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sábado, 21 de agosto de 2010

ANALISANDO EPIDEMIAS

Opinion article:

Esta nota demonstra claramente que cada epidemia envolve dois anos, e tem um intervalo entre uma e outra de 04 anos: “O Rio de Janeiro, em 1986, após cerca de 60 anos sem que nenhum caso da doença fosse notificado, a dengue ressurge primeiramente nos municípios do Grande Rio, configurando uma epidemia que notificou cerca de 90 mil casos no biênio 86/87, todos do sorotipo 1 (FNS 1997)”.

E também segue a nota dizendo que ‘a epidemia teve seu início em abril de 1986 e encerrou o ano com um total de 12.480 notificações. Em 1987, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS/RJ) registrou 37.215 casos.

Somando estas informações obteremos 49.695 pessoas infectadas, apenas no município do Rio de Janeiro.

Segundo Medronho, (1995), os anos de 1987 a 1989 os casos registrados apontavam para um baixo nível de transmissão da doença. Foram notificados, no município, 247 casos em 1988 e 436 em 1989. Isto quer dizer que, fora da epidemia os casos continuam ocorrendo porque o inseto se faz presente constantemente, pois não é eliminado!

Comprovando meus questionamentos, em 1990/91, exatamente 04 anos depois a população é novamente atingida por outra epidemia!

Já com um maior número de pessoas infectadas: totalizando 105 mil casos no Estado. No município os casos notificados atingiram 10.965 em 1990 e 51.695 em 1991. Somando os dois anos: 62.660 pessoas infectadas no município!

Do total de casos de 1990, 4.058 ocorreram em dezembro. No ano de 1991, somente no mês de janeiro, foram notificados 19.979 casos de dengue.

Outro fator digno de nota pela importância:

Nesta 2ª epidemia a circulação de pessoas apresentando sorologias para DEN 2 e outros (novos casos) DEN 1 evidenciando um vírus único e seqüenciais infecções sofridas pelo indivíduo. (DENGUE: Primeira Infecção, Reincidências e suas Conseqüências, ainda não publicado).

Pelas reações provocadas em função do registro no sistema imunológico de uma infecção anterior os anticorpos combatem não só o novo antígeno invasor (DEN 2), como também a células que registram a informação da DEN 1 passada. As reações são bastante exarcebadas e sempre com manifestações hemorrágicas.

A evolução do quadro em relação ao paciente vai depender:

a) Do atendimento médico adequado e atento.

b)Medicação e reidratação, controle das plaquetas.

c) Ao primeiro sinal de alerta intensificar os cuidados.

d) Não fazer uso em hipótese nenhuma do princípio ativo paracetamol, altamente tóxico ao órgão hepático.

e) Não fazer uso de medicamentos que contenha o princípio ativo AAS - Acido Acetil Salicílico, fator desencadeador de hemorragias.

Por fim o dia mais importante da evolução: O primeiro dia sem febre é decisivo, pois o paciente pode estar evoluindo para a lenta melhora como pode estar evoluindo para o quadro de Choque pós Dengue.

Pela falta de MEDICINA PREVENTIVA (controle efetivo, eliminação dos insetos) torna-se importante investir na MEDICINA CURATIVA, com médicos especializados em doenças tropicais.

A prevenção sempre foi o fator mais importante, mas ao longo destes últimos 20 anos foi ficando esquecida, relegada a ações aleatórias e ineficazes.

Ministros, prefeitos e secretários de saúde acreditam que criar dia ‘D’, fazer circo da dengue, cartazes e panfletos resolveria o problema, estas ações são apenas ‘oba-oba’ eleitoreiras...

Investem também no ato de culpar a população pelas suas ações erradas, pelo alastramento do inseto em todo o País.

Negar epidemias em andamento com a desculpa de ‘não alarmar a população’ e a falta de estrutura de atendimento fizeram muitas vitimas a cada epidemia.

O surgimento de casos de dengue hemorrágica aliados à ausência de medidas efetivas de controle implicou a mobilização de profissionais de saúde que não mediram esforços, mas foram vencidos pelo despreparo e pela falta absoluta de estrutura para o atendimento adequado.

Assim foi 1986/07, 2001/02, 2005/06 e 2009/2010, sempre com elevado número de pessoas infectadas e reinfectadas.

Meus questionamentos movimentaram o Tribunal de Contas da União – TCU que investigou questionou, mas aparentemente, a situação encontrada foi mantida...

Falta ainda ‘acordar’ o próprio Ministério da Saúde para a ineficácia das velhas ações, partindo assim para mudanças de enfoque, seja nas ações, ou seja, no uso CORRETO de inseticidas.

A OPAS-Organização Pan-americana de Saúde e a Organização Mundial de Saúde poderiam interferir e cobrar mudanças na metodologia de controle tendo em vista o absoluto descontrole e o impressionante aumento do vetor que, não sendo eliminado prolifera de forma assustadora!

E são vários insetos vetores que retornaram, atingindo a população, deixando muitos com seqüelas e sob risco, pois em nova epidemia esta pessoa, com a saúde fragilizada, o atendimento médico precário e despreparado poderá ocorrer o óbito.

Todos os anos várias famílias choram seus mortos, vítimas de um mosquito, mas vítimas maiores do descaso, da omissão! E quem reage a isto? Quem irá dizer BASTA? A população brasileira precisa reagir descruzar os braços e cobrar as mudanças que se fazem necessárias, para eliminar os vetores e garantir qualidade de vida a todos!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

VETORES PATOGÊNICOS

Não espere ações, tome atitudes!


Sob o título “À ESPERA DE AÇÕES INTERSETORIAIS” o médico dermatologista, doutor em Medicina Tropical, secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Oliveira Penna, lembra “que os métodos tradicionalmente empregados no combate a doenças transmitidas por vetores, quase sempre centradas no combate químico, têm limitada participação da comunidade e poucas ações intersetoriais”...
Ora, caro secretário, parte do grande equívoco reside aí. A comunidade participa ativamente, sim: ela dá o sangue e, muitas vezes, a própria vida!
Isso enquanto espera que os gestores da saúde, que deveriam coordenar e desencadear ações corretas e concretas para a eliminação do mosquito vetor, realmente ajam sem querer transferir a própria responsabilidade à comunidade!
As ações até agora vêm sendo equivocadas, e continuam assim.
O uso de inseticida piretróide, além de extremamente tóxico, não é indicado a mosquito, mesmo que os fabricantes coloquem no rótulo “mata o mosquito da dengue”, ele é próprio para baratas, carrapatos e moscas, volto a repetir.
Torna-se necessário ressuscitar o velho fumacê, o UBV, utilizado eficientemente há 20 anos.
Costumo perguntar a pessoas mais velhas e sempre ouço a declaração de “que naquele tempo não tinha tantos mosquitos”, sejam eles vetores da dengue, o Aedes, sejam pernilongos, envolvidos na vetoração da elefantíase, flebótomos transmitindo Leishmaniose, barbeiros e outros insetos patogênicos ao homem e aos animais.
A epidemia ocorrida em 2002 foi terrível. Estava no Rio de Janeiro e o que via era mosquitos em todos os lugares, hospitais, cemitério; no campus, havia milhares de mosquitos!
O pior é que as epidemias se repetem, atingem seu ápice, sem uma mudança comportamental das autoridades. Muitas pessoas passam a 3ª dengue, outras, a segunda e muitíssimas a 1ª dengue, sem que ocorra uma investigação correta, porque se assim fosse, seria levantado que muitas pessoas afetadas são crianças, boa parte delas ainda no útero materno, se transformando em potenciais vítimas da doença na tenra idade.
Muitas crianças a partir dos 04 anos, em 2002, já estariam tendo sua 2ª dengue e, esta, sempre é mais agressiva, devido ao registro da presença de anticorpos de uma infecção anterior. Outras estariam tendo a dengue pela primeira vez, assim como ocorre com os adultos, que passam muito mal na primeira infecção, se recuperando lentamente, isto, se não houver complicações pelo uso de medicação que altere a coagulação sanguínea, remédios, que cardiopatas necessitem fazer uso, por exemplo.
Culpar a população tem sido o usual dos maus gestores que, transferindo responsabilidades, tentam se eximir pela falta de ações, pelo caos desencadeado a cada epidemia, potencializando cada vez mais o descrédito para com o setor público.
Culpar o aumento populacional, falta de saneamento adequado, habitações precárias, dificuldades de acesso para o agente de saúde E NADA FAZER, torna evidente o porquê do aumento de casos a cada ano, onde epidemias se intercalam.
Ah! E declarar redução percentual “devido às ações realizadas” é um grande, um enorme equívoco, enquanto não se fizer o que tem de ser feito, que é matar o mosquito.
Temos de ir pras ruas exigir reais medidas saneadoras das nossas autoridades, batendo de frente com aquelas que gostam de transferir suas inaptidões ao nosso silêncio e a nossa falta de atitudes.

domingo, 6 de julho de 2008

ESCLARECIMENTOS SOBRE A LEISHMANIOSE



OS CÃES SÃO NOSSA PROTEÇÃO; NÃO SÃO VETORES, MAS, SIM, RESERVATÓRIOS!


*Bia Lopes


A preocupação com a presença e proliferação desenfreada do flebótomo vetor da Leishmaniose, com os equívocos na condução das ações de controle, tem mais um sério agravante. Além de vetorar o protozoário responsável por esta patologia o mosquito está envolvido em outra letal infecção bacteriana: a Bartonella bacilliformis ou febre de La Oroya, que é uma doença típica da região dos Andes, isto é, de altitude entre 600 a 2 800 metros. Quer dizer, costumava ser. Dezenove pessoas foram vítimas em 2004, em região de baixa altitude, na província de Madre de Diós, que faz fronteira com o Brasil. (Anna Paula Buchalla e Giuliana Bergamo-TERRA É O PARAÍSO)
“Os insetos são reservatórios importantes de doenças que podem atacar o ser humano e outros animais. Não bastasse isso, agora se sabe que eles estão também preparando novas doenças no interior de seus organismos, que poderão surgir no futuro”, disse Nick Waterfield, da Universidade de Bath. (Nature Reviews Microbiology).
Enquanto a Saúde Pública elimina centenas de cães, os mosquitos só aumentam, de forma rápida e sem controle. É assustador perceber a rapidez com que surgem centenas e centenas de mosquitos e a demora para concientizar os coordenadores sobre a ineficácia do uso de piretróide para controle de mosquitos.
Em documento técnico da SUCEN-SP., sobre praguicidas (pg.10) onde cita as características dos piretróides, no modo de ação está bastante claro: “Podem possuir efeito repelente, espantando os insetos ao invés de eliminá-los.”

Quanto ao número de casos de pessoas infectadas, é incerto. A maneira que o parasita se multiplica no corpo da vítima é invadindo o sistema imunológico, no entanto, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem a doença. Elas costumam adoecer se a imunidade estiver enfraquecida por desnutrição ou por uma doença, como o HIV/AIDS.

“Se não for tratada, a Leishmaniose é fatal e os sintomas incluem febre, perda de peso e crescimento anormal do baço e do fígado. A maioria das pessoas dos países centrais nunca ouviu falar nesta doença, mas ela é comum no Brasil, na Índia, no Nepal e em partes da África Central, sendo conhecida por devastar populações de cidades inteiras.
“O diagnóstico clinico é difícil porque os primeiros sintomas se parecem com os de outras doenças tropicais mais comuns, como a malária, incluindo aumento do abdômen, inchaço do baço e fígado, episódios de febre, diarréia, e anorexia. Devido à presença do vetor e o número de casos ocorrendo, o médico deve investigar para descartar a hipótese. A forma atual mais confiável de diagnóstico nos países africanos é a aspiração do baço, porém este procedimento é invasivo e pouco adaptado a ambientes em áreas remotas sem estrutura médica permanente.”(Drugs for Neglected Diseases Initiative)

A Leishmaniose é transmitida pela picada do mosquito Flebótomo (Lutzomya sp), que transmite o parasita microscópico tanto ao ser humano quanto aos cães. O cão é sempre a primeira vítima atingida pelo vetor. A eliminação dos cães e a permanência do mosquito, apenas fazem com que ele chegue mais rápido à pessoa para sugar seu sangue. E transmitir a doença.

“EQUÍVOCO” NA MANEIRA DE ELIMINAR O MOSQUITO

Não quero pensar que, deliberadamente as coisas sejam feitas da forma errada, então chamarei de equívoco... Ou existem interesses por trás disto? Porque perceber que não funciona é fácil: se funcionasse mesmo não haveria epidemias ano após ano, com milhares de pessoas infectadas e muitos óbitos, (no caso da Dengue, por exemplo).
Em relação à leishmaniose, volto a insistir: o vetor está espalhado pela cidade toda! E a cada dia centenas de novos mosquitos surgem! Usar a desculpa que o inseto adquiriu resistência é, no mínimo, abusar da inteligência de quem tem algum entendimento no assunto!
Li na mídia um artigo onde certo entomologista disse que para o veneno funcionar “a gotinha deve acertar na cabeça do mosquito.” Entre todas as ‘pérolas’ sobre o assunto, essa foi a premiada! Mas ele ainda está errado, pois, com os inseticidas usados, é preciso acertar a lata na cabeça do mosquito... Daí ele morre, certamente!
O inseticida deve ser aplicado com o U.B.V (Ultra Baixo Volume), com óleo adicionado. Ah! E tem de ser o inseticida correto, velocidade e horário também. A população, avisada, deverá abrir portas e janela, para deixar o inseticida entrar.
O engenheiro agrônomo gaúcho, Julio de Castro, orienta em seu artigo para o uso do Malathion, (ou similares) que os fabricantes vendem os inseticidas com várias marcas e embalagens desde envelopes com 25gr até l litro. Um litro custa R$23,00 e prepara até 400 litros de calda, bem diluída, conforme está no rótulo. Segundo ele, os 400 litros de calda são suficientes para pulverizar 800 casas. Então fica difícil (ou não?) imaginar os motivos ocultos por trás de desculpas vazias para não fazer o que é certo! Por que utilizar um veneno que não é para mosquitos, custa caro e faz mal???
“É fulminante. A chuvinha do pulverizador em cima do mosquito mata instantaneamente, vira pó, é exterminador mesmo. Tem efeito por mais 15 dias contra mosquitos aventureiros que se aproximarem. O efeito residual é fundamental para a eliminação total da praga e garantia contra a re-infestação pelos mosquitos”, declara o estudioso agrônomo Julio.
Costumo conversar sobre o assunto e a população reclama sobre a necessidade urgente do “fumacê” com o inseticida correto. “Como passava antigamente, não ficava nem um mosquito da dengue, nem pernilongo”, afirmam as pessoas. “Hoje tem todas essas pragas, mais o mosquito da Leishmaniose e ninguém faz nada”, diz uma delas.
“Somente o ataque urgente, com INSETICIDAS líquidos, direto sobre os mosquitos, dentro e em volta das casas acabará com a epidemia. O efeito é instantâneo. A aplicação é rápida, muito fácil, barata e ao alcance de todos os níveis sociais. Exterminando os insetos adultos, machos e fêmeas, não haverá mais larvas. O povo vai entender, colaborar e agradecer.” diz o engenheiro agrônomo.
Só com uma ação correta, simples estaremos livres desses insetos. E é tão fácil: basta agir, corretamente!

quarta-feira, 26 de março de 2008

MIDIA PARA AGRADAR OS DONOS DO PODER

Estou lendo o artigo de Bruno Dominguez (RADIS 66 Fev.2008), “Um fenômeno (clássico) de imprensa” onde ele diz achar que “esteja onde estiver Oswaldo Cruz deve estar confuso”. Pois eu penso que ele (se é que isso seja possível) deve estar em estado de choque, pelos absurdos que são publicados na mídia com destaque para alguns especialistas que declaram não se tratar de epidemia (seja de Dengue, Febre Amarela ou Leishmaniose).
Milhares de casos de dengue explodindo em todo o país e o especialista em negar evidências, corre em busca da mídia e declara não se tratar de epidemia! Em primeiro lugar o repórter não pode afirmar que “desde 1942 a ‘Febre Amarela’ urbana não faz vítimas”. Meia dúzia de casos pode ser chamada de ‘surto’. Mais do que isto é epidemia, sim!
(E urbana ou silvestre, esta definição serve apenas para desviar a atenção: O vetor envolvido, tanto com a chamada DENGUE que não é outra patologia senão a chamada FEBRE AMARELA, um dos tantos nomes recebidos para esta doença viral.)
Outra coisa: o Ministro da Saúde está um tanto confuso ao declarar que existem algumas zonas de risco...
Ministro, o Brasil todo é zona de risco!
Há mais de vinte anos a vigilância e o combate ao vetor vêm agindo equivocadamente, com decisões erradas facilitando a proliferação do vetor, e, hoje, apenas uma reação radical, em todo o País, poderá mudar o quadro que se apresenta: complexo e alarmante, lamentavelmente.
Mosquitos vetores proliferam em todos os lugares: clubes, residências, órgãos públicos, hospitais e (por que não dizer?) em salas de aula de instituições de pesquisa! É, recordo um bebedouro de água na própria FIOCRUZ, onde, após observar um número razoável de insetos, fomos examinar a vasilha que há no bebedouro, que estava cheia de água, com larvas de todos os instares e pupas!
Imaginemos o resto por aí... Especialmente se considerarmos certos que coordenadores da vigilância epidemiológica e entomológica, que, como já citei em artigo anterior, confunde zebra com Aedes, já que ambos possuem listras...
Mas o que considero pior é este tipo de mídia “panos quente”, que ganha para fingir que tudo está bem. E não está. Infelizmente. Alarmismo? É alarmista a mãe que vê o filho morrer por causa de um mosquito? Para o infectologista José Cerbino (IPEC) “o número de casos não justifica todo este medo” e diz ainda “Não há necessidade de imunizar quem não mora em área de risco e não vai viajar para lá” esquecendo-se de que o Rio de Janeiro é uma das maiores áreas de risco, aliás, o Brasil, quase todo (repito), é uma imensa área de risco!
Quanto ao “teor técnico que o Ministério da Saúde tem lidado com o episódio é suficientemente esclarecedor para a mídia e para a sociedade”. Que teor técnico é este? Na NOTA TÉCNICA Nº. 081/03 do Ministério da Saúde, “A Fundação Nacional de Saúde adquiriu uma nova formulação de inseticida piretróide (K-Othrine) para aplicação espacial (Ultra Baixo Volume). Esta nova preparação utiliza a água como solvente ao invés do óleo de soja tradicionalmente utilizado, o que traz considerável economia à operação”... Economia? Com a saúde da população brasileira? Utilizando veneno para baratas para matar o mosquito da Dengue? E tem mais, na NOTA TÉCNICA Nº 40/04, também do Ministério da Saúde, “Utilização da Alfacypermetrina SC 20% no tratamento perifocal para o controle da dengue e borrifação domiciliar residual nos programas da malária, doença de Chagas e leishmaniose visceral”.
Alfacypermetrina, conforme nota técnica do fabricante, é indicada para o controle da Mosca-do-Chifre (Haematobia irritans), Mosca doméstica e S. calcitrans, carrapatos (Boophilus microplus) e prevenção de bernes. E mosca, senhores técnicos, NÃO É MOSQUITO! Em sua biologia comportamental, desenvolvimento etc. totalmente diferente! E carrapatos? É outro departamento... Nada a ver com o mosquito.
E o senhor Fernando Verani ainda questiona ser, no entendimento dele: “É a politização do episódio, repetindo uma prática que vem ocorrendo ao longo dos anos, que tende a dar um caráter de descontrole as ações do governo na saúde e acaba confundindo a sociedade e gerando um pânico injustificável”.
Esquece o senhor Fernando que ao longo desses últimos 20 anos o Aedes aegypti e a Dengue ou Febre Amarela, como queiram, foram se estabelecendo, e, hoje, quem manda é o mosquito!
Para concluir, em seu último parágrafo o repórter cita o boletim da Secretaria de Vigilância em Saúde (?) do Ministério, que no dia 23 de janeiro, “dos 40 casos suspeitos 15 foram descartados e 18 confirmados com nove mortes e nove casos de recuperação”. Se analisarmos estes dados, eles representam, na verdade, 50% de mortes!
E a população e a mídia são chamadas de alarmistas... Parece que tem gente brincando de fazer Saúde Pública!

1.Beatriz Antonieta Lopes
Ciências Biológicas- Universidade Federal do Mato Grosso-UFMT
Entomologia Médica-Fundação Instituto Oswaldo Cruz-FIOCRUZ