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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

AS DIFERENÇAS ENTRE ZICA E DENGUE...



CONHEÇA OS SINTOMAS DA "ZICA VIRUS":
-Febre de 38 graus ou mais.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Diarréia e enjôo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
-Lenta melhora. Fígado comprometido.
OS SINTOMAS DA DENGUE:
-Febre de 38 graus ou mais.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
- Lenta melhora. Fígado comprometido.
SINTOMAS DA DENGUE HEMORRAGICA:
-Febre intensa.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Diarréia e enjôo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
-Paciente apresenta “falsa melhora”.
-Corpo frio.  (febre).
-Insuficiência hepática e renal.
-Icterícia (pele e olhos amarelados).
-Manifestações hemorrágicas.
-Cansaço intenso. Letargia.
-Princípios hemorrágicos disseminados (sangue nas fezes, sangramento nasal, ouvidos, alteração da pressão sanguínea, rápida queda de plaquetas, dificuldades respiratórias.
-Comprometimento de órgãos (fígado, rins).

 SINTOMAS DA FEBRE AMARELA:
-Febre de 38 graus ou mais.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Diarréia e enjôo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
-Princípios hemorrágicos disseminados (sangue nas fezes, sangramento nasal, ouvidos, alteração da pressão sanguínea, rápida queda de plaquetas, dificuldades respiratórias.
-Comprometimento de órgãos (fígado, rins).

FEBRE CHIKUNGNYA: nem é necessário escrever. Os sintomas são exatamente os mesmos!

ENCONTRE E ASSINALE AS DIFERENÇA!
Encontrou? Não? Eu explico por que: Trata-se do mesmo inseto, mesmo vírus (Flavivírus).
EXPLICANDO:
-Febre de 38 graus ou mais: Inicia a partir da entrada do vírus no organismo através da picada do inseto, o viris (antígeno) se multiplica intensamente, e a febre é uma reação desta invasão.
-Dor de cabeça intensa: (cefaléia). Vírus se multiplicando nos micro capilares inclusive na área cerebral.
-Dores no corpo: Vírus se multiplicando no interior da musculatura óssea.
-Diarréia e enjôo: Multiplicação do vírus nos órgãos digestórios.
-Manchas que surgem no corpo: Mais grave que se pensa, trata-se do rompimento de capilares sanguíneos superficiais, podendo levar a um quadro bastante grave!
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés: O sangue, fora do seu local normal (capilares) tenta sair desencadeando a reação.
-Conjuntivite: Envolve multiplicação viral nos micro vasos do olho.
EVOLUÇÃO:
-Lenta melhora. Fígado comprometido. Casos gravíssimos/Falta de atendimento adequado: ÓBITO!
A diferença reside da FALTA DE PESQUISA/PESQUISADORES na área!
E, quando alguém se interessa na pesquisa, visando ser útil e auxiliar na erradicação do vetor, o PODER PÚBLICO,  alem de não apoiar DERRUBA as pretensões do pesquisador, desestimulando a iniciativa através de pressão política e até mesmo perseguição (no caso, funcionária publica).
ESTÁGIO NA UFRJ-UNIVERSIDADE  FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Ao concluir Biologia (Ciências Biológicas) na UFMT já estava inscrita no curso de Especialização em Entomologia Médica, na FIOCRUZ-RJ que consiste no estudo de insetos vetores patogênicos ao homem. Como tenho interesse na pesquisa estive na UFRJ para conhecer os laboratórios da Universidade. Pois bem, ganhei uma bolsa de estudos no Laboratório de Vírus da UFRJ, onde estaria sob a supervisão da pesquisadora doutora Genoveva e do pesquisador doutor Maulory. Seria o estudo das estruturas da superfície do vírus da DENGUE!
Importantíssimo estudo, onde ocorre o estudo das estruturas que revestem o vírus e suas alterações que ocorrem.
Mas, lamentavelmente, com a ameaça de exoneração tive que “baixar a cabeça” e me submeter: Caso fosse para o estudo seria exonerada! Normal? Não... Bem sabemos que o município sempre tem funcionários “fazendo cursos” aleatórios e sem qualquer importância, inclusive no exterior...
Por que estou cursando Direito? O artigo 267 do Código Penal é claro, basta ser executado!
Os “estudiosos” que encontramos se limitam a ler manchetes de jornais ou noticias de veracidade duvidosa, divulgadas pela Mídia televisiva... Que disseminam inverdades, desviando o foco do que realmente importa:
-ELIMINAR O MOSQUITO VETOR! SIMPLES ASSIM...

Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga-UFMT
Especialização em Entomologia Médica-  FIOCRUZ

Acadêmica em Direito Anhanguera

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DENGUE 4 NO BRASIL

A notícia, da Agencia Estado, que publica questionamento da população, sob o titulo: “Sociedade questiona governo e diz que vírus 4 da dengue está no Brasil desde os anos 80” Agencia Estado-AE


O presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Marcelo Simão Ferreira, disse acreditar que o sorotipo 4 do vírus da dengue "entrou há muito tempo" no país.

Realmente ele tem razão, sobre a presença do vírus no Brasil, apenas é necessário fazer uma ressalva: O vírus ‘não entrou no país’! São pessoas sobreviventes, (poucas) que já tiveram o4 vezes a Dengue!

Já nos anos 80 pessoas que haviam sofrido uma, duas, três vezes a Dengue e sobreviveram, estes, no caso estão sofrendo novamente a DENGUE, e, caso sejam feitos os exames agora, (Sorologias COM Isolamento viral) certamente será detectado o Sorotipo 4.

Diz ainda, sobre sorologias de dengue 4: "sempre esteve lá, desde os anos 80, mas não se detecta porque são casos esporádicos". Ora, muitos não resistiram a uma 2ª Dengue...

Isto é tão evidente que me pergunto:

“O que estão fazendo os virologistas, infectologistas, enfim, os pesquisadores de área, que estão nos laboratórios de pesquisa nas diferentes instituições espalhadas pelo país, que não conseguem observar o óbvio?” Por que ninguém analisa esta informação de forma adequada?

Lamentavelmente são grupos fechados que não permitem o acesso de quem estuda e tem interesse em esclarecer este detalhe, fundamental para a pesquisa de uma vacina, embora eu acredite que o melhor mesmo seria mudar a metodologia e os inseticidas, eliminar o este vetor e outros vetores que retornaram: o da Leishmaniose, da Malária, elefantíase etc.

"Ministério da Saúde está enrolando", diz ainda o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Simão Ferreira, em referencia ao fato de que já havia sido encontrado este resultado de sorotipo 4, em Boa Vista-RR.

Concordo plenamente com esta afirmativa e acrescento ainda que tem mais ‘enrolação’ de parte do ministério da saúde: Por que continuam usando produtos ineficientes no combate ao mosquito vetor? Por que continuam comprando e estimulando o uso do paracetamol, apesar dos problemas graves provocados por este medicamento?

Já o Ministério da Saúde emitiu alerta a todos os Estados sobre quatro casos suspeitos de contaminação pelo sorotipo 4 do vírus da dengue em Boa Vista (RR), depois de 28 anos... Minha explicação ao MS é a mesma: Estas pessoas já haviam sofrido dengue por três vezes anteriormente e agora o mosquito, presença constante em nosso país, picou e transmitiu o vírus da dengue novamente, e o Isolamento Viral detectou a quarta dengue do paciente e não um NOVO VÍRUS como querem fazer crer!

Durante as atividades de fusão viral o receptor do vírus se liga ao receptor da célula e, por endocitose penetra na célula, iniciando a replicação. O vírus da dengue/febre amarela (Flavivírus) possui filamento único de Ácido Ribonucléico positivo (RNA +), com envoltório. Durante a estratégia de entrada na célula ocorre o desenvelopamento e o início da replicação.

Com a entrada do antígeno (vírus) os anticorpos são ativados, iniciando as reações: Febre, calafrios, cefaléia intensa, dor no fundo do olho, dor nos ossos e articulações. Estas reações ocorrem durante a primeira infecção e, dependendo das condições de saúde do indivíduo pode ser um mal estar de alguns dias, podendo ser confundido com um simples resfriado.

Já a segunda infecção os sintomas são mais fortes: Além do mal estar descrito acima o sistema imune possui o registro da Dengue anteriormente sofrida e a ação dos anticorpos é rápida, atacando os antígenos, mas volta-se também contra o registro da memória celular atacando as células, (lesão do endotélio vascular) e isto faz com que se inicie um princípio hemorrágico (processo imune e inflamatório) que, se não controlado adequadamente, poderá se encaminhar para um quadro de choque e o óbito!

A terceira infecção caso o paciente esteja em boas condições físicas e receba atendimento adequado, poderá evoluir lentamente para a melhora. Este paciente terá maiores chances não tendo usado o princípio ativo paracetamol/Tyllenol, pois seu fígado não estará fragilizado pela agressão deste medicamento.

Muito bem: 12 anos ou mais, depois da primeira Dengue, este ‘sobrevivente’ volta a ter a doença! É a sua quarta infecção pelo vírus da Dengue. Na Sorologia com o Isolamento Viral irá acusar DEN 4, o que não quer dizer que exista um mosquito, com um ‘crachá’ com os dizeres: Sou o mosquito do vírus 4!

SINAIS DE ALARME E URGENTE ATENÇÃO MÉDICA

Os “sinais de alarme”, citados em diversos manuais de tratamento, a saber: dor abdominal intensa, vômitos freqüentes, agitação psicomotora/sonolência e palidez cutâneo-mucosa. Estes sinais que podem surgir já na primeira dengue e pode estar ligados ao fato do paciente estar fazendo uso de medicamento que contenha o princípio ativo AAS (Acido Acetil Salicílico) ou outros medicamentos anticoagulantes, muito utilizados em pacientes cardíacos.

Seja a primeira, segunda, terceira ou quarta DENGUE a atenção médica adequada é fundamental para salvar a vida!

O Brasil, um país tropical é altamente propício a estas Patologias Tropicais e cada profissional da área de saúde deve suspeitar e solicitar os exames necessários para comprovar ou descartar a Dengue!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Artigo De Opinião/Opinion Article

A Necessidade da Erradicação dos Vetores Transmissores da Dengue e da Febre Amarela no Brasil

The Need of the Eradication of the Vectors Transmissive of the Dengue and of the Yellow fever in Brazil

"Importante enfocar o fato de que nem todos fazem sorologias e, neste caso, esse indivíduo não faz parte das estatísticas da OMS".

Analisando as perspectivas, com base nos últimos vinte anos, os prognósticos não são bons, sendo necessário uma urgente reciclagem tanto nos conceitos errôneos sobre a utilização do UBV e sua efetiva eficiência, desde que haja o uso correto de dosagens, velocidade, horários, produto e, importantíssimo: as aplicações deverão ser realizadas entre 12 a 15 dias em todas as ruas, todos os bairros dos municípios, durante 03 meses, com a observação do efeito na densidade do vetor, que com estas medidas deverá reduzir até não serem encontrados nem formas imaturas nem o vetor adulto.



A abordagem em artigos científicos (e na imprensa em geral) sobre o manejo e controle do Aedes aegypti gera controvérsias, que, apenas colaboram com a proliferação destes vetores. Faz-se urgente uma efetiva reciclagem nas teorias, pois se enfocarmos o que vem ocorrendo nos últimos anos após tal controle ter sido descentralizado (transferindo aos estados e municípios esta responsabilidade), com as verbas destinadas não sendo efetivamente controladas, somando-se à falta de capacitação de profissionais, vê-se facilitado o aumento incontrolável do vetor, causando grande impacto na saúde pública.

“População exige o fumacê, mas desconhece que o produto é perigoso e não detém o avanço da dengue”...

Vamos analisar essa declaração:

1 - Todo produto, seja sabão em pó, detergente, álcool, gasolina, spray de inseticida doméstico, e mais uma infinidade de produtos de uso diário, manuseados de forma incorreta, podem causar graves acidentes e danos irreversíveis.

2 - Alguns que se dizem técnicos e estão por ai apregoando que o produto faz mal, aparentemente sequer devem ter olhado o MANUAL DA FUNASA; imagine se leram que determina o uso do UBV (Ultra Baixo Volume), que explica as normas e técnicas corretas para o uso do “fumacê”, o qual elimina o inseto adulto se usado da forma correta!

3 - Em determinada cidade, os funcionários lavaram paredes com o produto, se intoxicando de forma grave, e a todas as pessoas que trabalhavam no local, pois ele é para ser aplicado com o aparelho de UBV, de onde saem micro-gotículas, isto é, uma nuvem de minúsculas gotinhas; além disto, com a desculpa do calor, não utilizam os equipamentos de segurança adequados (macacão, luvas, óculos de proteção, etc.); fumam durante a aplicação e, pior, depois continuam com a mesma roupa usada, o dia todo.

4 - O Depto. de Vigilância Epidemiológica e Sanitária deve, no mínimo, consultar um engenheiro agrônomo, profissional habilitado para trabalhar com dosagens e técnicas de aplicação; capacitar funcionários, sob orientação do agrônomo, obedecer as regras de segurança e criar escalas de trabalho para estes seis meses críticos da dengue (outubro a março).

5 - Este trabalho deve seguir rigorosamente as normas técnicas, número de aplicações, dias e horários, durante os seis meses, em cada rua, em cada bairro da cidade.

A falta de capacitação, o desconhecimento do material adequado, isto, sim, pode causar problemas graves e até mesmo matar. A substituição do inseticida correto por outro adequado a baratas, acabou intoxicando os funcionários, no local onde foi aplicado erradamente, matando baratas, grilos e outros insetos. Só os mosquitos permaneceram vivos, sem serem afetados...

É importante a visita dos agentes? Pode ser. Mas deve ser uma vistoria bem feita, nunca superficial. E quem vistoria e limpa os terrenos baldios (e são muitos, com lixo acumulado)? Mas usando da lógica, se eliminar os mosquitos adultos, de forma correta, não deverá sobrar fêmeas de Aedes aegypti para depositar ovos por ai.

Já faz um bom tempo que nos tornamos reféns do descaso, da omissão, do empurra-empura, onde a Saúde Pública transfere suas obrigações para a população e parte dela cuida e mantém limpos os locais de risco, mas é importante frisar que basta uma casa com a caixa d’água sem tampa para infestar o bairro todo e outros bairros próximos.

Já se passaram 20 anos desde o retorno deste vetor; milhões de pessoas foram infectadas e reinfectadas, com milhares de mortes ocorrendo.

O Brasil poderia adotar as medidas corretas de aplicação do UBV, inclusive utilizando o óleo misturado ao produto e se tornar o modelo para os países vizinhos, no combate e erradicação do vetor. Uma das explicações dadas pelos que se mantém contra o uso do UBV é que irá matar pássaros e borboletas...

Mas Cuba utiliza o UBV e é lá que encontramos o espécime de beija flor menor do mundo.

Milhares de pessoas morrem, anualmente, de dengue. Então é importante, é necessário reavaliar a relação custo-benefício da utilização do fumacê, com o inseticida eficiente.

BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS

1- Tauil, Pedro Luiz Perspectives of Vector Borne Diseases Control in Brasil

Revista Brasileira da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 39(3)275-277mai-jun 2006

2-Ministério da Saúde-Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica. 6ª edição Brasília, 2005.

Bia Lopes 05—1-2007.

3-Franco O. A História da Febre Amarela no Brasil. Ministério da Saúde. Brasília, 1969.

4-Gubler DJ. Dengue and dengue haemorrhagic fever: its history and resurgence as global health problem. CAB International, New York, p.1-22,1997.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

“Deitado eternamente em berço esplêndido”



ACORDA BRASILEIRO!!!
Acorda!
Um mosquito miserável está te botando doente, está matando alguém de tua família e tu estás esperando o quê?!!!
Não estou aqui para acusar ninguém de relaxado, não mesmo!
Existem pessoas que realmente não tem o mesmo cuidado com seus quintais... Mas e daí? Por causa desses iremos ter Dengue (ou Leishmaniose, Malária ou Elefantíase)? São todas doenças transmitidas por mosquitos e tem muitas outras ainda!
“Virose”, Dengue ou Febre Amarela, (denomine como quiser), mas isto não é brincadeira e mata!
Se a Dengue é terrível sem complicações, imagine a hemorrágica, que precisa de cuidados especiais, de profissionais dedicados e competentes, que não diagnostiquem simplesmente “virose”, pois se trata realmente de uma doença de origem viral, mas como para alguns tudo é “virose”... Não tenhas medo, tu tens direito de exigir exames específicos e cuidados adequados.
Só que isto, quando o Pronto Atendimento está superlotado se torna difícil...
Tem outro mosquito proliferando assustadoramente e a patologia por ele transmitida é, muitas das vezes, letal! Apenas eliminar os cães, e nada fazer de concreto (e correto) para eliminar os mosquitos, torna o quadro ainda mais grave!
Várias pessoas foram a óbitos, muitos estão infectados e não sabem, pois a Leishmaniose age silenciosamente; sendo identificada a doença, com o tratamento adequado, apesar de difícil e demorado o paciente evolui para a cura.
Mas se todos permanecerem apenas observando, aceitando passivamente a acusação de “povo relaxado, que não limpa o quintal”, enquanto erros e mais erros se acumulam, ou devo chamá-los de equívocos?
Afinal, por denunciar estas coisas estou respondendo um processo... Então não direi que alguns coordenadores deveriam ir presos, por ações irresponsáveis e omissas, por camuflar dados e informações, pela falta de ações corretas, que não deixam a vida da população em risco...
São dez anos de “equívocos”, agora não dá mais para esperar, devemos exigir mudanças no enfoque, na condução das ações e com urgência!
Meu maior desejo (e para isto faço minha parte) é que Rondonópolis se torne exemplo para outras cidades e estados na erradicação correta dos insetos patogênicos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

DENGUE: SUPOSIÇÕES ATRAPALHAM

Gosto muito de ler, de preferência bons artigos e/ou bons livros, científicos ou não. Assim, às vezes, acontece de ler algumas declarações sobre assuntos de interesse geral, que nem sempre são (ou me parecem) lógicas.

A sugestão de pesquisadores da USP sobre uma “competição entre vírus”, onde o vírus da Dengue impediria o retorno da Febre Amarela, apenas reforça minha teoria sobre o grande desconhecimento que ainda cerca esta patologia viral.
Se analisarmos o fato do vetor ser o mesmo (Aedes aegypti), o vírus (Flavivírus) também é o mesmo, a evolução da patologia é em tudo semelhante, porque os nomes (apelidos dados à doença) são devido às características provocadas pela infecção:
Dengue: andar dengoso, bamboleante. No caso da evolução para o quadro hemorrágico, envolvendo o fígado, esse paciente irá apresentar o aspecto amarelado também.
Febre Amarela: devido à hemorragia atingir as vísceras, especialmente o fígado, o paciente fica com uma cor amarelada.
Veja os nomes que a patologia recebeu:

Nome:
Local e Ano:
Veneno da Água
China, 992
Golpe de Vara
French West Indies, 1635
Dor de Joelhos (Dificuldade do joelho)
Cairo, Egito
Knocketkoorts (febre de Osso)
Batava (Jakart) Indonésia, 1779
Scalatina Reumática
Filadélfia, USA. 1780
A Compassiva- A Piedosa
Cadiz, Sevilha. Espanha, 1784-86
Dengue
Espanha, 1801
Bilioso Remitting (Febre de Breackborne)
Filadélfia-USA 1780
Ki Dinga Pepo, Denga
Zanzibar, África, 1823
Enfermidade febre escarlate
Calcutá, Índia, 1824
Febre Elegante
St. Tomas, Ilhas Virgens.1827
Dunga
Cuba, 1828.
Dengue
Cuba, 1828.
Febre Polca
Brasil, 1845-49.
Banza
Taiwan, 1916.
Febre dos três ou sete dias
Índia,1909.
Febre dos Cinco Dias
Indonésia, 1960.
(Esta tabela foi publicada no livro DENGUE e Febre Hemorrágica da Dengue: SUA HISTÓRIA E RESSURGIMENTO COMO UM PROBLEMA GLOBAL DE SAÚDE PÚBLICA, escrito por D.J.Gubler, em inglês. A tradução do capítulo é minha.)
Li um artigo onde o pesquisador, ao coletar sangue de um morcego e fazer sorologias identificando o vírus da dengue, questionou se os morcegos estão envolvidos na vetoração da dengue! Ora, o morcego está nas matas, se alimenta de sangue de macacos que, por sua vez, foram picados pelo Aedes aegypti, sendo infectados com o vírus da dengue. Podem ser considerados, no máximo, reservatórios da doença. Isto, até que um estudo conclusivo determine ou não tal fato.
Assim, ao perceber pesquisadores “andando em círculos” e obtendo conclusões equivocadas e sem lógica, não podemos nos espantar com os números de casos e óbitos que ocorrem a cada epidemia...
E o mais grave: acabam justificando o andar em círculos também de gestores da saúde. Com o que, não podemos nos conformar.

terça-feira, 6 de maio de 2008

MÍDIA PARA AGRADAR OS DONOS DO PODER

Estou lendo o artigo de Bruno Dominguez (RADIS 66 Fev.2008), “Um fenômeno (clássico) de imprensa” onde ele diz achar que “esteja onde estiver Oswaldo Cruz deve estar confuso”. Pois eu penso que ele (se é que isso seja possível) deve estar em estado de choque, pelos absurdos que são publicados na mídia com destaque para alguns especialistas que declaram não se tratar de epidemia (seja de Dengue, Febre Amarela ou Leishmaniose).
Milhares de casos de dengue explodindo em todo o país e o especialista em negar evidências, corre em busca da mídia e declara não se tratar de epidemia! Em primeiro lugar o repórter não pode afirmar que “desde 1942 a ‘Febre Amarela’ urbana não faz vítimas”. Meia dúzia de casos pode ser chamada de ‘surto’. Mais do que isto é epidemia, sim!
(E urbana ou silvestre, esta definição serve apenas para desviar a atenção: O vetor envolvido, tanto com a chamada DENGUE que não é outra patologia senão a chamada FEBRE AMARELA, um dos tantos nomes recebidos para esta doença viral.)
Outra coisa: o Ministro da Saúde está um tanto confuso ao declarar que existem algumas zonas de risco...
Ministro, o Brasil todo é zona de risco!
Há mais de vinte anos a vigilância e o combate ao vetor vêm agindo equivocadamente, com decisões erradas facilitando a proliferação do vetor, e, hoje, apenas uma reação radical, em todo o País, poderá mudar o quadro que se apresenta: complexo e alarmante, lamentavelmente.
Mosquitos vetores proliferam em todos os lugares: clubes, residências, órgãos públicos, hospitais e (por que não dizer?) em salas de aula de instituições de pesquisa! É, recordo um bebedouro de água na própria FIOCRUZ, onde, após observar um número razoável de insetos, fomos examinar a vasilha que há no bebedouro, que estava cheia de água, com larvas de todos os instares e pupas!
Imaginemos o resto por aí... Especialmente se considerarmos certos que coordenadores da vigilância epidemiológica e entomológica, que, como já citei em artigo anterior, confunde zebra com Aedes, já que ambos possuem listras...
Mas o que considero pior é este tipo de mídia “panos quente”, que ganha para fingir que tudo está bem. E não está. Infelizmente. Alarmismo? É alarmista a mãe que vê o filho morrer por causa de um mosquito? Para o infectologista José Cerbino (IPEC) “o número de casos não justifica todo este medo” e diz ainda “Não há necessidade de imunizar quem não mora em área de risco e não vai viajar para lá” esquecendo-se de que o Rio de Janeiro é uma das maiores áreas de risco, aliás, o Brasil, quase todo (repito), é uma imensa área de risco!
Quanto ao “teor técnico que o Ministério da Saúde tem lidado com o episódio é suficientemente esclarecedor para a mídia e para a sociedade”. Que teor técnico é este? Na NOTA TÉCNICA Nº. 081/03 do Ministério da Saúde, “A Fundação Nacional de Saúde adquiriu uma nova formulação de inseticida piretróide (K-Othrine) para aplicação espacial (Ultra Baixo Volume). Esta nova preparação utiliza a água como solvente ao invés do óleo de soja tradicionalmente utilizado, o que traz considerável economia à operação”... Economia? Com a saúde da população brasileira? Utilizando veneno para baratas para matar o mosquito da Dengue? E tem mais, na NOTA TÉCNICA Nº 40/04, também do Ministério da Saúde, “Utilização da Alfacypermetrina SC 20% no tratamento perifocal para o controle da dengue e borrifação domiciliar residual nos programas da malária, doença de Chagas e leishmaniose visceral”.
Alfacypermetrina, conforme nota técnica do fabricante, é indicada para o controle da Mosca-do-Chifre (Haematobia irritans), Mosca doméstica e S. calcitrans, carrapatos (Boophilus microplus) e prevenção de bernes. E mosca, senhores técnicos, NÃO É MOSQUITO! Em sua biologia comportamental, desenvolvimento etc. totalmente diferente! E carrapatos? É outro departamento... Nada a ver com o mosquito.
E o senhor Fernando Verani ainda questiona ser, no entendimento dele: “É a politização do episódio, repetindo uma prática que vem ocorrendo ao longo dos anos, que tende a dar um caráter de descontrole as ações do governo na saúde e acaba confundindo a sociedade e gerando um pânico injustificável”.
Esquece o senhor Fernando que ao longo desses últimos 20 anos o Aedes aegypti e a Dengue ou Febre Amarela, como queiram, foram se estabelecendo, e, hoje, quem manda é o mosquito!
Para concluir, em seu último parágrafo o repórter cita o boletim da Secretaria de Vigilância em Saúde (?) do Ministério, que no dia 23 de janeiro, “dos 40 casos suspeitos 15 foram descartados e 18 confirmados com nove mortes e nove casos de recuperação”. Se analisarmos estes dados, eles representam, na verdade, 50% de mortes!
E a população e a mídia são chamadas de alarmistas... Parece que tem gente brincando de fazer Saúde Pública!

1.Beatriz Antonieta Lopes
Ciências Biológicas- Universidade Federal do Mato Grosso-UFMT
Entomologia Médica-Fundação Instituto Oswaldo Cruz-FIOCRUZ

domingo, 23 de março de 2008

MAIS DE 20 ANOS DE DENGUE...

*Bia Lopes



Os primeiros relatos, ocorridos em 1980 aqui no Brasil, estão citados em meus artigos e matérias de pesquisa. Já nesta época houveram importantes surtos epidêmicos. Recordemos que em 1980 houve inclusive campanha de vacinação em massa contra a Febre Amarela, é o mesmo mosquito vetor, mesmo vírus e sintomas agravados, iguaizinhos aos que o paciente apresenta numa dengue hemorrágica-FHD ou no caso da síndrome de choque por dengue-SCD... (ou qualquer nome que a patologia receba, pois sempre inventam novos nomes), o que prova que antes os casos ficavam ocultos e não divulgados, e ainda hoje a subnotificação persiste!
Casos de dengue explodem em todos os estados brasileiros, sempre com percentuais assustadores e alarmantes. De acordo com o ESTADÃO, (09 de março de 2007 )só nos meses de janeiro e fevereiro o aumento foi de 25,64%, o que nos faz recordar os R$ 772,8 milhões repassados pelo Ministério da Saúde aos Estados e municípios em 2006 para prevenção da doença.
Não basta repassar a verba, precisa fiscalizar a efetiva utilização da mesma e exigir a correta aplicação do fumacê, cobrar onde estão os carros entregues pelo governo para este fim!
A população é refém do descaso, da incompetência de que está a frente do monitoramento das epidemias em nosso País!
Em São Paulo (Ilha Solteira) por exemplo, o número de doentes “saltou” de 251 para 1.218 em apenas 06 dias! Em Birigui, o número de casos era de 239 e aumentos para 521 e há duas mortes suspeitas de terem sido por dengue. 70% dos pacientes que chegam ao hospital local têm sintomas da doença.
Já em Campinas o número de casos dos dois primeiros meses do ano aumentou 733,33% em comparação com 2006.
Em edição do dia 02 de abril o comentário aponta com precisão o que ocorre em nosso País : “Apesar de conviver há mais de duas décadas com a dengue, em grandes epidemias ou surtos menos expressivos, o Brasil apresenta frágil estrutura para lidar com a forma grave da doença. A falha se reflete nos altos índices de mortalidade. Neste ano, até 19 de março, tinham sido notificados 75 casos de dengue hemorrágica, com 10 mortes - taxa de mortalidade de 13,3%. O porcentual está muito acima do preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) - 3%. Em 2006, o índice no País foi semelhante: 11% dos pacientes com a forma grave da doença morreram.” Ao longo deste anos não só venho alertando sobre isto, como passei a me dedicar ao estudo do vetor, que é importante conhecer, desde seus hábitos, desenvolvimento e comportamento, como também passei a pesquisar o vírus envolvido na patologia, as ocorrências de epidemias, as seqüências e quase fui exonerada de meu serviço! Afastada fui sim, do setor da DENGUE, e por pouco não perco o emprego! Este é um dos mistérios que envolvem a DENGUE: Parece haver um grupo com interesse na permanência da doença e do vetor...será por interesses financeiros? E por que a OMS (Organização Mundial de Saúde) não “acorda” e age?
"A dengue no Brasil ainda é considerada surpresa. E a morte em conseqüência da infecção, fatalidade. Está errado. A morte é perfeitamente evitável", diz o professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e integrante do comitê assessor do Ministério da Saúde para dengue Rivaldo Venâncio da Cunha.
A Organização Pan-Americana de Saúde-OPAS vem alertando sobre a necessidade de uma melhor estrutura para tratar o paciente com dengue. Sim, isto é importante. Mas ainda mais importante é acabar com o vetor! E é fácil, basta querer...Acompanhamos declarações sem fundamento de Ministros da Saúde (que, diga-se de passagem: quando aprendemos o nome do ministro, já foi trocado...), sua declarações sobre o assunto demonstram seu desconhecimento ou o entendimento errado sobre a patologia, sobre o inseto vetor e sobre o vírus envolvido! Vou repetir até a exaustão: o mosquito carrega e transmite o mesmo vírus, seja ele identificado em sorologias, mais precisamente no exame de isolamento viral, como Sorotipo 1, Sorotipo 2, Sorotipo 3 ou Sorotipo 4. A alta virulência está tão presente na 1ª dengue como na 2ª, 3ª ou 4ª! A diferença está nas reações do sistema imunológico, mais ou menos exacerbadas devido a alguns fatores interligados: Se o indivíduo ao ser infectado estiver fazendo uso de medicamentos que contenham o princípio ativo Acido Acetil Salicílico certamente irão sofrer princípios hemorrágicos de maior ou menor gravidade e, no caso de estar sofrendo uma segunda infecção por dengue as reações serão importantes pois o sistema imunitário reagindo contra o antígeno invasor irá encontrar registro de infecção anterior e se voltará contra estas células, destruindo-as.
“Todavia parece bastante coerente o conceito de que uma infecção prévia que induza uma resposta imunológica com anticorpos neutralizantes apenas para um certo sorotipo, mas que um segundo sorotipo seria reconhecido antigenicamente produzindo uma resposta cruzada imunológica e inflamatória mais intensa, mas não neutralizante” cita drª Claire Kubelka, do deptº.de Virologia da FIOCRUZ-RJ. Este parágrafo de drª Claire confirma o que venho afirmando sobre o vírus e as seqüênciais infecções.
MINISTROS, SECRETÁRIOS E COORDENADORES DA SAÚDE PÚBLICA
Não basta assumir a função de ministro, secretário, virar “chefe”, deve mostrar efetivo interesse, buscar o conhecimento correto e executar as ações básicas para eliminar o inseto adulto, abandonadas há muitos anos, durante estes últimos vinte anos, milhares de pessoas foram à obito, outros se recuperaram mas as sequelas são para a vida toda! Grande parte da população brasileira, basta olhar os quadros das epidemias ocorridas, passou a ter sequelas após uma 1ª, 2ª ou 3ª dengue, em função das agressões produzidas pelo vírus no organismo e, também, pelo uso indiscriminado do paracetamol que atinge o fígado e o sistema renal de forma grave, para não citar outros órgãos. (dr.Anthony Wong-CEATOX).
Com relação ao Ministério da Saúde, a OPAS-Organização Pan-Americana de Saúde, a OMS-Organização Mundial de Saúde orgãos fundamentais responsáveis pela saúde da população precisam urgentemente de reavaliar os erros cometidos ao longo destes anos, a urgência é eliminar o inseto adulto! Formulas mágicas inventadas, que envolvem borra de café, plantas repelentes e outras sugestões absurdas publicadas é a mesma situação de colocar soldados para combater na guerra fazendo uso de um “estilingue”!
Assim, dispomos de uma Saúde Pública sucateada, com postos de atendimento superlotados, incapacitada para resolver os problemas de uma população com a saúde fragilizada, médicos exaustos que precisam de atender 10 pessoas no tempo que seria necessário para atender 01 paciente lembrando ainda que, normalmente, o material básico necessário para tal atendimento é escasso ou inexistente...
NÃO PODEMOS MAIS SER OTIMISTAS EM RELAÇÃO AO BRASIL. PRECISAMOS AGIR.
BEATRIZ ANTONIETA LOPES
BIÓLOGA com especialização em ENTOMOLOGIA MÉDICA