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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Doenças provocadas por vetores e pragas, Um problema político?

             PONTO DE VISTA                                                                                 Sérgio Bocalini

Cada vez mais se observa o aumento de doenças ocasionadas por microrganismos transportados por diversos animais considerados como vetores e pragas urbanas.


Estas doenças apresentam impacto de grande importância em saúde pública, acometendo diversas pessoas que, em determinadas situações, podem vir até a óbito.

Grandes investimentos são feitos por parte do poder público na tentativa, muitas vezes frustradas, de conter o aparecimento de doenças como a Dengue, Leptospirose, Leishmaniose entre outras, que estão associadas diretamente a presença de determinados animais.

Muito se tem discutido para encontrar os caminhos para a diminuição dos números alarmantes de pessoas que acabaram contraindo doenças originadas por vetores, porém diversos entraves vão surgindo pelo caminho, o que acaba dificultando e até impossibilitando o efetivo controle tanto das doenças quanto das pragas que as transmitem.

Grandes quantidades de recursos são disponibilizadas pelo governo, porém a forma como ele é empregado acaba não trazendo os resultados esperados. E o que era um problema solucionável com a prevenção se torna um problema médico, com desperdício de milhões de reais e, o que é pior, com a perda de muitas vidas.

O poder público, através de suas instituições focadas no controle desta fauna nociva, tem papel de extrema importância, porém o que se observa na prática é que nem sempre o resultado alcançado é o desejado, em função de uma série de fatores que vai desde a destinação inadequada de recursos, até a falta de uma gestão administrativa e fiscalização competente e adequada.

O setor privado, através das empresas especializadas no controle de vetores e pragas, pode ser de grande importância na colaboração para a redução do número de casos de doenças e mortes. O setor privado tem competência e eficiência para trabalhar conjuntamente com o setor público, cujo papel deve ser de fiscalização.

Os institutos de pesquisa e as universidades também possuem grande relevância no contexto de desenvolvimento de metodologias efetivas, bem como o estudo de produtos que tenham efeito direto sobre as pragas, porém sem comprometer a saúde das pessoas e do meio ambiente.

Entre os diversos profissionais alocados para trabalhar nesta atividade, o Biólogo possui papel extremamente importante, em função da sua formação acadêmica, que acaba muitas vezes por facilitar o entendimento e a importância do tema e a busca de ações que visam o controle efetivo das pragas.

A participação do Biólogo no setor de controle de vetores e pragas, tanto em instituições públicas quanto privadas tem aumentado de maneira expressiva, o que acaba contribuindo diretamente na melhoria dos serviços prestados.

O Biólogo tem colaborado de forma decisiva nos estudos e aplicação do manejo integrado de pragas, que passa a ser peça fundamental na busca de soluções efetivas para mitigar a ação dos diversos espécimes considerados como vetores ou pragas, porém com foco nos cuidados referentes a saúde das pessoas e animais, bem como do meio ambiente.

A evolução desta metodologia levou ao aprimoramento de diversas formas de controle a serem utilizadas, baseadas em ferramentas físicas, mecânicas, biológicas, químicas e educacionais.

Atualmente o manejo integrado de pragas passa a fazer parte do cotidiano das atividades desenvolvidas pelas empresas especializadas, bem como de instituições públicas e se faz presentes em portarias e resoluções destinadas a regulamentar a atividade.

O desenvolvimento de políticas públicas sérias focadas em buscar soluções para os problemas sanitários e ambientais que contribuem para aumentar o número de indivíduos acometidos por doenças, fazendo aumentar o custo saúde no Brasil, é imprescindível. Porém, isto somente irá

acontecer quando profissionais e a população de forma geral se conscientizarem de que a participação na vida política do país é necessária para evitarmos situações como as que vivemos hoje.

Os mais diversos setores da sociedade estão carentes de indivíduos politicamente conscientes e que venham a participar de forma ativa na busca de soluções para uma vida digna e com foco na sustentabilidade.

Doenças como Dengue, Leptospirose, Leishmaniose entre outras não matam, o que mata é a falta de um bom diagnóstico, de tratamento adequado, mas principalmente, a falta de um controle efetivo do vetor. Este é o início do problema.



Artigo de Sérgio Bocalini - Biólogo – CRBio 23668/01-D

Vice-presidente executivo – APRAG (Associação dos Controladores de Pragas Urbanas)

Gestor executivo – FEPRAG (Federação das Associações dos Controladores de Vetores e Pragas Sinantrópicas)

Este artigo foi publicado na edição nº 15 da revista O Biólogo- CRBIO- 1ª Região

domingo, 28 de março de 2010

A IMPORTÂNCIA DO MÉDICO VETERINÁRIO NA SAÚDE PÚBLICA

Durante o 3º Congresso Nacional e o 1º Encontro Internacional de Saúde Pública Veterinária que ocorreu em Bonito-MS., foi amplamente discutida a importância da inserção deste profissional na Saúde Pública.


A contribuição deste profissional na Saúde não tem sido adequadamente utilizada, embora muitos setores da saúde necessitem desta participação!

Sua atuação não deve se resumir apenas nas vistorias de matadouros ou campanhas de vacinação animal!

O trabalho deste profissional está ligado diretamente a patologias que envolvem insetos, animais e o homem. A Leishmaniose é um forte exemplo, que mostra a falta de ações de controle mais eficaz. Esta falha demonstra que o profissional ou não é ouvido ou não participa, não expondo assim sua opinião técnica ou pior: tem também aquele profissional que diz ‘amém’ a tudo, certo ou errado, quer dizer, não tem personalidade para discordar, se cala frente a equívocos ou erros...

A falta de conhecimento técnico de gestores e, especialmente, a falta de saber pelo menos OUVIR profissionais e pesquisadores das áreas afins (Veterinários, Biólogos) remetem a população humana e animal a situação de calamidade que hoje vivenciamos e que se iniciou já há bastante tempo...

A Leishmaniose Visceral tem causado graves problemas tanto ao homem quanto aos animais, com vários óbitos humanos e o sacrifício de centenas e centenas de cães, vítimas indefesas e inocentes!

A Leishmaniose é uma ‘doença silenciosa’ pois no momento da contaminação ocorre normalmente um mal estar inespecífico quase sempre diagnosticado como ‘virose’ pelo profissional de saúde, o que é uma inverdade: Não existe vírus envolvido nesta patologia e sim um protozoário!

Enquanto o parasita se desenvolve no organismo do paciente (humano ou animal) embora apresente alguns sintomas iniciais ainda leves o médico deve realizar uma investigação sorológica para detectar ou descartar a suspeita de Leishmaniose.

Assim se faz Saúde Pública. Assim se constrói um município saudável. Poderemos ter sim um Pronto Atendimento, um local limpo, e até mesmo bonito, por que não? Organizado e vazio, unidades de PSF onde as pessoas visitem para aferir a pressão arterial, aplicar vacinas... Isto é um indicador que demonstra que a saúde está funcionando, que o trânsito é organizado e não ocorrem acidentes... A prestação adequada dos serviços, os profissionais capacitados, hospitais, tudo isto poderia estar disponível, se necessário.

Para que tudo isto se torne uma realidade se faz necessária a perfeita integração destes segmentos: Médicos, Médicos Veterinários, Biólogos, e esquecia-me de outro importante profissional que tem fundamental importância: O Engenheiro Agrônomo. É essencial sua atuação para a orientação técnica sobre o uso de insumos adequados a cada tipo de vetor. Esta orientação visa esclarecer qual inseticida, dosagem e aplicações são necessárias na contenção de epidemias.

A atuação do Biólogo no verdadeiro sentido (bio: vida, Logus: estudo) que estuda e pesquisa, que questiona os fatos e ocorrências que envolvem a saúde populacional é também de fundamental importância! Quando cursei Entomologia Médica, foi para conhecer os vetores patogênicos a saúde do homem e dos animais, a observação cuidadosa dos hábitos dos insetos serve para mostrar que estão sendo necessárias importantes mudanças nas ações de controle, pois, pelo que se pode perceber, a proliferação de insetos patogênicos está descontrolada...

O profissional, ético e correto jamais deverá calar e consentir frente a erros desculpe, para não ofender, direi equívocos cometidos por gestores...

Lamentavelmente temos pessoas ocupando cargos políticos na área de Saúde Pública destituídos de qualquer conhecimento (e interesse) na área! Isto ocorre não só nos governos municipais.Inicia no governo federal, passa pelo governo estadual e deságua nos municípios.

Se analisarmos as verbas federais liberadas aos estados e municípios poderemos questionar:

1º= “porque a população adoece e morre por doenças que já haviam sido erradicadas?”

2º= “qual o interesse em manter esta situação?”

3º= “qual o custo?”

4º= “é mais difícil fazer o correto”?

5º= “é mais viável consertar o estrago”?

Acredito que é melhor prevenir, evitar que ocorra o problema!

Os questionamentos são muitos! A sugestão: Unir profissionais e mudar o quadro atual, com um trabalho criterioso a ser desenvolvido conjuntamente. Fica a sugestão para a organização de um seminário ou fórum para debater e estudar estas mudanças.