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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Batalha Perdida

Li e gostei muito do artigo do Dr. Helder e estou publicando no site pela importância e coerência do relato. Se todos fizessem o que deve ser feito em relação aos insetos vetores certamente o Brasil não estaria na situação que está...
A situação, no Brasil, não muda nunca... Apenas EVOLUI... Para pior!   E agora, com a proximidade dos Jogos da COPA DO MUNDO fico refletindo: Cuiabá-MT., o Rio de Janeiro-RJ., vão esconder os casos (e os mosquitos) onde????
Cada visitante levará como "souvenir" uma DENGUE de recordação???  

 Beatriz

                             Batalha Perdida


Autor: HELDER ANTÔNIO AGOSTINI DE MATOS


No início da década de 90 retornei ao Rio de Janeiro, após uma jornada profissional na Amazônia, onde trabalhei em uma bem-sucedida iniciativa de controle de malária no então incipiente campo de petróleo do Rio Urucu.
Uma das particularidades desse trabalho foi viabilizar infra-estrutura médico-sanitária para desenvolvimento de ações no interior da floresta, em região antes inabitada, repleta de mosquitos.
No que diz respeito à malária, o desafio foi inimaginável: desde a descrença absoluta das autoridades regionais em qualquer forma de sucesso no seu controle até a inexistência de modelo local compatível com o empreendimento. Recrutamos e treinamos pessoal, conveniados com a então SUCAM.
Não havia como controlar vetores buscando apenas ou sequer imaginando buscar criadouros de insetos! Os rios amazônicos mudam de curso anualmente, deixam lagos imensos em áreas alagadas após retornarem de suas cheias, sem contar na imensidão de árvores gigantescas que podem abrigar uma infinidade de pequenas poças...
Ora, o Rio de Janeiro e o país estão se confrontando com casos de dengue e infestação pelo vetor, imbatível, desde aquela época! Surpreendeu-me que por aqui se estivesse valorizando tanto a busca de criadouros e se combatesse de forma tão débil o vetor adulto...
Ao longo de mais de uma década tenho observado esse paradoxo e as manchetes sobre a dengue falam por si.
Não preciso dizer mais nada, além da constatação, ao me encontrar hoje com um profissional de saúde, agora em seu segundo episódio de dengue, com manifestações hemorrágicas: apesar do sucesso com uso de fumacê por aqui, em décadas e situações anteriores, o Rio e nossas cidades estão menosprezando aquilo que a Amazônia nos forçou a fazer a partir de incertezas diante de sua vastidão, já que a borrifação de inseticidas não teria como cobrir todo o campo operacional de maneira lógica e racional.
Duas décadas do modelo atual de controle do Aedes demonstram que "algo mais" merece ser feito! Já ouvi em congresso que o tamanho da gotícula dos borrifadores era um empecilho para seu melhor uso nesta cidade, lá longe, no início dos anos 90! Isso quando já os usávamos com pleno sucesso nas estradas e nos acampamentos em terra batida do Urucu, nos finais de tarde morna e úmida, permitindo que milhares ali trabalhassem e vivessem sem qualquer episódio de contaminação!
Encerro com profunda tristeza, semelhante àquela que vivi quando me deparei com servidores contratados para controle de vetores, acampados na Cinelândia, reivindicando readmissão nos quadros da FUNASA, pouco antes de mais uma escandalosa epidemia de dengue, ao longo dos anos 90, fruto do descaso de então para com esta que já se impõe como eterna vergonha da saúde pública em nosso país.
Por favor, não queiram me convencer que o modelo atual é eficiente, que não temos outra alternativa, sem também atacar os insetos adultos... Isso requer estratégias, gastos, dirão alguns, mas por que ainda não fazemos? Vamos continuar assistindo a manchetes diárias com mortes e aumento do número de casos por mais quantas vezes e décadas?


HELDER ANTÔNIO AGOSTINI DE MATOS é médico.
O GLOBO – OPINIÃO – segunda-feira, 04/02/2008, p. 7
E-mail: helderantonioagostinidematos@yahoo.com.br


quinta-feira, 22 de março de 2012

IMPRENSA OMISSA, APADRINHADOS POLÍTICOS E O RESULTADO:DENGUE


Acredito que cheguei ao LIMITE! Que existe aberrações comandando a Saúde Pública isto todos sabem! Mas não posso aceitar formadores de opinião especialmente a imprensa, ‘engolindo’ como verdades absolutas o que ‘embolorados ocupantes de cargos’, sem a menor qualificação a não ser aquelas qualidades (!) que içaram tais incompetentes ao poder!
A população segue, vendo adoecer e morrer por DENGUE, a cada epidemia, pessoas da família e,aparentemente atordoadas, calam-se ante os absurdos cometidos por indivíduos que ocupam cargos de fundamental importância na área de saúde...
Não pensam eles (população) em questionar quem delegou tais cargos, qual o político responsável por isto que se transformou o estado e TODOS os municípios do Mato Grosso!
               A imprensa crítica e investigativa estará adormecida? É o que parece! Não questiona a falta de ações concretas para ELIMINAR os vetores, que se reproduzem de forma assustadora e o que fazem os (ir) responsáveis além de gastar com a mídia? Por que a imprensa não questiona a falta do ‘fumacê’?  Não acredito que tenham aceitado a velha e vergonhosa desculpa que o ‘fumacê’ faz mal! Pessoa com algum resquício de inteligência sabe o que estou dizendo...
“Fumacê” faz mal... Ora, ora... O Brasil e, mais especialmente o Mato Grosso utiliza centenas de toneladas anualmente, de agrotóxico nas lavouras, nós nos alimentamos com carne, peixe e alimentos produzidos com muito agrotóxico... O número crescente de novos casos de câncer sinaliza algo muito errado ocorrendo!
Então, aceitar esta desculpa vergonhosa e não combater, não eliminar os mosquitos é um absurdo sem medida! É um CRIME!
Não estou criticando simplesmente. Não é meu estilo. Apresentei projeto com explicações claras e objetivas para eliminar este e outros vetores. Meu projeto foi descartado. Não bastasse isto, as retaliações contra minha pessoa aumentaram de tal maneira que abalou minha saúde. Isto não importa. O que interessa no momento, é que a imprensa “acorde e abra a boca”, questione, exija ações!
O governo federal fornece os veículos e os insumos corretos. Já há vários anos o Mato Grosso (e grande parte do Brasil) deixou de fazer o correto em relação aos mosquitos vetores e o resultado é este que ai está: Dengue, Leishmaniose, Malária, Elefantíase matando cada vez mais!

domingo, 5 de junho de 2011

DE META EM META A SAÚDE CONTINUA UM CAOS...

Série Doenças Negligenciadas


“A meta é erradicar a Hanseníase até 2005” Este é o título do artigo de Kátia Machado, na RADIS Nov.2004.


Descriminação e preconceito ainda hoje envolvem o paciente portador da Hanseníase ou Lepra.


“Contrair a Hanseníase não é apenas contrair uma doença que atinge os nervos periféricos, contraímos também uma nova identidade que, não raro, é muito pior do que a doença em si(...)” declarou Francisco Augusto Vieira Nunes, o Bacurau. Ele morreu em 1997, depois de longos 21 anos de internações e tratamentos.


A evasão do tratamento tem, ao longo dos anos, vários motivos, que envolvem medo, depressão e fatos assim: A atendente de guichê, no posto, ‘organizando’ o atendimento por fila falava em voz alta “esta é a fila das perebas e leprosos”. Isto acontecia em Nova Iguaçú-Rj., identificado o problema: necessidade de sensibilização e capacitação de funcionários! Isto é comum em muitos lugares...


Identifiquei este tipo de situação em Rondonópolis- MT., durante a campanha do teste rápido de pesquisa do HIV., outra patologia que aumenta assustadoramente. Esta campanha foi deflagrada logo após o carnaval.


Gestantes, jovens, idosos, usuários de drogas e outros grupos de risco já na recepção são informados que devem aguardar uma ‘triagem’ e palestra, para só então realizar o exame, gerando constrangimento e até mesmo desistências!


Faz-se necessário um estudo para que as chamadas ‘portas de entrada’ recepcionem e atendam o paciente de forma humana e não geradoras de discriminação!


Enquanto aguardam a Saúde Pública “atingir as metas” muitos pacientes adoecem, enfrentam obstáculos e morrem aguardando.


Entre as Doenças Negligenciadas e suas metas inatingíveis, devo falar também sobre:

DENGUE (Aedes aegypti)


A Dengue é um dos mais graves absurdos, desencadeada pela inoperância e descaso dos gestores do Ministério da Saúde! Pela absoluta falta de eliminação do inseto vetor, que transmite o vírus, a patologia alastrou-se pelo Brasil, atingindo milhares de pessoas a cada ano.


Não bastasse isto o despreparo dos profissionais no atendimento ao paciente, Postos de Atendimento superlotados, rede de saúde publica sucateada, falta de medicamentos adequados tudo isto e mais a gravidade dos casos hemorrágicos deixam a população brasileira em pânico!


LEISHMANIOSE (Flebótomo)


Muitos pacientes, mal se recuperando da Dengue descobrem que estão com Leishmaniose, outra grave doença que o Flebótomo (outro mosquito) que transmite o protozoário, que também, caso não seja rapidamente diagnosticada o paciente irá a óbito de forma rápida e sofrida. Anualmente centenas de novos casos surgem e a patologia também se alastra pelos estados brasileiros.


MALÁRIA (Anopheles)


Apesar de os casos de malária no Brasil terem diminuído nos últimos anos, a situação na região amazônica ainda é preocupante. O alerta vem do professor Pedro Luiz Tauil, da faculdade de Medicina da Universidade de Brasília.


Com a redução de casos de malária, ocorreu também uma redução nas ações de controle devido muitas vezes, o manejo de trabalhadores que cuidam do controle da malária que são deslocados para cuidar de outras áreas, como o controle da dengue. E com isto a malária voltou a aumentar o número de casos.


Troca de pessoal quando ocorrem mudanças políticas no poder de estados e municípios propiciam o aumento de patologias, devido ao fato de algumas ações serem descontinuadas ou mudança nas estratégias de controle de vetores.


Um exemplo: A transferência para os estados e municípios o controle estratégico de vetores.


O resultado: o crescimento desenfreado e descontrolado do número de vetores e as patologias por eles transmitidas.


FILARIOSE LINFÁTICA (Culex).


É a chamada ‘elefantíase’, vetorada pelo nosso conhecido pernilongo, que transmite o protozoário. Muitos casos, mas o paciente pouco aparece, pois se torna ‘invisível’, pois devido a deformidade exagerada dos membros do corpo dificilmente saem de casa, não se expõe em público.


ONCOCERCOSES (Simulídeos).


São os “borrachudos”, vetores desta doença com 17 milhões de casos de Oncocercoses registrados no mundo onde 99% ocorrem na África, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde.


Como o vetor chegou ao Brasil? Por que existem casos de oncocercose em Goiás, a mais de dois mil quilômetros de distância do foco original, em território ianomâmi?


A pesquisadora Marilza Herzog, Entomologista do Instituto Oswaldo Cruz analisa a dispersão da oncocercose no Brasil e estudou a princípio os vetores da oncocercose, tem profundo conhecimento sobre a doença, nos seus aspectos médicos, epidemiológicos, históricos e culturais.


O verme é transmitido através da picada de insetos do gênero Simulium, popularmente conhecidos como borrachudos.


No corpo do homem, seu hospedeiro definitivo, as larvas do parasita se desenvolvem formando adultos que podem chegar a aproximadamente cinco centímetros no caso dos machos e a até 80 cm no caso das fêmeas, que se alojam sob a pele, enoveladas em torno de si mesmas formando nódulos.


TRIPANOSSOMÍASE AFRICANA (Glossinia).


Esta grave doença negligenciada atinge a população de algumas áreas da África, conhecida como ‘doença do sono’, é vetorada pela mosca TSÉ-TSÉ, os tripanossomos são parasitas unicelulares do sangue.


Trata-se de uma patologia grave, mata um elevado numero da população africana.


Como Entomologista, sei que o sistema de reprodução é diferente de outras moscas e mosquitos: cada mosca gera apenas uma mosquinha por vês, a mosca ‘grávida’ carrega o inseto em seu interior até completar o ciclo de formação do inseto e depois deposita em locais junto a rios, lagos e poços. Então questiono: Porque não é eliminado este vetor?


DOENÇA DE CHAGAS (Triatomíneos).


O protozoário é transmitido pelo ‘barbeiro’, atinge principalmente o músculo cardíaco e requer tratamento pela vida toda. Órgãos afetados: Aparecimento gradual de demência (3% dos casos iniciais), cardiomiopatia (em 30% dos casos), ou dilatação do trato digestivo (megaesôfago ou megacólon (6%), devido à destruição da inervação e das células musculares destes órgãos, responsável pelo seu tônus muscular. No cérebro há freqüentemente formação de granulomas.


ESQUISTOSSOMOSE (caramujos do gênero Biomphalaria. Schistosoma mansoni).


A esquistossomose é uma doença endêmica, silenciosa e, caso não tratada leva à morte. O Brasil é o país mais afetado pela doença nas Américas.


TUBERCULOSE (Bacilos).


A tuberculose é transmitida pelo ar. O doente, quando tosse, espirra ou fala, elimina bacilos que podem contaminar a pessoa que vier a respirá-los.


Normalmente, a doença atinge os pulmões (90% dos casos), mas também pode acometer outros órgãos.


A tuberculose pulmonar é a forma mais freqüente e generalizada da doença. Porém, o bacilo da tuberculose pode afetar também outras áreas do nosso organismo, como, por exemplo, laringe, os ossos e as articulações, a pele (lúpus vulgar), os gânglios linfáticos, os intestinos, os rins e o sistema nervoso. A tuberculose miliar consiste num alastramento da infecção a diversas partes do organismo, por via sanguínea. Este tipo de tuberculose pode atingir as meninges (membranas que revestem a medula espinhal e o encéfalo) causando infecções graves denominadas de "meningite tuberculosa".


Os sintomas mais freqüentes são tosse, cansaço excessivo, febre, sudorese, falta de apetite e emagrecimento.


A melhor prevenção contra a tuberculose é a busca constante de casos e início precoce do tratamento. O Brasil adota vacina BCG intra-dérmica, como medida de prevenção primaria contra a doença.


Doenças negligenciadas ainda matam 01 milhão de pessoas por ano no mundo.


A cada dia, cerca de três mil pessoas morrem no mundo vítimas de doenças negligenciadas como Malária, Dengue, Leishmaniose Visceral, Doença de Chagas e Doença do Sono.



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CRIADOUROS DE MOSQUITOS VETORES

Mosquito da DENGUE nasce no interior das residências?



Não, o mosquito ENTRA nas casas, atrás de pessoas para sugar o sangue! São raros os casos em o inseto nasce no interior das residências.



Existem milhares de criadouros espalhados pela cidade...



Certos coordenadores desinformados costumam justificar a própria incompetência, acusando a população pela proliferação do inseto, algumas pessoas realmente colaboram para isto, mas a maioria cuida!



Um destes coordenadores declarou: "O fato de irmos à casa das pessoas para levar o larvicida fez muita gente ficar esperando a volta do agente”. Mas ele esquece que o agente é pago para ir examinar casa a casa? Lamentável mente, são cargos políticos, indicados por vereadores e muito são responsáveis e trabalham, mas outros apenas ganham, não trabalham!



A irresponsabilidade de quem está no comando das ações é incrível! No residencial Marechal Rondon onde houve casos e óbitos por Leishmaniose, um destes coordenadores após o plantio de grama na praça, decidiu colocar folhas em decomposição, sobre a grama!



Ora, será que ele não sabe que o mosquito vetor da Leishmaniose nasce sob folhas caídas no solo? Então a proteção da grama tem um custo: Novos mosquitos foram ‘transportados’ do local onde estavam para o bairro, aumentando assim o problema já existente e não resolvido!



Aliás, este problema teve início já há alguns anos, e que deveria tomar providencias nada fez. E pior: Omitiu o fato à população e a classe médica



que, caso soubesse o que estava ocorrendo, teria o diagnóstico facilitado, contribuído para que o paciente recebesse rápida atenção adequada, evitando assim a evolução para um quadro mais grave e o óbito.



De tudo, uma das coisas mais terríveis são algumas pessoas que sabem o que deveria ser feito, mas preferem enterrar a cabeça num buraco e calar... Desculpo aquele funcionário que passou pela vida, sem estudar, sem se reciclar, e permanece ignorante e atrasado... Este não tem jeito mesmo!



Mas aquele que sabe e cala ou pior, se une aos considerados ‘poderosos’, para apoiá-los, bajulando, buscando assim ‘ficar bem’ com a chefia, inoperante ou mal intencionada, este sim é o pior!



Seja apenas por omissão, ou seja, para não precisar trabalhar, seguem assim, omissos e calados! Sabendo o que e como devem ser desempenhadas funções tais que delas depende a saúde e a vida da população, mas calam, consentindo que o erro prejudique inclusive sua própria família...



Nos últimos 20 anos uma sucessão de erros ou equívocos, como queiram, vem sendo responsável por milhares de pessoas que são infectadas pela DENGUE, MALÁRIA, LEISHMANIOSE, CHAGAS e outras patologias transmitidas por insetos vetores.



De forma consciente afirmo que, se não forem tomadas as medidas necessárias teremos mais e mais óbitos para lamentar. Muitas epidemias. O retorno de inúmeros vetores é preocupante!



É evidente que é mais cômodo permanecer em silencio! Dá menos trabalho... O trabalho executado anteriormente era penoso e exigia uma grande dose de sacrifício. Hoje? Cumpre-se o horário e só. Servidores com amplo conhecimento assistem o desenvolvimento de ações sem eficácia e calam. É mais “confortável”...



Ou tomam atitudes ‘mais fáceis’: Aliando-se aos ‘empoderados’ se voltam contra o considerado ‘mais fraco’. Movimentam sindicatos para ‘defender a categoria’, para se defender da responsabilidade, falando um português mais claro: Falta vontade de trabalhar? Então cai fora, abre espaço para quem queira fazer o trabalho corretamente.



Órgãos responsáveis (Federal, Estadual, Municipal) devem, urgentemente, organizar concurso público, capacitar novos servidores para o desenvolvimento de trabalho de combate a vetores.



Minha opinião é de que o governo federal convoque os antigos servidores da extinta SUCAN que ainda não se aposentaram e que hoje prestam serviço como motorista para o município e absorva o conhecimento que eles possuem, assim que passar o período político eleitoral seja aberto um concurso para agente de endemias e os antigos servidores ministrem cursos e orientação aos novos agentes.



Uma revisão no MANUAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE se faz necessária, pois alguns conceitos sobre índices de IP (infestação predial) que os gestores municipais seguem estão equivocadas. 1 % de Infestação Predial é ALTO RISCO, entretanto o estado, mesmo apresentando índices acima de 14%, acredita que as ações desenvolvidas estão corretas.



Sei que sou uma voz dissonante em meio aos desmandos administrativos, mas como profissional não posso calar perante o risco que a população corre! Eu poderia dizer ‘lamento incomodar’... Mas não, eu faço minha parte!



O que população deve fazer? Continuar a manter limpo o quintal e buscar seus direitos na Promotoria, que deve garantir ao cidadão o direito à saúde!








domingo, 5 de setembro de 2010

PARACETAMOL,DENGUE,MALÁRIA,LEISHMANIOSE...

O Brasil está carente de justiça! Brasileiros morrem de Doenças Negligenciadas, morrem pelo descaso, pela incompetência que se inicia com um presidente vaidoso, sem moral, sem respeito que abre a boca e deixa “fluir” o que carrega dentro de si...


Está a 08 anos frente ao nosso País, e assim que assumiu a presidência eu encaminhei um pedido, para que mudasse as ações, completamente equivocadas, na condução dos Vetores Patogênicos, insetos transmissores das mais diferentes patologias ao homem e aos animais.

Não deve sequer ter lido, imagine, ele á avesso a leitura... Iria perder tempo e se preocupar com as centenas de brasileiros que morrem de DENGUE, MALÁRIA, LEISHMANIOSE, CHAGAS, ESQUITOSSOMOSE, LEPTOSPIROSE e mais “um sem número de doenças causadas pelo descaso”?

O vetor da leishmaniose (Flebótomos) é vetor também de uma grave e mortal bactéria, presente na fronteira brasileira, caso haja contaminação haverá uma

Tragédia, pelo elevado número de mortes!

1- Questionei o uso do piretróide: Não mudou, manteve!

O que está por trás do uso deste piretróide, totalmente ineficaz contra mosquitos, que são alados, isto é, VOAM! Este produto elimina: Baratas, aranhas, formigas (estas formiguinhas do açúcar), cupins, enfim, animais que andam! Mosquito voa, não fica andando nas superfícies, paredes, etc.

Além de manter o uso do piretróide, que apesar de não matar mosquitos é altamente tóxico ao homem e animais domésticos!

2- Questiono há anos o uso do PARACETAMOL, altamente agressivo ao fígado e as pessoas pelo desconhecimento do risco e pela informação ERRÔNEA “que é o único” que pode ser usado em caso de DENGUE, acaso ele questionou o Ministro da Saúde?

3- Por que o Ministério da Saúde fornece PIRETROIDES para controlar os mosquitos? Por que o Ministério da Saúde fornece milhares de comprimidos de PARACETAMOL aos municípios?

Ele, presidente, e seu ministro DEVERIAM SABER que pacientes que sobrevivem à DENGUE, morrem de lesão hepática causada pelo PARACETAMOL?

Qualquer um pode chegar na farmácia e comprar este ‘remédio’! Muitos não compram, GANHAM, pois muitos médicos desavisados continuam a receitar o ‘remédio’ que o ministério da saúde envia GENEROSAMENTE para a população!

Este principio ativo foi proibido nos Estados Unidos mas para o Brasil serve?

Será que o laboratório pertence a algum “compadre do presidente”?

Então, manteve o produto que não mata mosquito e mantém o ‘remédio’ que pode matar o povo!

O que é isto, minha gente??? Ele não respeita a população, não me respeita, e eu devolvo na mesma moeda: não merece meu respeito!

E eu procuro fazer minha parte, alertar sobre os riscos do PARACETAMOL=TYLLENOL, é a mesma coisa, não use, não dê para seus filhos!

O fígado da pessoa com dengue já é bastante agredido pelo vírus e, caso a pessoa use este ‘remédio’ poderá morrer!

Existem medicamentos para dor, para febre, que não são nocivos à saúde, desde que usados corretamente!

O doutor Renan Marinho, além de fazer denúncia na Promotoria Pública Federal, divulga ‘alerta’ à população em seu site:

http://www.renanmarino.com/

Embora minha opção seja ANULAR O VOTO não me julgue o caro leitor, incoerente por divulgar o site do doutor Renan, ocorre que o doutor é candidato a deputado estadual, foi a opção encontrada por ele para lutar contra a dengue e tudo de obscuro que envolve e mantém esta patologia, ele merece meu respeito e admiração, e desejo que ele faça um excelente trabalho político na área de saúde!

Eu estou anulando meu voto como protesto a ALGUNS políticos que mantém as epidemias ‘em alta’, conheço pessoas que possuem DUPLA RESPONSABILIDADE, pois são políticos e fazem parte da coordenação de saúde e nada fazem para mudar o quadro crítico e grave da SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA!

Faz aproximadamente 17 anos que luto contra esta patologia, já sofri processo (tentativa) de exoneração devido a minha luta contra a dengue...

domingo, 28 de março de 2010

A IMPORTÂNCIA DO MÉDICO VETERINÁRIO NA SAÚDE PÚBLICA

Durante o 3º Congresso Nacional e o 1º Encontro Internacional de Saúde Pública Veterinária que ocorreu em Bonito-MS., foi amplamente discutida a importância da inserção deste profissional na Saúde Pública.


A contribuição deste profissional na Saúde não tem sido adequadamente utilizada, embora muitos setores da saúde necessitem desta participação!

Sua atuação não deve se resumir apenas nas vistorias de matadouros ou campanhas de vacinação animal!

O trabalho deste profissional está ligado diretamente a patologias que envolvem insetos, animais e o homem. A Leishmaniose é um forte exemplo, que mostra a falta de ações de controle mais eficaz. Esta falha demonstra que o profissional ou não é ouvido ou não participa, não expondo assim sua opinião técnica ou pior: tem também aquele profissional que diz ‘amém’ a tudo, certo ou errado, quer dizer, não tem personalidade para discordar, se cala frente a equívocos ou erros...

A falta de conhecimento técnico de gestores e, especialmente, a falta de saber pelo menos OUVIR profissionais e pesquisadores das áreas afins (Veterinários, Biólogos) remetem a população humana e animal a situação de calamidade que hoje vivenciamos e que se iniciou já há bastante tempo...

A Leishmaniose Visceral tem causado graves problemas tanto ao homem quanto aos animais, com vários óbitos humanos e o sacrifício de centenas e centenas de cães, vítimas indefesas e inocentes!

A Leishmaniose é uma ‘doença silenciosa’ pois no momento da contaminação ocorre normalmente um mal estar inespecífico quase sempre diagnosticado como ‘virose’ pelo profissional de saúde, o que é uma inverdade: Não existe vírus envolvido nesta patologia e sim um protozoário!

Enquanto o parasita se desenvolve no organismo do paciente (humano ou animal) embora apresente alguns sintomas iniciais ainda leves o médico deve realizar uma investigação sorológica para detectar ou descartar a suspeita de Leishmaniose.

Assim se faz Saúde Pública. Assim se constrói um município saudável. Poderemos ter sim um Pronto Atendimento, um local limpo, e até mesmo bonito, por que não? Organizado e vazio, unidades de PSF onde as pessoas visitem para aferir a pressão arterial, aplicar vacinas... Isto é um indicador que demonstra que a saúde está funcionando, que o trânsito é organizado e não ocorrem acidentes... A prestação adequada dos serviços, os profissionais capacitados, hospitais, tudo isto poderia estar disponível, se necessário.

Para que tudo isto se torne uma realidade se faz necessária a perfeita integração destes segmentos: Médicos, Médicos Veterinários, Biólogos, e esquecia-me de outro importante profissional que tem fundamental importância: O Engenheiro Agrônomo. É essencial sua atuação para a orientação técnica sobre o uso de insumos adequados a cada tipo de vetor. Esta orientação visa esclarecer qual inseticida, dosagem e aplicações são necessárias na contenção de epidemias.

A atuação do Biólogo no verdadeiro sentido (bio: vida, Logus: estudo) que estuda e pesquisa, que questiona os fatos e ocorrências que envolvem a saúde populacional é também de fundamental importância! Quando cursei Entomologia Médica, foi para conhecer os vetores patogênicos a saúde do homem e dos animais, a observação cuidadosa dos hábitos dos insetos serve para mostrar que estão sendo necessárias importantes mudanças nas ações de controle, pois, pelo que se pode perceber, a proliferação de insetos patogênicos está descontrolada...

O profissional, ético e correto jamais deverá calar e consentir frente a erros desculpe, para não ofender, direi equívocos cometidos por gestores...

Lamentavelmente temos pessoas ocupando cargos políticos na área de Saúde Pública destituídos de qualquer conhecimento (e interesse) na área! Isto ocorre não só nos governos municipais.Inicia no governo federal, passa pelo governo estadual e deságua nos municípios.

Se analisarmos as verbas federais liberadas aos estados e municípios poderemos questionar:

1º= “porque a população adoece e morre por doenças que já haviam sido erradicadas?”

2º= “qual o interesse em manter esta situação?”

3º= “qual o custo?”

4º= “é mais difícil fazer o correto”?

5º= “é mais viável consertar o estrago”?

Acredito que é melhor prevenir, evitar que ocorra o problema!

Os questionamentos são muitos! A sugestão: Unir profissionais e mudar o quadro atual, com um trabalho criterioso a ser desenvolvido conjuntamente. Fica a sugestão para a organização de um seminário ou fórum para debater e estudar estas mudanças.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DENGUE: ÉTICA & CIDADANIA

Os conceitos relativos a estes temas são, muitas vezes, deturpados ‘em nome da ética’. Falsa ética. Algumas pessoas entendem equivocadamente. A omissão de fatos importantes para a comunidade em nome da falsa ética ocorre incontáveis vezes.


Verdades são camufladas e mascaradas usando a desculpa da ética. Que estranha ética é esta?

A população tem o direito de saber o que está ocorrendo, para assim se proteger e a seus filhos.

Ética é tudo que envolve integridade, é ser honesto em qualquer situação; é ter coragem para assumir seus erros e decisões, ser tolerante e flexível, é ser humilde! Ser ético, então, é ser cidadão!

“O código de ética profissional, reúne um conjunto de normas derivadas da ética, frequentemente incorporados à lei pública. Assim, os princípios éticos passam a ter força de lei, e seu estudo tem alta probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam fatos relativos à conduta profissional. O não cumprimento dos princípios éticos pode resultar em sanções executadas pela sociedade profissional, e suspensão temporária ou definitiva do direito de exercer a profissão.” *

O que é ética: “A ética profissional pode ser representada pelo varredor de rua, que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água da chuva; o auxiliar de almoxarifado, que verifica se não há umidade no local destinado para colocar caixas de alimentos; o médico cirurgião, que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia”. **

O que é cidadania: “Cidadania é o conjunto de direitos e deveres, que regem a vida e o modo de atuação de um indivíduo na sociedade. É através da cidadania que o indivíduo pode exercer seu papel fundamental no desenvolvimento da sociedade, lutando por melhores garantias individuais e coletivas, por direitos essenciais como: o direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade e a todos os valores civis, políticos e sociais que equilibram a vida em sociedade”. ***

Quando escolhemos a nossa profissão, passamos a ter deveres profissionais obrigatórios. No caso do Biólogo: Bio= vida e logos= estudo. Então o biólogo estuda, pesquisa e preserva a vida!

Mesmo que você exerça a sua atividade funcional fora da área de sua formação, não quer dizer que você não tenha deveres e obrigações a cumprir com ela. Tem de ter coragem para assumir as decisões - mesmo que seja contra a opinião alheia, especialmente quando da sua atitude depende a vida, seja ela humana ou animal.

Como Bióloga, devo agir de acordo com meus princípios, ter integridade e responsabilidade. Como cidadã, devo exercer minha cidadania de forma que possa garantir direitos essenciais tais como: o direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade e a todos os valores civis, políticos e sociais.

Não é o que está acontecendo hoje. Como Bióloga e pesquisadora, alertei e sugeri providências, pois sabia que uma grande epidemia de Dengue se aproximava.

Discordo das ações desenvolvidas nos últimos anos no Mato Grosso pela ineficácia já comprovada e jamais escondi minha preocupação com a situação em nosso município, preocupação que, lamentavelmente volta a se confirmar, com o elevado número de casos de Dengue.

Vários casos de FHD (Febre Hemorrágica da Dengue), casos de SCD (Síndrome de Choque da Dengue), e o município mais uma vez, precisa tentar ‘consertar o estrago’ causado pelo trabalho ineficiente, sem técnica, totalmente carente de visão objetiva para perceber o equívoco e mudar o enfoque.

Esta epidemia poderia ter sido evitada. Eu alertei sobre o risco dela acontecer. Lamentavelmente a arrogância de ‘gestores’ ou pseudos gestores é hoje responsável por muitas famílias chorarem a morte de familiares, eliminados por um maldito mosquito!

Muitas pessoas com dengue, assustadas, com muito medo. E com razão! Existe um vírus envolvido nesta patologia e pode ser mortal!

Tentei de forma ética, objetiva, exercer minha cidadania: coloquei meu trabalho, minha pesquisa à disposição, para evitar a epidemia. Mesmo com ela já iniciada, ainda insisto sobre como conter seu avanço, o aumento do número de casos.

Mutirões aleatórios, mais para a mídia do que para uma ação eficaz, pois fazer um bairro e deixar o resto da cidade “à deriva’, de nada resolve. A necessidade de eliminar o inseto adulto é fundamental! Milhares de fêmeas Aedes continuarão depositando seus ovos nos mais variados criadouros. Quando terminar a temporada das chuvas os ovos estarão ali, a espera do novo ciclo das chuvas.

E tudo recomeçará. Mais dengue! E, mesmo sabendo que as chuvas são fenômenos naturais da natureza, e uma característica de nosso estado, este grupo que coordena (?) as ações de controle do vetor fica surpreso (com a chuva que se inicia!) e culpa a chuva e a população pela proliferação do mosquito...

Realmente demonstrando um conhecimento obtuso e confuso, num setor responsável pela saúde da população, o controle de vetores patogênicos deixa muito a desejar, com o retorno de patologias como a Leishmaniose, Malária, Chagas, Elefantíase e a Dengue, que a cada epidemia infecta mais e mais pessoas.

Um coordenador, escasso de conhecimento técnico, em plena epidemia, costuma sugerir às famílias que plantem citronela! Ora, ora... Neste caso o que posso dizer? Vamos comparar: isto é como entregar um ‘estilingue’ a cada policial e mandar para a favela combater traficantes!

Diariamente acompanho famílias onde alguns (ou todos) os membros estão com dengue.

As providencias tomadas? Uso indiscriminado de piretróides com efeito de repelência, altamente tóxico para as pessoas, animais e meio ambiente, e também o uso de produto indicado para matar baratas!

Assim, de forma ética e consciência cidadã, volto a sugerir mudanças imediatas nas ações para evitar que mais famílias chorem a morte de pessoas queridas
*wikipédia ** Glock & Goldim ***(canalverdetv)