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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

DENGUE: Ministério público deve (deveria) agir na defesa do cidadão!

Vou republicar este meu artigo pois o tema "DENGUE" é sempre atual, devido ao assustador descaso das "autoridades de Saúde Pública que, igual baratas tontas, andam em círculos e continuam a repetir os mesmo velhos e absurdos 'equívocos'...  Bialopes


A falta de ações corretas do controle do vetor da DENGUE é um fato incontestável que se repete ano após ano, com epidemias com elevado número de casos, acontecendo a cada 04 anos. A situação atingiu um estágio tal que as epidemias se intercalam umas as outras e, a cada ano casos graves, aliados à deficiência no atendimento levam várias pessoas ao óbito!
O estado do Mato Grosso é (era) coordenado pelo superintendente Oberdan Lira, da Vigilância Epidemiológica (SES).
Em meio à epidemia que ocorria em Rondonópolis, em 2009 estive na Vigilância Epidemiológica, em Cuiabá para conversar sobre a necessidade do uso do “fumacê”.
Sou Bióloga e fiz o curso de Especialização Médica, sei muito bem que a ‘metodologia’ empregada é equivocada e, preocupada ao ver quantas pessoas estavam infectadas pelo vírus da Dengue, sempre com óbitos acontecendo, acreditei que poderia solicitar o ‘fumacê’ e ser ouvida pelo tal intendente...
Lamentavelmente perdi meu tempo, gastei meu dinheiro e meu dia de folga, direito que adquiri trabalhando em campanhas de vacinas, embora o Ministério da Saúde destine uma verba para pagar os servidores que trabalham nas campanhas este dinheiro não chega às mãos de quem trabalha na vacinação...
Pois bem, depois de uma longa espera fui atendida pelo arrogante cidadão, que afirmou não pretender fazer uso do “fumacê”!
A mim restou virar as costas e voltar para Rondonópolis. Se eu desisti? NÃO! Continuo a lutar contra este tipo de gente que confunde fazer “Políticas de Saúde” com FAZER POLÍTICA NA SAÚDE!
Li esta declaração onde ele (Oberdan Coutinho Lira), superintendente de Vigilância Epidemiologia na Secretaria Estadual de Saúde tenta justificar o injustificável, explicando a nova epidemia que se inicia: “Como ninguém está imune ao tipo 4, é grande o risco de aumento dos casos de dengue no estado”.
Desta forma ele justifica (tenta justificar) a nova epidemia que atinge todo o Estado do Mato Grosso e infecta centenas de pessoas e já causou alguns óbitos... Insisto em afirmar que, caso as ações para o controle do vetor fossem executadas corretamente não haveria epidemias!
Esta afirmativa do superintendente é de tal FALTA de lógica e desprovida de raciocínio claro e conciso, que faz pensar que ele poderia declarar que “uma pessoa que faz 15 anos ‘nunca mais fará 15 anos’... Ora, está claro e evidente que uma pessoa que teve uma PRIMEIRA Dengue, passado determinado tempo tiver dengue novamente, será a SEGUNDA DENGUE! E depois uma TERCEIRA e, atualmente as pessoas estão tendo uma QUARTA DENGUE! É evidente e claro que quem teve uma primeira DENGUE, jamais terá OUTRA ‘Primeira Dengue’!
E é por “pérolas” deste tipo que a Dengue se alastra incontrolavelmente! Estudos, leituras e pesquisas tudo isto não parece ser o ponto forte deste coordenador, que leu ou ouviu dizer que existe “um vírus diferente” e confundiu tudo!
O que é detectado nas Sorologias com Isolamento Viral são os Sorotipos (DEN 1, DEN 2, DEN 3 ou DEN 4).
Explicando: No resultado encontrado o Sorotipo DEN 1, as estruturas virais apresentam uma superfície estrutural simples. No exame de um paciente sofrendo uma Segunda Dengue as estruturas de superfície apresentam uma diferença: É o registro da Dengue anteriormente sofrida acrescida do registro da segunda infecção viral!
Com referência à ”mulher de menos de 30 anos, grávida de sete meses, contraiu a doença apresentando o vírus tipo 4” fica evidenciado que, ao longo destes 20 anos epidêmicos, onde a Dengue foi uma constante, esta mulher já havia tido a Dengue 03 vezes e, agora teve a QUARTA DENGUE! O mais grave é saber que este bebê que ela espera TEVE agora, junto com a mãe, a PRIMEIRA dengue de sua vida, ainda ANTES de nascer! Quando completar 04 anos sua vida estará correndo alto risco, pois sofrerá (possivelmente) a Segunda Dengue, geralmente mais grave e com alta possibilidade de evoluir para o quadro mais grave, a Dengue Hemorrágica!
A repetição constante que devemos "ficar atento e fazer nossa parte" já se tornou absurda! Já passou da hora de exigir que as 03 esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal) façam o serviço que DEVE ser feito POR ELES, que parem de transferir responsabilidades e nada fazer e pior, não serem responsabilizados pela TOTAL FALTA DE AÇÕES DE CONTROLE!
Volto a afirmar que o Ministério Público, que deve zelar pelos direitos do cidadão conforme a Constituição preceitua em seu Art. 5° e também a Constituição garante os Direitos Difusos e Coletivos. Direitos difusos “constituem direitos transindividuais, ou seja, que ultrapassam a esfera de um único indivíduo, caracterizados principalmente por sua indivisibilidade, onde a satisfação do direito deve atingir a uma coletividade indeterminada, porém, ligada por uma circunstância de fato”.
No caso em questão, o Ministério público deve agir na defesa do cidadão, que tem a vida sob risco pela falta de ações adequadas e corretas, pois caso fosse executado um trabalho utilizando a metodologia correta não haveria o vetor nem a doença. Cabe ao MP tomar as providencias e não, da maneira já anteriormente realizada, quando aceitou como corretas as ações claramente equivocadas e sem eficácia como os dados comprovam!
Como determina a Constituição Federal Brasileira em seu Art.5°, inciso LXIX “conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público”.
Que o MP tome providências exigindo e determinando as ações corretas no controle do vetor, caso se sinta incapaz de tal ação que indique qual órgão poderá tomar as medidas necessárias! Até hoje a maior ação do MP tem sido se colocar ao lado de coordenadores ineficientes, com ações equivocadas que são responsáveis pela manutenção do vetor e de centenas de casos anuais de Dengue e vários óbitos!
A população cuida (a grande maioria) de seus quintais! E não podemos nos tornar reféns da ‘desculpa que o povo não cuida’ e assim eximir o Poder Público de suas atribuições! Existem pessoas (ou grupos) se beneficiando e muito, do MEDO da população frente às epidemias: Grandes laboratórios fabricantes de medicamentos, e os fabricantes de repelentes e inseticidas...
A rede de interesses escusos que envolvem esta patologia, e seu vetor, é impressionante!
A repetição constante que devemos "ficar atento e fazer nossa parte" já se tornou absurda! Já passou da hora de exigir que as 03 esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal) façam o serviço que DEVE ser feito POR ELES, que parem de transferir responsabilidades e nada fazer e pior, não serem responsabilizados pela TOTAL FALTA DE AÇÕES DE CONTROLE! E já que NÃO ELIMINAM O VETOR pelo menos atendam a população rapidamente!
Outro fator gravíssimo é o DESPREPARO de grande número de profissionais de saúde que, em plena epidemia, não ficam atentos e já direcionando o atendimento para a DENGUE!
Falta posto de saúde FUNCIONANDO CORRETAMENTE, com rapidez e eficácia já no início da patologia!
Atualmente o estado do Mato Grosso vive outra terrível epidemia com mais de 27.354 casos de dengue (dados do período até o dia 6 de junho). Já ocorrem vários óbitos e este numero poderá aumentar...
Finalmente o “intendente” acordou para a necessidade de aplicar o “fumacê”, quanto a uma evidente carência de conhecimento e técnicas seria importante aprender a OUVIR a experiência! O que sugerimos e esperamos é que seja corretamente aplicado, obedecendo à metodologia adequada, ou a eficácia ficará reduzida ou nula!
E a informação que este e outros coordenadores que o “produto é muito caro” é uma mentira, pois o Governo Federal fornece os carros equipados com a bomba para o fumacê (UBV), os insumos Malathion e o óleo, configurando assim má fé e descaso com a saúde da população! A quem se interessar basta acessar este link:
http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?p...
Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga graduada pela UFMT
Especialização em Entomologia Médica- FIOCRUZ


sexta-feira, 5 de julho de 2013

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’

Republicando o artigo 

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’


A dúvida continua....

* Bia Lopes


E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:
*-Aedes aegypti municipalis
*-Aedes aegypti estadualis
*-Aedes aegypti federalis
O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.
No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.
Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...
A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.
E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.
Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...
Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.
Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?
Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...
Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...
E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...
Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga especialista em Entomologia Médica
Marcadores: Aedes aegypti, dengue, epidemia, saúde tropical

postado por Beatriz Antonieta Lopes 

terça-feira, 25 de junho de 2013

"O dia em que a Presidenta Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros."

Esta é a doutora Juliana Myssen, outra médica que tem coisas muito importantes para dizer para a 'presidenta', mais ainda para nós, usuários da saúde! Eu, Beatriz, devo confessar que, ao ouvir a primeira vez que a presidente iria trazer médicos achei bom, quanta ignorância a minha! Eu bem conheço certos centros de saúde, com o forro caindo,  paredes rachadas colocando em risco a vida do profissional e do paciente...Em meio a EPIDEMIAS de DENGUE, pacientes sentados em cadeiras "queimando de febre", outros no chão mesmo, com dor e medo...
Temos sim excelentes médicos, dedicados e competentes (embora entre os bons haja aquele péssimo), assim como em tantas outras profissões!
Me emocionei com o relato da médica, assim como me emocionei com outros relatos médicos...
Pessoas assim como esta doutora e tantas outras e outros que se preocupam, que 'brigam' pelo paciente fazem a diferença!

by bialopes

                       Assim começa o texto: 


"O dia em que a Presidenta Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros."

"Há alguns meses eu fiz um plantão que chorei. Não contei à ninguém (é nada fácil compartilhar isso numa mídia social). Eu, cirurgiã-geral, "do trauma", médica "chatinha", preceptora "bruxa", que carrego no carro o manual da equipe militar cirúrgica americana que atendia no Afeganistão, chorei. 
Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similiar aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Esperou, esperou, e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse "não é para mim, é para o meu pai, uma maca". Como eu faria. Como você. Como nós. 
Pensei "meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu... Nãoooo..... Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui".
E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina.
Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse "por que não me falou, levava no privado, Juliana!" Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos.
Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: "e você confia?". 
"Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim."
Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.
Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.
Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso.
Não tenho palavras para descrever o que penso da "Presidenta" Dilma. (Uma figura que se proclama "a presidenta" já não merece minha atenção).
Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi.
A ouvi dizendo que escutou "o povo democrático brasileiro". Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. "Qualidade"... Ela disse.
E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil.... 
Para melhorar a qualidade....?
Sra "presidenta", eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade.
Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade. 
O dia em que a Sra "presidenta" abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos. 
Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência.
Somos quase 400 mil, não nos ofenda. Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não. Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados.
Hoje, eu chorei de novo."

doutora Juliana Mysse, cirurgiã-geral, "do trauma", médica "chatinha"...



sábado, 8 de janeiro de 2011

ESTE É O RESULTADO DA INEFICÁCIA DAS AÇÕES DETERMINADAS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE: MAIS DENGUE!

Artigo de Opinião/Opinion Article

This is the result of failure of certain actions by the ministry of health: more DENGUE!



Embora o Ministério da Saúde tenha conhecimento sobre os riscos de epidemias em diferentes estados e regiões do Brasil onde pelo menos 24 cidades estão sob risco de surto epidêmico de dengue, ainda assim o Ministério da Saúde mantém as ações comprovadamente ineficazes utilizadas há mais de vinte anos! Quantos foram vítimas desta patologia, quantos óbitos ao longo destes anos?



Os coordenadores (estado e município) AFIRMAM em entrevistas que o inseto está DENTRO das residências, MAS ESQUECEM de dizer que o inseto está espalhado pela cidade toda, nas empresas, em hospitais, consultórios, em unidades de saúde pública e também presente em clínicas particulares...


Estes coordenadores que mostram uma exagerada preocupação em gerar multas sobre os imóveis e esquecem órgãos públicos onde o mato e a sujeira tomam conta!


É terrível, se pensarmos que é simples acabar com este vetor... É terrível, também, pensar no número de pessoas atingidas pela infecção, epidemia por epidemia e o elevado numero de pessoas de todas as idades que morrem a cada ano!


A alegação de quem deveria realizar as ações, MAS NÃO AS FAZ, de que a população é a culpada, quando o que a coordenação de controle de insetos deveria é fazer uso do inseticida correto, usar metodologia adequada!


Hoje temos uma epidemia se intercalando à outra, por que quem ainda não passou a infecção corre alto risco de passar, outros já estão tendo a patologia pela segunda, terceira ou quarta vez!


Infelizmente as crianças são as vitimas em potencial, seja pela desinformação dos pais que ignoram se a criança já teve uma DENGUE anteriormente, seja durante a gestação ou não (quando a gestante teve DENGUE o bebê também foi infectado), e então uma segunda infecção representa um grave risco se analisarmos:


a) Atendimento de saúde deficiente e, lamentavelmente despreparado.


b) Sendo a segunda DENGUE, o sistema imunológico ‘dispara’ imediatamente um alarme no organismo, com reação bastante exarcebada.


c) O atendimento médico deve ser bastante atento, para evitar/controlar princípios hemorrágicos importantes que certamente irão ocorrer.


Qualquer falha no atendimento a situação poderá se agravar a ponto do paciente ir a óbito.






O QUE SERIA IMPORTANTE FAZER:


Atacar drasticamente o vetor. Mudar o enfoque dado até hoje, pela comprovada ineficácia!


O uso de produto APENAS repelente jamais irá solucionar o grave problema representado pelo Aedes aegypti!


E, como já citei anteriormente, veneno de barata não mata mosquito!


Atenção Ministério Público! Isto é um crime contra o cidadão, que tem sua vida colocada em risco!


Resta agora aguardar as decisões do Secretário Estadual de Saúde, com a expectativa de que ele não mantenha a ‘mesmice’ que já há vários anos impera no Mato Grosso.


Acredito que o leitor, inteligente e ‘escaldado’ pelas seqüenciais epidemias que assiste (e participa ‘doando’ o sangue ao mosquito e recebendo a DENGUE como ‘recompensa’) perceba que em meus artigos o objetivo principal não é criticar, mas sim apontar as falhas e sugerir o procedimento correto, eu tenho um projeto, não apenas para Rondonópolis, para o Mato Grosso e sim para todo Brasil...


Não podemos esquecer que em 2013/2014 (Copa do Mundo, jogos em Cuiabá, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Manaus) DENGUE e turistas e o prognóstico de uma epidemia de grande magnitude que só será descartada caso as ações seja iniciadas agora. Hoje.





segunda-feira, 14 de junho de 2010

Epidemia de dengue bate recorde histórico em SP

A epidemia de dengue no Estado de São Paulo já é a maior da história, aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde. Balanço divulgado na noite de sexta-feira relatou um total de 121.270 casos notificados da doença em 2010, ante 92.345 que ocorreram em 2007, até então o pior ano de epidemia.


Os 98 óbitos deste ano também representam um recorde histórico, conforme já apontavam dados da pasta divulgados no início de maio. O levantamento mostra que 50 cidades paulistas concentram 78,6% das infecções em todo o Estado. O pico de casos ocorreu em março deste ano, com 44.920 infecções. Do total de 121.270 casos confirmados entre janeiro e maio deste ano, 22.710 foram registrados no município de Ribeirão Preto e outros 11.185 em São José do Rio Preto. O Guarujá teve 8.048 ocorrências e Santos, 7.860. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OPINIÃO:
 
Sou BIÓLOGA, com curso em ENTOMOLOGIA MÉDICA, e realizo uma pesquisa sobre vetores patogênicos. Como pesquisadora, acompanho o trabalho realizado no Estado de São Paulo, visto que algumas cidades fazem uso do UBV com o inseticida MALATHION, (correto, se usado respeitando dosagens, intervalos e adições) e com grande eficácia no controle de insetos vetores. Sei que algumas cidades utilizam Piretróides nas aplicações UBV ou com bombas costais. E Temefós (organofosforado-larvicida) nos criadouros e caixas d’água.


Minha opinião sobre os piretróides é a de que tem apenas função REPELENTE. Se tivesse função INSETICIDA, pelo tanto que é aplicado durante as epidemias não sobrava um inseto!

Em campanhas e mutirões que acompanhei alguns dias depois entrevistei moradores e sempre obtive a mesma resposta: durante 03 dias sumiram todos os mosquitos! Depois voltaram piores, com “mais fome de picar a gente”...

Nem a OMS - Organização Mundial de Saúde, nem o MS - Ministério da Saúde parecem perceber o equívoco! Há 20 anos (e o tempo passou rápido...), quando o governo federal transferiu aos estados e municípios o controle dos vetores as epidemias então tiveram início e, salvo raras exceções (algumas cidades paulistas e o estado do Rio Grande do Sul) as epidemias foram se alastrando estado a estado, o mosquito infectando milhares de pessoas anualmente e nas reinfecções (2ª Dengue sofrida pela mesma pessoa) costuma ocorrer a Dengue Hemorrágica, sempre com muitos óbitos!

A menos que eu esteja equivocada, Campinas usou (usa?) fazer aplicações com MALATHION, assim estou surpresa com este elevado número de casos de Dengue ocorrendo nesta cidade!

Surpresa sim, mas ainda assim, acredito conhecer a explicação sobre o que houve:

As epidemias em Campinas: 1998 2002 e 2007. No ano 1998 houve uma epidemia e novamente em 2002 (o intervalo foi de 04 anos, entre uma e outra). Novamente em 2006 principiaram os primeiros casos, para completar a epidemia em 2007.

Em 2009 iniciou nova epidemia e hoje, 2010 atingiu o auge! Por quê:

1)Algumas ‘autoridades da Saúde Pública’ recebem este cargo por favores políticos, nada entendem sobre vetores, sobre inseticidas, seguem normas ultrapassadas, sem eficácia e ai está o resultado: EPIDEMIA!

2)Uma epidemia envolve sempre dois anos: Campinas iniciou esta em 2010? Lamento informar, mas os números só irão aumentar, (pode estacionar temporariamente, mas em 2011 a epidemia será explosiva! Lamento, gostaria de estar equivocada, mas não estou!

3)Depois, o que ocorre: As mesmas ‘autoridades de saúde’ voltarão na mídia, justificando que os números de casos estão diminuindo ‘graças ao trabalho realizado’. E cruzarão os braços durante todo o intervalo entre esta e uma nova epidemia (ano de 2014/2015), deixando a vigilância e o controle de lado) o que estou ponderando não é mera suposição, pesquiso epidemias, vetores, vírus e o que ocorre com o paciente, especialmente durante a segunda dengue, sempre com manifestações hemorrágicas!

4) O ESTADÃO, um jornal que atinge um elevado número de leitores precisa divulgar esta informação: O uso do TYLLENOL/PARACETAMOL pode causar graves problemas ao paciente, sugiro uma entrevista com o presidente da CEATOX, para maiores orientações. Espero que minhas ponderações possam ser úteis e, coloco-me à disposição para outros esclarecimentos.

sábado, 13 de junho de 2009

BANCO MUNDIAL investe 1,2 milhões de Reais EM ARMADILHAS PARA MOSQUITOS

Mesmo boquiaberta com este tipo de ação fico buscando entender por que um órgão do nível do Banco Mundial financia um projeto desses?
Trata-se de um projeto de controle do mosquito transmissor da dengue, que está sendo desenvolvido em Manaus, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Tem parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem, ainda como parceiros, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) e Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM), e trata-se da implantação de mais de 1,5 armadilhas para captura e controle do mosquito Aedes aegypti, com recursos da ordem de 1,2 milhões de reais.
“O projeto concorreu com outros 2 mil projetos de inovação tecnológica no mundo inteiro, ficando selecionado entre os 20, para receber, também, financiamento do Banco Mundial”. Inovação tecnológica? Do mundo inteiro? E este foi o melhor?!!!
Já li e reli este artigo e não consigo ‘processar’ direito as informações...
Este projeto foi implantado LOGO APÓS uma grande epidemia ocorrida em Manaus, quando normalmente o número de casos reduz devido à população ter sofrido recente infecção pelo vírus da Dengue. Se ao menos fosse feito no período que antecede a epidemia para comprovar a importância de tal investimento... A epidemia em Manaus envolveu 2007/2008. A próxima será em 2011/2012, embora no intervalo sempre surjam novos casos.
Para verificação de eficácia seria necessário trabalhar o projeto em experiências a serem feitas ANTES da ocorrência de uma epidemia e esta observação deverá abranger os quatro anos futuros, para verdadeira comprovação de efeitos!!
Nenhum resultado dado como ‘efeito positivo’ das tais armadilhas poderá ser divulgado ou publicado antes dos próximos 04 anos. Passado este tempo pode-se ter uma idéia REAL do efeito obtido com tal experiência.
É. E eu que pensei já ter visto tudo... Onde estão as ‘cabeças pensantes’ de nosso país?
Bem, falta criar a minipanelinha para cozinhar os ovinhos do mosquito e, tem a minha sugestão: fabricar uma minibigorna, um minialicate e um minimartelo para a eliminação do vetor! Com o minialicate você segura o mosquito sobre a pequena bigorna, batendo nele com o martelinho! Pronto, é mais uma solução mágica para acabar com a Dengue...

domingo, 31 de maio de 2009

DENGUE: Omissão vai gerar responsabilidade

O Ministério Público Federal (MPF) possui legitimidade para a tutela judicial dos interesses difusos e coletivos, entre os quais está o direito à saúde (art.129, 111 c/c art.196, caput); a ele cabe defender os interesses da população sob risco como é o caso atual (novamente e também) em Rondonópolis.
Ações mal conduzidas, sem coordenação correta, mau uso da verba pública ao longo dos últimos anos, e estamos vivendo nova epidemia já com vários óbitos!
Diante do agravamento dos casos de dengue em alguns estados brasileiros nos primeiros meses deste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a fiscalizar as ações do governo federal no combate à doença, mas, infelizmente não houve modificações nas ações de controle...
De cada ano ficam depositados milhões de ovinhos em recipientes os mais diversos espalhados por nossa cidade que, com as chuvas eclodem e, mesmo com a temporária paralisação do período chuvoso, os insetos vetores continuam a se reproduzir intensamente.
Além dos graves casos de DENGUE, com evoluções para DENGUE HEMORRAGIA ou SÍNDROME DE CHOQUE POR DENGUE, nossa cidade vem sofrendo com o aumento de casos de LEISHMANIOSE. Ela se faz presente já alguns anos e o serviço público de saúde, mesmo sabedor dos fatos, além de omitir a informação à população, não tomou providências concretas para a eliminação do vetor.
Um fator complicador é a subnotificação e a indicação errônea de ‘virose’ é o diagnóstico pobre, fornecido pelo desinformado profissional da área; dados que, incorretos, geram informações erradas sobre o número real de casos, a cada ano.
Cabe ao governo federal a responsabilidade de repassar as verbas, que são destinadas à campanhas educativas, capacitação de profissionais de estados e municípios, transporte de inseticidas e cooperação técnica internacional, entre outras. A compra de equipamentos e veículos com o objetivo de fortalecer a capacidade operacional de estados e municípios também é feita com esses recursos. Aos governos locais, (Estaduais e Municipais) cabe executar ações de prevenção e controle da doença, mas que, pelo que se percebe, estão falhas e/ou mal conduzidas.
Ao Ministério Público Federal cabe, frente às omissões por parte das três esferas de governo, responsabilizá-los pelas mortes e pelos danos causados à população.
Ações ineficazes apontam erros e falhas questionáveis. Como Bióloga especializada em Entomologia Médica (estudo de insetos vetores), já mostrei um grave equivoco: o uso de inseticidas inadequados, pois está evidenciado que “veneno para pulgas não mata ratos” e no caso do vetor da DENGUE, trata-se ele de um mosquito, totalmente diferente em sua biologia com relação a moscas, baratas e carrapatos!
A ‘mosca do berne’, Dermatobia hominis, a ‘mosca do chifre’, Haematobia irritans e o carrapato são de importância médica veterinária e o controle deles, diga-se, é excelente. (Os animais têm mais sorte que as pessoas. Ou valem mais?)
O outro inseticida utilizado é ótimo! Mas para eliminar baratas, inseto completamente diferente do mosquito... Devido a isto, os mosquitos continuam a proliferar e a infectar pessoas.
Quanto aos inseticidas disponíveis nos supermercados, eles são completamente ineficientes. Mas necessitam de revisão pelo órgão competente.
Cabe ao Ministério Público Federal agir rápido, exigindo explicações e modificações nas ações de controle aos vetores. Sei que, depois de um grande número de pessoas infectadas, ocorre uma redução no número de casos, mas, no final do ano inicia-se a segunda etapa da epidemia, pois costuma envolver dois anos.
Para confirmar, basta analisar epidemias ocorridas em 1993/94, 1997/98, 2001/02, 2005/06 e atualmente 2009 e, certamente, se não houver providências imediatas, 2010 virá com novos casos a se lamentar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

CUIDADO! “VIROSE” PODE SER DENGUE

Outro agravante detectado para a subnotificação e a desinformação em nossa cidade (e país), é um especialista que tem um diagnóstico na ponta da língua. Veja o diálogo a seguir, registrado num dos mutirões da dengue. Em bairro de nossa cidade, conversei com algumas pessoas e, a pergunta que fiz, foi simples e básica:
--A senhora já teve DENGUE?
--NÃO! – Negativa feita rapidamente.
--Alguém de sua família teve?
--NÃO!!! – Sempre uma resposta negativa...
Mas, ao perguntar:
--E virose?
- Ah, sim! O médico disse que eu estava com virose... meu marido e meu filho estiveram com virose no inicio do mês...
E assim tem sido com cada pessoa que já entrevistei.
Este especialista, o chamado “Dr. Virose”, lamentavelmente está por aí diagnosticando “virose” para toda e qualquer etiologia febril. Sem exames ou investigação mais aprofundada, rabisca uma receita de Paracetamol (Tyllenol) e dá por terminada a consulta, sem solicitar sequer um hemograma...
Também tem sido atestado como “virose” a Leishmaniose. O que é um equívoco gravíssimo, pois tal patologia não é de origem viral, já que se trata de um protozoário da família Tripanosomatidae. E a demora na identificação da doença pode colocar a vida do paciente em risco.

A falta de exames específicos gera subnotificação e, pior: com isto ocorre uma redução no repasse das verbas ao município. Essa perda é ruim para nossa cidade. E a perda maior quem sofre é a população, pois existe a doença camuflada como “virose inespecífica”, superlotando o Pronto Atendimento, que, numa sistemática gerencial equivocada fica com menor verba para cuidar da sua saúde.
Sabe-se, a cada ano, que muitas pessoas tiveram Dengue e a falta de comprovação laboratorial omite números ao Ministério da Saúde (MS), Organização Pan Americana de Saúdes (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS). A desinformação existente fez com que eu, há 16 anos, recém chegada ao Mato Grosso, ao sofrer a 1ª Dengue aceitasse a explicação de que “não adiantaria fazer o exame, pois até que o mesmo ficasse pronto eu já estaria bem”..
O médico DEVE solicitar as sorologias necessárias, bem como o isolamento viral, para identificar se o paciente está passando sua 1ª, 2ª ou 3ª Dengue, mesmo que demore até 03 meses (absurdo!) para ficar pronto o exame.
Ter este resultado é importante devido às seqüenciais epidemias que ocorrem em nosso estado (e no Brasil todo), até mesmo para auxiliar o atendimento médico em caso de evolução hemorrágica.
Sempre é importante recordar que o inseto vetor da Leishmaniose está envolvido em outra letal infecção bacteriana, a Bartonella bacilliformis ou febre de La Oroya, uma doença típica da região dos Andes, na província de Madre de Diós, que faz fronteira com o Brasil. (Anna Paula Buchalla e Giuliana Bergamo-TERRA É O PARAÍSO) e poderá rapidamente estar entre nós, matando!
E é bom repetir que as ações até hoje realizadas se revelam ineficientes, pois não eliminam os vetores, se fazendo necessária uma URGENTE revisão dos conceitos, que determine a mudança do atual modelo de controle, caso contrário epidemias se sucederão, uma após outra e o número de óbitos será bastante elevado.
A principal mudança deverá ocorrer em relação aos inseticidas utilizados, que, além de ineficazes são inadequados e, em não funcionando, deixam prosperar a justificativa errada de “que o inseto adquiriu resistência”!!!
O enfoque dado pelo sistema de Vigilância Epidemiológica brasileira deixa muito a desejar e o aumento dos números de casos comprovam isto (sejam eles de Dengue, Leishmaniose, Malária, Esquistossomose, Chagas). Se o modelo atual está errado por que continuar com ele?
Faz-se urgente uma revisão nos inseticidas utilizados nesses últimos anos bem como se corrigir o erro de aplicações eventuais, aleatoriamente, sem a continuidade exigida.
A desculpa usada é a de que “o inseto adquiriu resistência” e isto mostra o descaso, a irresponsabilidade de quem está à frente das ações (MS), que nem pára para pensar, pois já deveriam ter ocorrido mudanças de procedimento frente aos números de infectados anualmente, com as epidemias se intercalando.
“Nesta perspectiva, nossa preocupação volta-se não apenas para a manifestação dos casos de doenças, mas, principalmente, para os contextos de vida, aos ambientes e aos mecanismos pelos quais se reproduzem e são renegociados constantemente os processos endêmico-epidêmicos. (Rosely Magalhães de Oliveira). Cad. Saúde Pública vol.14 supl.2 1998
“O interesse volta-se menos para as causas das doenças e mais para os processos e os efeitos desencadeadores dos problemas de saúde” a partir daí podemos analisar, no caso da leishmaniose, o porquê da eliminação dos cães e não dos mosquitos: Ai reside um grande equívoco em que persistindo irá ter proporções inimagináveis. Sempre pergunto: e quando se eliminar o último cão se irá eliminar os animais silvestres e, depois? Muitas pessoas estão infectadas... Serão os próximos?

Definições:
“Endemia”: O dicionário define como doença própria de uma região, que se manifesta constantemente.
“Epidemia”: Doença contagiosa que atinge rapidamente pessoas de uma região.
“Epizootia”: Doença que atinge, ao mesmo tempo, um grande número de animais de um mesmo lugar.
“Protozoário”: qualquer animal unicelular. Ex: Amebas.
“Vírus”: Agente infeccioso, microscópico, causador de várias doenças (AIDS, gripe...) e provoca produção de anticorpos, para combater os antígenos invasores.
É permitida a utilização parcial ou total desde que citada autoria e fonte.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

RONDONÓPOLIS SEM DENGUE (!)

Li esta noticia: "Novo secretário de Saúde do RJ virá a MT estudar táticas contra dengue" divulgada na mídia e fiquei mais preocupada ainda. A tática aqui utilizada é semelhante a de lá, que é colocar na mídia que não tem Dengue ou epidemias.
A subnotificação também é muito grande; o acesso ao atendimento, então, é terrível.
Óbitos sempre ocorrem.
O despreparo profissional é grande e, no PA, o diagnóstico usual (salvo exceções): "É uma virose"...
Ora, ora, virose nós sabemos, vai de sarampo até a AIDS... Então, é dado um diagnóstico muito vago, aqui e lá; lá e cá.
Meu projeto, “Rondonópolis sem Dengue" está aguardando o novo prefeito assumir para ser então implantado (espero!), pois o atual prefeito e o secretário de saúde não tiveram interesse na aplicação dele para buscar solucionar os problemas da Dengue (e de outras patologias vetoradas por insetos), que o município vem enfrentando há bastante tempo.
Em contato com o Dr. Edison Paixão, do Rio de Janeiro, ele me relatou “’que aqui no Rio, acontece a discussão sobre uma nova epidemia de dengue de proporções desconhecidas”, diz ainda que meu artigo publicado na mídia, chamou sua atenção o estimulando a dar nota, o que raramente faz, “porque ele expõe muito bem essa atitude de nossas autoridades sanitárias”.
De minha parte já coloquei à disposição das autoridades de saúde do Rio o projeto, pois meu maior desejo é contribuir para a solução deste grave problema de saúde pública.
Recebi ainda, da atual administração que finda o mandato em 2008, um “puxão de orelhas”. Segundo um secretário, eu bato duro em meus artigos!
Ora, vi colegas, amigos, vizinhos e soube de muita gente que não conheci pessoalmente, ser morta por um mosquito! Como poderia ficar calada? O motivo maior que me levou, depois de avó, a estudar no silêncio das madrugadas do Pronto Socorro, foi a DENGUE! Passei no vestibular da UFMT, com muito orgulho, em 1º lugar, e, terminando o curso, já estava inscrita para a especialização em Entomologia Médica, na FIOCRUZ-RJ, onde estudei insetos de interesse médico/veterinário. Voltei a Rondonópolis para descobrir que estavam tentando me exonerar, fui afastada do setor da Dengue onde trabalhava, e, assim, aprendi que quem não tem competência tem medo...

terça-feira, 6 de maio de 2008

MÍDIA PARA AGRADAR OS DONOS DO PODER

Estou lendo o artigo de Bruno Dominguez (RADIS 66 Fev.2008), “Um fenômeno (clássico) de imprensa” onde ele diz achar que “esteja onde estiver Oswaldo Cruz deve estar confuso”. Pois eu penso que ele (se é que isso seja possível) deve estar em estado de choque, pelos absurdos que são publicados na mídia com destaque para alguns especialistas que declaram não se tratar de epidemia (seja de Dengue, Febre Amarela ou Leishmaniose).
Milhares de casos de dengue explodindo em todo o país e o especialista em negar evidências, corre em busca da mídia e declara não se tratar de epidemia! Em primeiro lugar o repórter não pode afirmar que “desde 1942 a ‘Febre Amarela’ urbana não faz vítimas”. Meia dúzia de casos pode ser chamada de ‘surto’. Mais do que isto é epidemia, sim!
(E urbana ou silvestre, esta definição serve apenas para desviar a atenção: O vetor envolvido, tanto com a chamada DENGUE que não é outra patologia senão a chamada FEBRE AMARELA, um dos tantos nomes recebidos para esta doença viral.)
Outra coisa: o Ministro da Saúde está um tanto confuso ao declarar que existem algumas zonas de risco...
Ministro, o Brasil todo é zona de risco!
Há mais de vinte anos a vigilância e o combate ao vetor vêm agindo equivocadamente, com decisões erradas facilitando a proliferação do vetor, e, hoje, apenas uma reação radical, em todo o País, poderá mudar o quadro que se apresenta: complexo e alarmante, lamentavelmente.
Mosquitos vetores proliferam em todos os lugares: clubes, residências, órgãos públicos, hospitais e (por que não dizer?) em salas de aula de instituições de pesquisa! É, recordo um bebedouro de água na própria FIOCRUZ, onde, após observar um número razoável de insetos, fomos examinar a vasilha que há no bebedouro, que estava cheia de água, com larvas de todos os instares e pupas!
Imaginemos o resto por aí... Especialmente se considerarmos certos que coordenadores da vigilância epidemiológica e entomológica, que, como já citei em artigo anterior, confunde zebra com Aedes, já que ambos possuem listras...
Mas o que considero pior é este tipo de mídia “panos quente”, que ganha para fingir que tudo está bem. E não está. Infelizmente. Alarmismo? É alarmista a mãe que vê o filho morrer por causa de um mosquito? Para o infectologista José Cerbino (IPEC) “o número de casos não justifica todo este medo” e diz ainda “Não há necessidade de imunizar quem não mora em área de risco e não vai viajar para lá” esquecendo-se de que o Rio de Janeiro é uma das maiores áreas de risco, aliás, o Brasil, quase todo (repito), é uma imensa área de risco!
Quanto ao “teor técnico que o Ministério da Saúde tem lidado com o episódio é suficientemente esclarecedor para a mídia e para a sociedade”. Que teor técnico é este? Na NOTA TÉCNICA Nº. 081/03 do Ministério da Saúde, “A Fundação Nacional de Saúde adquiriu uma nova formulação de inseticida piretróide (K-Othrine) para aplicação espacial (Ultra Baixo Volume). Esta nova preparação utiliza a água como solvente ao invés do óleo de soja tradicionalmente utilizado, o que traz considerável economia à operação”... Economia? Com a saúde da população brasileira? Utilizando veneno para baratas para matar o mosquito da Dengue? E tem mais, na NOTA TÉCNICA Nº 40/04, também do Ministério da Saúde, “Utilização da Alfacypermetrina SC 20% no tratamento perifocal para o controle da dengue e borrifação domiciliar residual nos programas da malária, doença de Chagas e leishmaniose visceral”.
Alfacypermetrina, conforme nota técnica do fabricante, é indicada para o controle da Mosca-do-Chifre (Haematobia irritans), Mosca doméstica e S. calcitrans, carrapatos (Boophilus microplus) e prevenção de bernes. E mosca, senhores técnicos, NÃO É MOSQUITO! Em sua biologia comportamental, desenvolvimento etc. totalmente diferente! E carrapatos? É outro departamento... Nada a ver com o mosquito.
E o senhor Fernando Verani ainda questiona ser, no entendimento dele: “É a politização do episódio, repetindo uma prática que vem ocorrendo ao longo dos anos, que tende a dar um caráter de descontrole as ações do governo na saúde e acaba confundindo a sociedade e gerando um pânico injustificável”.
Esquece o senhor Fernando que ao longo desses últimos 20 anos o Aedes aegypti e a Dengue ou Febre Amarela, como queiram, foram se estabelecendo, e, hoje, quem manda é o mosquito!
Para concluir, em seu último parágrafo o repórter cita o boletim da Secretaria de Vigilância em Saúde (?) do Ministério, que no dia 23 de janeiro, “dos 40 casos suspeitos 15 foram descartados e 18 confirmados com nove mortes e nove casos de recuperação”. Se analisarmos estes dados, eles representam, na verdade, 50% de mortes!
E a população e a mídia são chamadas de alarmistas... Parece que tem gente brincando de fazer Saúde Pública!

1.Beatriz Antonieta Lopes
Ciências Biológicas- Universidade Federal do Mato Grosso-UFMT
Entomologia Médica-Fundação Instituto Oswaldo Cruz-FIOCRUZ