES DE CONTROLE!
Volto a afirmar que o Ministério Público, que deve zelar pelos direitos do cidadão conforme a Constituição preceitua em seu Art. 5° e também a Constituição garante os Direitos Difusos e Coletivos. Direitos difusos “constituem direitos transindividuais, ou seja, que ultrapassam a esfera de um único indivíduo, caracterizados principalmente por sua indivisibilidade, onde a satisfação do direito deve atingir a uma coletividade indeterminada, porém, ligada por uma circunstância de fato”.
No caso em questão, o Ministério público deve agir na defesa do cidadão, que tem a vida sob risco pela falta de ações adequadas e corretas, pois caso fosse executado um trabalho utilizando a metodologia correta não haveria o vetor nem a doença. Cabe ao MP tomar as providencias e não, da maneira já anteriormente realizada, quando aceitou como corretas as ações claramente equivocadas e sem eficácia como os dados comprovam!    
Como determina a Constituição Federal Brasileira em seu Art.5°,  inciso LXIX “conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus  ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público”.
Que o MP tome providências exigindo e determinando as ações corretas no controle do vetor, caso se sinta incapaz de tal ação que indique qual órgão poderá tomar as medidas necessárias! Até hoje a maior ação do MP tem sido se colocar ao lado de coordenadores ineficientes, com ações equivocadas que são responsáveis pela manutenção do vetor e de centenas de casos anuais de Dengue e vários óbitos!
A população cuida (a grande maioria) de seus quintais! E não podemos nos tornar reféns da ‘desculpa que o povo não cuida’ e assim eximir o Poder Público de suas atribuições! Existem pessoas (ou grupos) se beneficiando e muito, do MEDO da população frente às epidemias: Grandes laboratórios fabricantes de medicamentos, e os fabricantes de repelentes e inseticidas...
A rede de interesses escusos que envolvem esta patologia, e seu vetor, é impressionante!
A repetição constante que devemos "ficar atento e fazer nossa parte" já se tornou absurda! Já passou da hora de exigir que as 03 esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal) façam o serviço que DEVE ser feito POR ELES, que parem de transferir responsabilidades e nada fazer e pior, não serem responsabilizados pela TOTAL FALTA DE AÇÕES DE CONTROLE!  E já que não ELIMINAM O VETOR pelo menos atendam a população rapidamente!
Outro fator gravíssimo é o DESPREPARO de grande número de profissionais de saúde que, em plena epidemia, não ficam atentos e já direcionando o atendimento para a DENGUE!
Falta posto de saúde FUNCIONANDO CORRETAMENTE, com rapidez e eficácia já no início da patologia!
Atualmente o estado do Mato Grosso vive outra terrível epidemia com mais de 27.354 casos de dengue (dados do período até o dia 6 de junho). Já ocorrem vários óbitos e este numero poderá aumentar...
Finalmente o “intendente” acordou para a necessidade de aplicar o “fumacê”, quanto a uma evidente carência de conhecimento e técnicas seria importante aprender a OUVIR a experiência! O que sugerimos e esperamos é que seja corretamente aplicado, obedecendo à metodologia adequada, ou a eficácia ficará reduzida ou nula!
E a informação que este e outros coordenadores que o “produto é muito caro” é uma mentira, pois o Governo Federal fornece os carros equipados com a bomba para o fumacê (UBV), os insumos Malathion e o óleo, configurando assim má fé e descaso com a saúde da população! A quem se interessar basta acessar este link:

Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga graduada pela UFMT
Especialização em Entomologia Médica- FIOCRUZ

sábado, 21 de abril de 2012

DESCULPEM EU ESTAR ‘GRITANDO’, MAS: CUIDADO! A LEISHMANIOSE MATA MESMO!




Agora, em primeiro lugar, é necessário tratar os animais doentes... Centenas e centenas foram eliminados... Mas, preciso da 'força' de todos os grupos, ONGs para CONSCIENTIZAR a SAÚDE PÚBLICA para a eliminação dos vetores! A isto chamo de MEDICINA PREVENTIVA, isto NÃO DEIXAR a doença se instalar! A população ignora, mas existem MUITAS PESSOAS com Leishmaniose, correndo risco de morrer... Esta patologia age silenciosamente no organismo, tanto dos cães quanto das pessoas... Pode parecer, inicialmente, um simples mal-estar!
As pessoas se preocupam, fazem o que podem (e sabem), mas os cuidados técnicos ‘estão’ sob o comando dos municípios, estados e federação! Eles possuem as verbas para as ações de controle e erradicação, mas há mais de 20 anos NÃO FAZEM O CORRETO, O QUE DEVERIA SER FEITO!!!!
Para isto é necessário o envolvimento de TODOS para cobrar estas ações!
Se APENAS tratar os animais doentes, APENAS colocar coleiras neles e deixar o mosquito se reproduzindo aos milhares... Tem mais: O mosquito precisa e vai sugar, pois é de sangue que ele vive...
Adivinha o sangue de QUEM o mosquito vai sugar e TRANSMITIR a patologia terrível, a Leishmaniose? Vai sugar O SEU SANGUE, DOS SEUS FILHOS, O MEU E DA MINHA FAMÍLIA!
O Ministério da Saúde, em sua “cômoda redoma” está lá, distante e despreocupado... Este órgão é de onde partem as ações voltadas à Saúde Pública de todo o Brasil. A eles compete determinar, fiscaliza e exigir que estados e município executem as ações corretas!
O Ministério fornece os insumos aos estados e municípios, mas aqui no Mato Grosso lamentavelmente a pessoa RESPONSÁVEL pelos 141 municípios insiste em manter uma metodologia incorreta e ineficaz, sendo que FAZER O CERTO seria o melhor, pois as cidades gastariam menos tendo que dar atendimento aos doentes, as empresas tem perdas, pois funcionário doente, seja por Dengue, Leishmanioses e outras doenças vetoradas por insetos representam perdas financeiras...
ESTA É A VERDADE:
Preste atenção!  Esta lista abaixo apresenta produtos químicos para combater a DENGUE e outros vetores, que cada Secretaria Estadual de Saúde solicita ao Ministério da Saúde, verifique que o inseticida correto e adequado para eliminar os vetores da Dengue faz parte desta lista e o MS fornece, basta solicitar!
Inseticidas, larvicidas e equipamentos enviados aos estados
Rondônia
9.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.000 quilos de Temephos²
3.600 quilos de Cipermetrina¹
10 nebulizadores portáteis motorizados
12 borrifadores manuais
5 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê
Acre
7.500 cargas de Alfacipermetrina¹
1.280 litros de Deltametrina¹
15.000 quilos de Temephos²
20 quilos Diflubenzuron²
Mato Grosso
6.000 cargas de Alfacipermetrina¹
6.380 litros de Deltametrina¹
30.000 quilos de Temephos²
Mato Grosso do Sul
33.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.700 litros de Deltametrina¹
50 quilos de Diflubenzuron²
16.000 quilos de Temephos²
25.021 quilos de BTI²
6 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê
Goiás
7.500 cargas de Alfacipermetrina¹
2.100 litros de Deltametrina¹
300 quilos de Diflubenzuron²
6.000 litros de Malathion¹
170.000 quilos de Temephos²
Minas Gerais
106.500 quilos de Temephos²
5.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.000 litros de Deltametrina¹
8.000 litros de Malathion¹
460 quilos de Diflubenzuron²
6.000 quilos Fenitrothion¹
26 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê
São Paulo
2.800 cargas de Alfacipermetrina¹
17.000 litros de Malathion¹
13.682 quilos de BTI²
4.000 quilos de Fenitrothion¹
15.000 quilos de Temephos²
8 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fuma
FONTE: SVS EM REDE é editado pelo Núcleo de Comunicação da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Por que este coordenador insiste no erro? É tão fácil corrigir! Será que não ‘pesa na consciência’ (se é que ele tem) as mortes pela DENGUE, a LEISHMANIOSE,  causadas pela ineficiência e inoperância de suas ações erradas????
Olha a situação epidêmica em Cuiabá, que se alastra por todo o Estado!
Já passou da hora de alguém tomar providências neste sentido! Ou ficaremos novamente (sob risco) assistindo a monumental e avassaladora epidemia que se alastra sobre o Mato Grosso?
E outro erro: Colocar o exército LIMPAR terrenos baldios, obrigação dos municípios! O trabalho (importantíssimo) do Exército seriam as estratégias de aplicação do fumacê, de FORMA CORRETA, com o óleo adicionado, para aderência, obedecendo a horário, velocidade e aplicações corretas!
Até quando a população permanecerá em silencio olhando seus filhos, sua família ser morta por um miserável mosquito e um incompetente e radical coordenador que não PERCEBE e CORRIGE OS ERROS cometidos?
Desculpem meus leitores, mas não estou aqui escrevendo para “passar a mão na cabeça” de ninguém! Acordem! Reajam! Cobrem as ações corretas!

sábado, 30 de outubro de 2010

UM MOSQUITO SEM PAI NEM MÃE...

republicando...

* Bia Lopes

E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:


*-Aedes aegypti municipalis


*-Aedes aegypti estadualis


*-Aedes aegypti federalis


O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.


No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.


Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...


A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.


E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.


Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...


Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.


Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?


Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...


Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...


E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...


Beatriz Antonieta Lopes

  1. Bióloga especialista em Entomologia Médica

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ministério Público investiga falta de carros usados no combate à dengue em São Paulo

Secretario Municipal de Saúde diz que não há prejuízo no combate à doença



 R7 NOTÍCIAS Texto: .."O estado de São Paulo registrou o maior número de mortes por dengue em todo o país no primeiro trimestre de 2010, com 38 vítimas confirmadas. Nesse mesmo período, funcionários da Secretaria Municipal de Saúde contaram com menos carros para fazer o combate à doença.



A empresa que prestava serviços de transporte à secretara municipal teve vários contratos de emergência realizados entre junho de 2007 e março de 2009. Esses tipos de contratos são feitos sem licitação, e o valor deles chegou a R$ 46 milhões. O que justificaria dispensar a concorrência entre empresas seria uma epidemia ou um estado de calamidade pública, o que não ocorreu.



Por isso, o tribunal de contas do município mandou a secretaria interromper as contratações e fazer uma licitação. Mas a empresa que venceu a licitação em julho de 2007 ainda não foi contratada. O caso chegou ao Ministério Público".


Confira também:

Dengue causa o maior número de mortes em SP

Casos aumentam em mais de 2.000% em SP

..O estado de São Paulo registrou o maior número de mortes por dengue em todo o país no primeiro trimestre de 2010, com 38 vítimas confirmadas. Nesse mesmo período, funcionários da Secretaria Municipal de Saúde contaram com menos carros para fazer o combate à doença.



A empresa que prestava serviços de transporte à secretara municipal teve vários contratos de emergência realizados entre junho de 2007 e março de 2009. Esses tipos de contratos são feitos sem licitação, e o valor deles chegou a R$ 46 milhões. O que justificaria dispensar a concorrência entre empresas seria uma epidemia ou um estado de calamidade pública, o que não ocorreu.

Por isso, o Tribunal de Contas do município mandou a secretaria interromper as contratações e fazer uma licitação. Mas a empresa que venceu a licitação em julho de 2007 ainda não foi contratada. O caso chegou ao Ministério Público.

ASSISTA OS VÍDEOS!




Apesar disso, o secretário Municipal de Saúde, Januário Montone, explicou que não houve prejuízo no combate à dengue na capital e que a situação da dengue na cidade não é preocupante.




Em 2002 o governo federal distribuiu muitos carros UBV (fumacê), equipados, para a realização de combate e controle do vetor. Estes carros 'sumiram'. Quando em 2005 questionei, pois gostaria de saber onde estavam os carros, fui informada que estavam "sucateados"! Viraram sucata em 03 anos sem ser utilizados?
O Tribunal de Contas da União-TCU precisa verificar isto! Quantas pessoas morreram? Quantas ainda irão morrer?
No caso, este artigo explica o anterior...



domingo, 25 de janeiro de 2009

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’






foto:Genilton J.Vieira


A dúvida continua.... E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA!

Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:

*-Aedes aegypti municipalis

*-Aedes aegypti estadualis

*-Aedes aegypti federalis

O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.

No Rio de Janeiro, hoje, ocorreu mais uma terrível epidemia. O número de casos foi assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país.

São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.

Falta: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...

A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.

E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente. Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade.

Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...

Dói em meu ouvido escutar o Ministro da Saúde ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.

Além de não fazer o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?

Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...

Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...

E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...

domingo, 29 de junho de 2008

A dengue e as capivaras postas no alto de árvores

*Bia Lopes

Já dizia um velho político cá da região, igualzinho a tantos espalhados pelo país: "Se você encontrar uma capivara pousada num galho de árvore não questione e muito menos queira retirar ela do lugar onde se encontra. Pode ter certeza: se ela está ali foi por que alguém a colocou neste lugar". E assim nos habituamos a ver muitas destas capivaras ocupando altos cargos em áreas importantes e de alta complexidade na Saúde Pública, e a prova está aí: o retorno de doenças que já haviam sido erradicadas, como dengue, leishemaniose etc, tudo em função das ditas capivaras elevadas a cargos onde jamais chegariam se fosse por competência e concursos públicos "sem padrinhos". As decisões por elas (capivaras) tomadas, sem o mínimo de conhecimento (estudar e pesquisar pra quê?), matam anualmente milhares de pessoas no mundo de doenças infecciosas e parasitárias.
" Por que o vetor proliferou e a dengue se alastrou pelo Brasil? A resposta está aí: é a capivara, que ocupando seu cargo toma decisões erradas no enfrentamento do vetor "
Por que o vetor proliferou e a dengue se alastrou pelo Brasil? A resposta está aí: é a capivara, que ocupando seu cargo toma decisões erradas no enfrentamento do vetor, comete erros graves, mas, apadrinhada politicamente, prossegue no cargo (cometendo erros e mais erros). O pior é que encontramos capivaras em instituições de pesquisa, dando entrevistas e dizendo "que o Aedes e a dengue vieram para ficar"! Que o "fumacê" agride a natureza, que faz mal à população e outras besteiras deste tipo!
Ora, quando, há alguns anos, o "fumacê", controlado pela extinta Sucam, era passado e passado corretamente, não ocorriam tantas mortes por dengue e nem tantas pessoas sofriam com a dengue e todas as complicações que esta patologia provoca. Onde estão os que reclamam sobre agressão ao meio ambiente frente ao uso excessivo de agrotóxicos nas lavouras? Por que não reclamam? Ou não sabem que o Mato Grosso ostenta o nada lisonjeiro titulo de campeão de reciclagem de embalagens de agrotóxicos? Ou isto não faz mal? Isso sim é um absurdo gigantesco! Temos que ter o uso correto do UBV (Ultra Baixo Volume ou "fumacê"), com dosagens e intervalos de 10 a 12 dias entre uma aplicação e outra, o uso do óleo e do insumo adequado para mosquitos e não como estão fazendo hoje, usando veneno para baratas, pondo em risco a vida de funcionários e pessoas que freqüentam ambientes onde o veneno é aplicado.
" Chega de irresponsáveis decidindo erradamente e pondo nossa vida e a de nossa família em risco "
Ah, sim algumas capivaras, no alto de sua importância, declaram: "o mosquito se tornou resistente ao veneno". Outro erro! Ele não se tornou resistente ao veneno, mas não é com aplicações aleatórias que serão eliminados todos os insetos. Na verdade, tornam-se necessárias aplicações num período de três meses até eliminar o último mosquito. E sem mosquitos não surgirão novos depósitos com ovos, larvas e mosquitos! É tão simples...
A verba para eliminar este e outros vetores chega a cada estado, em cada município brasileiro e vai para onde? A resposta a esta pergunta eu sei e você sabe também! Chega de irresponsáveis decidindo erradamente e pondo nossa vida e a de nossa família em risco. Para isto existe a Promotoria Pública e está na hora de mudarmos este péssimo quadro de Saúde Pública!
Beatriz Antonieta Lopes é bióloga especialista em Entomologia Médica

domingo, 20 de abril de 2008

CONTROLE DE INSETOS VETORES PATOGÊNICOS AO HOMEM

*BIA LOPES
A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE-OMS, em sua publicação Space spray application of insecticides for vector and public health pest control, (Aplicação de inseticidas para controle de vetores patogênicos à Saúde Pública), determina o uso do Ultra Baixo Volume-UBV (ou fumacê) bem como explica a maneira e os cuidados na aplicação do inseticida e a necessidade do uso em alguns casos sendo este um método rápido de controle em emergência ou situações de epidemia e pode ser usados para controle de insetos vetores.
RESISTÊNCIA A INSETICIDAS Aplicado o inseticida adequado, da forma correta irá eliminar o inseto. Mosquicidas, raticidas ou carrapaticidas não são indicados para eliminar mosquitos. Conhecendo o ciclo de desenvolvimento do inseto sabemos que todo aquele mosquito adulto que estiver no raio de aplicação do Ultra Baixo Volume (fumacê) será eliminado. Mas os ovos, larvas e pupas, nos múltiplos criadouros espalhados pela cidade, em terrenos baldios onde o lixo que se acumula, que vai de velhos sofás a carcaças de fogões e geladeiras, milhares destes insetos eclodem diariamente e saem em busca de sangue e muitos voltam ao próprio local onde nasceram para depositar de 180 a mais ovos, cada fêmea. Este processo é rápido envolve de uma semana a dez dias. Insetos marcados em laboratório para rastreamento de distância de vôo já atingiram 1.200 metros, podendo ainda ir mais longe.
Se o fumacê for aplicado aleatoriamente, não haverá resistência ao veneno e sim o surgimento de novos mosquitos não eliminados (são os que nascem após a aplicação do inseticida) e devido a isto que a aplicação deverá ser realizada em intervalos regulares até a eliminação destes vetores.
CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO DE FUNCIONARIOS
As exigências para o manejo, preparo e manuseio de inseticidas são de fundamental importância: Luvas, óculos de proteção, mascara respiratória, (que deve ter seu filtro trocado periodicamente, devido serem micro gotinhas podem facilmente ser inaladas durante o preparo e a aplicação), protetores auditivos são também indicados devido ao ruído durante a aplicação. Estas orientações fazem parte da publicação da OMS-Organização Mundial de Saúde, basta traduzir e ler. Já houve acidentes com inseticidas em função do não cumprimento das normas técnicas ou uso inadequado do inseticida (funcionários usaram o veneno de forma abundante, para lavar paredes, sendo que a aplicação correta é no aparelho que distribui micro gotículas) e neste casos alguns foram a óbito e outro ficaram com graves seqüelas.
Durante os anos que a SUCAN aplicava o fumacê a redução de insetos nocivos era percebida pela população, que ficava livre da espoliação e vetoração de patologias.
A população preocupada e buscando proteger sua família compra “sprays” de inseticidas e utiliza, colocando em risco a saúde de bebês, por exemplo, recordo a jovem mão aplicando generosamente um determinado inseticida no quarto do bebê e quando questionei sobre o perigo para a saúde da criança ela ponderou “ah, este não faz mal, não tem nem cheiro”, ignorando que o cheiro é adicionado, muitas vezes para servir de alerta, no gás de cozinha, por exemplo.
OS SINAIS DE INÍCIO DE UMA EPIDEMIA
O inicio de uma epidemia é sempre representado por casos ocorrendo em diversos locais da cidade, lamentavelmente muitos sequer buscam atendimento medico, e os que procuram atendimento não são, na grande maioria, encaminhados para sorologias. E sem comprovação laboratorial os dados ficam truncados. Em entrevistas com a população uma das perguntas é:
“Você já teve dengue?” a resposta na maioria das vezes é “não”. A segunda pergunta é: “e virose?” “ah, virose sim...O médico disse que era virose”...Aliás, esta definição médica para toda doença febril representa, para mim, um atestado de burrice...

domingo, 30 de março de 2008

A dúvida continua: UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’

* Bia Lopes


E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:
*-Aedes aegypti municipalis
*-Aedes aegypti estadualis
*-Aedes aegypti federalis
O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.
No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.
Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...
A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.
E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.
Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...
Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.
Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?
Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...
Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...
E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...
Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga especialista em Entomologia Médica