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domingo, 16 de maio de 2010

DENGUE E LEISHMANIOSE: ORIENTAÇÕES

       A relevância da orientação e informação adequadas tem peso fundamental tanto no que se refere à prevenção quanto à gestão de epidemias.


A DENGUE retornou ao nosso país há mais de 20 anos e foi se instalando nos municípios.

      Surtos epidêmicos ocorreram em alguns estados e não chegaram a chamar atenção embora já no início ocorressem casos graves e óbitos, pois algumas pessoas já com a saúde debilitada ou por confundir a doença com outras patologias de origem febril, a trataram de forma errada.

      Recordo que em 1993/94 houve em Rondonópolis uma grande epidemia, com muitas pessoas infectadas pela Dengue, e já com alguns óbitos, mas as dúvidas e/ou desconhecimento quanto à doença eram quase totais, o que, certamente, gerou um enfoque equivocado na condução e tratamento dos casos.

     A atenção para as emergências epidemiológicas deve ocorrer de modo contínuo e sistemático com o aperfeiçoamento dos mecanismos de identificação das emergências epidemiológicas, concorrendo para isto a capacitação do profissional da área médica. Isto – ressalte-se – é importantíssimo!

     Em Rondonópolis dispomos de um médico infectologista, atendendo nossa cidade e vários outros municípios, que aqui buscam atendimento, o que se dá através de encaminhamento seja do clínico geral ou outro médico ao identificar a importância do quadro do paciente.

     Acontece que muitos não buscam atendimento e outros recebem o diagnóstico vago: “É uma virose...” e sequer são encaminhadas para as sorologias, importantes e necessárias.

     Volto a frisar: as sorologias são importantes e necessárias!

     Não interessa a demora no resultado!

     Estes exames são importantes para o paciente, pois em caso (e muitos tiveram) de uma segunda Dengue, eles deverão receber maior atenção. São importantes também para a Saúde Pública, devido à necessidade da notificação ao Ministério da Saúde. Não existindo a notificação, até os repasses de recursos diminuem, aumentando ainda mais o problema.

     A DENGUE inicia de modo repentino. Estado febril (a temperatura é sempre alta), dor de cabeça, nos olhos, no corpo, mal-estar geral. Outras patologias cursam com sintomas semelhantes e devido a isto é importante a consulta, a orientação médica e o exame sorológico.

     Outro grave equívoco que ocorre: o uso abusivo do Paracetamol (Tyllenol)!

- É bom pra dengue, eu comprei e já estou tomando...

É comum se ouvir isso.

     Quando há a prescrição médica é de oito em oito horas; o uso errado poderá causar graves danos ao fígado e ao sistema renal. Muitas pessoas costumam utilizar tal medicamento para todo e qualquer mal-estar, indiscriminadamente. Lembro também que o Paracetamol faz parte da composição de inúmeros medicamentos!

Quando à LEISHMANIOSE, é uma doença silenciosa.

Na maioria das vezes, a pessoa nem percebe quando foi infectada.

     Uma febre baixa, tosse seca, gânglios inchados debaixo dos braços e no pescoço; pode ocorrer, mal-estar, dores no corpo, diarréia num dia ou dois, e melhora. Mas o protozoário já está no organismo do individuo, agindo silenciosamente, por um tempo que pode envolver meses ou anos.

     Conforme os professores doutores Éderson Akio Kido e Paulo Paes de Andrade: “A Leishmaniose começa com sintomas que despertam pouca atenção, e que vão avançando até deixar a pessoa tão fraca que pode levá-la a morte. As principais vítimas são as crianças. Adolescentes e adultos também são afetados, embora em menor número. Um rápido diagnóstico é importante e os profissionais da área de saúde, familiares e amigos, podem ajudar se souberem como identificar”.

     Geralmente, começa com uma febre que pode durar horas ou o dia inteiro, não é muito forte e se apresenta quase todos os dias. A criança com febre procura abrigar-se do vento e sentar-se ao sol. Dias depois, ela perde a vontade de brincar, passando a maior parte do tempo sentada ou deitada, e deixando de se alimentar direito. Posteriormente, passa a ter tosse, fica pálida, com os lábios descorados, o cabelo sem brilho, perde muito peso, e a barriga cresce. A febre continua, e um longo cansaço a impede que brinque, vá à escola ou faça as suas tarefas, explicam eles.

     A relevância do exame é fundamental e pode ser feito pela mãe, o pai ou o agente de saúde e vai verificar que há algo duro e crescido no lado esquerdo da barriga da criança, que sai de trás das costelas e pode ir até abaixo do umbigo, nos casos mais graves. O médico, ao deitar a criança (ou adulto) perceberá que o baço e o fígado estão aumentados e deverá solicitar as sorologias.

     Torna-se importante a observação: um leve aumento de temperatura, emagrecimento, crescimento do abdome não costuma impedir a vida normal, e a pessoa prossegue suas atividades. Mas enquanto isto a doença prossegue e não sendo diagnosticada logo, sem o tratamento correto, poderá evoluir para um quadro grave.

     A orientação é procurar os Postos e PSFs, relatando ao médico a ocorrência dos sintomas acima descritos. E, com o tratamento adequado, à doença tem cura!

     A Leishmaniose não iniciou agora, repentinamente. O inseto vetor está presente em nosso meio há vários anos, com alguns casos ocorrendo anualmente. Mas a partir de 2007 o número aumentou.

     Centenas de cães doentes foram mortos e surgem novos animais doentes a cada dia. É muito triste ver um animalzinho de estimação, que está com a família há muito tempo, ser sacrificado. Como já escrevi em artigos anteriores (Artigos.com, ou em meu blog Vetores Patogênicos, blog Abril), os cães são vítimas inocentes assim como nós.

     A eliminação do vetor começa na casa de cada um com a limpeza de folhas no quintal. Talos e folhas de bananeira devem ser removidos, restos de lixo em locais sombreados, a criação de animais de sangue quente: deve ser evitada (flebótomos tem predileção por galinha, cavalo e burro, além do cão).

Importante: quem transmite a doença não é o cão!

     É o Flebótomo, um mosquito muito pequeno, que costuma atacar à noite e de manhã bem cedo. Seu vôo é saltitante e muito rápido. A picada é dolorida, ‘queima’.

     Lamentavelmente tanto a DENGUE quanto a LEISHMANIOSE estão presentes em nosso município (e em muito locais no país).

     Descaso e falta de atenção pelo poder público ao longo dos últimos anos, erros no enfoque no combate ao vetor e está aí o resultado. Para mudar esse quadro, novas ações (e o retorno de outras atividades que eram eficazes e foram abandonadas) e poderemos ter em nosso município uma população saudável, livre de mazelas...

domingo, 6 de julho de 2008

ESCLARECIMENTOS SOBRE A LEISHMANIOSE



OS CÃES SÃO NOSSA PROTEÇÃO; NÃO SÃO VETORES, MAS, SIM, RESERVATÓRIOS!


*Bia Lopes


A preocupação com a presença e proliferação desenfreada do flebótomo vetor da Leishmaniose, com os equívocos na condução das ações de controle, tem mais um sério agravante. Além de vetorar o protozoário responsável por esta patologia o mosquito está envolvido em outra letal infecção bacteriana: a Bartonella bacilliformis ou febre de La Oroya, que é uma doença típica da região dos Andes, isto é, de altitude entre 600 a 2 800 metros. Quer dizer, costumava ser. Dezenove pessoas foram vítimas em 2004, em região de baixa altitude, na província de Madre de Diós, que faz fronteira com o Brasil. (Anna Paula Buchalla e Giuliana Bergamo-TERRA É O PARAÍSO)
“Os insetos são reservatórios importantes de doenças que podem atacar o ser humano e outros animais. Não bastasse isso, agora se sabe que eles estão também preparando novas doenças no interior de seus organismos, que poderão surgir no futuro”, disse Nick Waterfield, da Universidade de Bath. (Nature Reviews Microbiology).
Enquanto a Saúde Pública elimina centenas de cães, os mosquitos só aumentam, de forma rápida e sem controle. É assustador perceber a rapidez com que surgem centenas e centenas de mosquitos e a demora para concientizar os coordenadores sobre a ineficácia do uso de piretróide para controle de mosquitos.
Em documento técnico da SUCEN-SP., sobre praguicidas (pg.10) onde cita as características dos piretróides, no modo de ação está bastante claro: “Podem possuir efeito repelente, espantando os insetos ao invés de eliminá-los.”

Quanto ao número de casos de pessoas infectadas, é incerto. A maneira que o parasita se multiplica no corpo da vítima é invadindo o sistema imunológico, no entanto, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem a doença. Elas costumam adoecer se a imunidade estiver enfraquecida por desnutrição ou por uma doença, como o HIV/AIDS.

“Se não for tratada, a Leishmaniose é fatal e os sintomas incluem febre, perda de peso e crescimento anormal do baço e do fígado. A maioria das pessoas dos países centrais nunca ouviu falar nesta doença, mas ela é comum no Brasil, na Índia, no Nepal e em partes da África Central, sendo conhecida por devastar populações de cidades inteiras.
“O diagnóstico clinico é difícil porque os primeiros sintomas se parecem com os de outras doenças tropicais mais comuns, como a malária, incluindo aumento do abdômen, inchaço do baço e fígado, episódios de febre, diarréia, e anorexia. Devido à presença do vetor e o número de casos ocorrendo, o médico deve investigar para descartar a hipótese. A forma atual mais confiável de diagnóstico nos países africanos é a aspiração do baço, porém este procedimento é invasivo e pouco adaptado a ambientes em áreas remotas sem estrutura médica permanente.”(Drugs for Neglected Diseases Initiative)

A Leishmaniose é transmitida pela picada do mosquito Flebótomo (Lutzomya sp), que transmite o parasita microscópico tanto ao ser humano quanto aos cães. O cão é sempre a primeira vítima atingida pelo vetor. A eliminação dos cães e a permanência do mosquito, apenas fazem com que ele chegue mais rápido à pessoa para sugar seu sangue. E transmitir a doença.

“EQUÍVOCO” NA MANEIRA DE ELIMINAR O MOSQUITO

Não quero pensar que, deliberadamente as coisas sejam feitas da forma errada, então chamarei de equívoco... Ou existem interesses por trás disto? Porque perceber que não funciona é fácil: se funcionasse mesmo não haveria epidemias ano após ano, com milhares de pessoas infectadas e muitos óbitos, (no caso da Dengue, por exemplo).
Em relação à leishmaniose, volto a insistir: o vetor está espalhado pela cidade toda! E a cada dia centenas de novos mosquitos surgem! Usar a desculpa que o inseto adquiriu resistência é, no mínimo, abusar da inteligência de quem tem algum entendimento no assunto!
Li na mídia um artigo onde certo entomologista disse que para o veneno funcionar “a gotinha deve acertar na cabeça do mosquito.” Entre todas as ‘pérolas’ sobre o assunto, essa foi a premiada! Mas ele ainda está errado, pois, com os inseticidas usados, é preciso acertar a lata na cabeça do mosquito... Daí ele morre, certamente!
O inseticida deve ser aplicado com o U.B.V (Ultra Baixo Volume), com óleo adicionado. Ah! E tem de ser o inseticida correto, velocidade e horário também. A população, avisada, deverá abrir portas e janela, para deixar o inseticida entrar.
O engenheiro agrônomo gaúcho, Julio de Castro, orienta em seu artigo para o uso do Malathion, (ou similares) que os fabricantes vendem os inseticidas com várias marcas e embalagens desde envelopes com 25gr até l litro. Um litro custa R$23,00 e prepara até 400 litros de calda, bem diluída, conforme está no rótulo. Segundo ele, os 400 litros de calda são suficientes para pulverizar 800 casas. Então fica difícil (ou não?) imaginar os motivos ocultos por trás de desculpas vazias para não fazer o que é certo! Por que utilizar um veneno que não é para mosquitos, custa caro e faz mal???
“É fulminante. A chuvinha do pulverizador em cima do mosquito mata instantaneamente, vira pó, é exterminador mesmo. Tem efeito por mais 15 dias contra mosquitos aventureiros que se aproximarem. O efeito residual é fundamental para a eliminação total da praga e garantia contra a re-infestação pelos mosquitos”, declara o estudioso agrônomo Julio.
Costumo conversar sobre o assunto e a população reclama sobre a necessidade urgente do “fumacê” com o inseticida correto. “Como passava antigamente, não ficava nem um mosquito da dengue, nem pernilongo”, afirmam as pessoas. “Hoje tem todas essas pragas, mais o mosquito da Leishmaniose e ninguém faz nada”, diz uma delas.
“Somente o ataque urgente, com INSETICIDAS líquidos, direto sobre os mosquitos, dentro e em volta das casas acabará com a epidemia. O efeito é instantâneo. A aplicação é rápida, muito fácil, barata e ao alcance de todos os níveis sociais. Exterminando os insetos adultos, machos e fêmeas, não haverá mais larvas. O povo vai entender, colaborar e agradecer.” diz o engenheiro agrônomo.
Só com uma ação correta, simples estaremos livres desses insetos. E é tão fácil: basta agir, corretamente!