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sexta-feira, 5 de julho de 2013

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’

Republicando o artigo 

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’


A dúvida continua....

* Bia Lopes


E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:
*-Aedes aegypti municipalis
*-Aedes aegypti estadualis
*-Aedes aegypti federalis
O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.
No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.
Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...
A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.
E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.
Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...
Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.
Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?
Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...
Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...
E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...
Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga especialista em Entomologia Médica
Marcadores: Aedes aegypti, dengue, epidemia, saúde tropical

postado por Beatriz Antonieta Lopes 

sábado, 30 de outubro de 2010

UM MOSQUITO SEM PAI NEM MÃE...

republicando...

* Bia Lopes

E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:


*-Aedes aegypti municipalis


*-Aedes aegypti estadualis


*-Aedes aegypti federalis


O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.


No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.


Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...


A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.


E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.


Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...


Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.


Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?


Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...


Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...


E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...


Beatriz Antonieta Lopes

  1. Bióloga especialista em Entomologia Médica

domingo, 18 de julho de 2010

QUANDO NÃO EXISTE INTERESSE EM ACABAR COM UM PROBLEMA...

Série Doenças Negligenciadas


Cada um tem um jeito de agir, de ser... No meu caso, ao vir residir no Mato Grosso, em meio a uma epidemia de Dengue, que sequer eu sabia o que era ou como acontecia se era transmitida por vetor ou o quê, pois bem, a cidade toda estava doente, com Dengue e é evidente que tivemos a patologia também!


Percebi que pouco se sabia sobre a doença, falavam em ‘febrão’ e os médicos declaravam ser ‘uma virose’... Ocorreram óbitos mal esclarecidos, tanto que alguns atestados de óbito, o Ministério da Saúde questionou e pediu que fossem refeitos, com a causa da morte corretamente preenchida!

Esta epidemia ocorreu, envolvendo 1993/1994. Já em 1995 e 1996 surgiram alguns casos novos, mas em menor número. Estes são os chamados ‘surtos’. Tive Dengue. A cefaléia (dor de cabeça), dores no corpo todo,mal estar indescritível, febre alta,medo...

QUATRO ANOS DEPOIS...

Já em 1997 ocorreram vários casos (início da epidemia) para então em 1998, uma nova e explosiva epidemia, veemente negada pela Saúde Pública... Muitos casos e alguns óbitos. Tive Dengue novamente... Estava sozinha em casa, e me senti tão mal que não tive condições de ir ao médico, precisei de uma ambulância. Felizmente o médico que me atendeu foi eficiente, suspeitou que fosse Dengue, solicitou um hemograma para controle das plaquetas (e estavam baixando) quis me internar, não aceitei, após a medicação e hidratação, voltei para casa, para muito lentamente melhorar, sendo a 2ª Dengue não houve evolução para a Dengue Hemorrágica graças ao médico, que sabia exatamente do que se tratava e medicou corretamente.

Já estava pesquisando sobre a dengue e decidida a estudar, gostaria de aprender sobre o vetor, sobre o vírus e a patologia, prestei vestibular na UFMT e passei (Ciências Físicas e Biológicas). Nunca mais parei de estudar tudo sobre a Dengue embora a literatura fosse bastante reduzida, no final do curso, já estava inscrita na FIOCRUZ, onde participei do curso Entomologia Médica.

Foi fácil? Não! Mas isso não importa. Ainda hoje o problema continua. A população sofre com a doença, o descaso de quem coordena a Saúde Pública, tanto no governo federal, estadual ou municipal. Não existe interesse real em eliminar o vetor ou acabar com a Dengue...

Para não melindrar certas ‘autoridades da saúde’ direi que, devido a velhos e repetidos equívocos, as epidemias se sucedem, a cada quatro anos, e sempre surgem novos casos entre uma epidemia e outra. Mortes? Houve muitas. Subnotificação? Muito grande. A não realização das sorologias ou isolamento viral, importantes para o paciente e para comprovar dados estatísticos é um fator que comprova o descaso e desinteresse...

Milhares de pessoas são infectadas em epidemias e muitos perdem a vida, bebês, crianças, adultos e idosos. A dengue, uma das dez principais doenças negligenciadas, lota hospitais, e pronto atendimentos, onde pessoas passando mal, com muito medo, recebem atendimento depois de longa e angustiante espera.

Segundo informa a Agência Brasil, houve no Brasil mais de 737 mil casos de dengue em 2010! E em 2009, 335.265 casos.

E a conta correta é assim 2009: 335.265 casos

                                    2010: + 737.756 casos

                                               __________

                                              1.073.021 pessoas infectadas.

Então, Hum milhão e setenta e três mil e vinte e uma pessoas tiveram dengue durante esta epidemia!

Estes dados se referem a 07 estados brasileiros: Acre, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, e São Paulo.

ATENÇÃO MÉDICA EFICIENTE

Acompanhei, no PSF do Bairro Marechal Rondon, o trabalho do jovem médico, doutor Rodolfo, sua atenção e dedicação aos pacientes que chegavam (vários ao mesmo tempo), ficando difícil avaliar quem deveria ser atendido primeiro, muitos apresentando sintomas hemorrágicos. O atendimento, a avaliação do quadro e a rápida intervenção do médico, o trabalho e a dedicação da enfermeira Vera, do José, o paciente permanecia algumas horas no PSF sob os cuidados da equipe, sendo monitorado, hidratado.

Havendo necessidade de internação, o médico imediatamente entrava em contato e fazia o encaminhamento, a solicitação dos exames necessários! E não esquecia o paciente. Buscava a informação sobre a evolução. O doutor Rodolfo não perdeu nenhum paciente para Dengue! Isto demonstra que, já que não conseguem matar o mosquitinho, pelo menos que alguém se preocupe e faça sua parte bem feita!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Leishmaniose Canina - Parte II

Encontrei o blog de Camilli, gostei muito e estou publicando aqui seu artigo Leishmaniose Canina - Parte II , pois esclarece, de maneira simples várias dúvidas sobre esta patologia.

(15 de Dezembro de 2008)
A leishmaniose é transmitida por um mosquito.

O flebótomo tem um ciclo de vida único e conhecê-lo é importante para que possamos fazer nosso "dever de casa" na prevenção do mosquito.

Ciclo do flebótomo

- As fêmeas colocam em torno de 50 ovos, por vez, em locais quentes e úmidos, ricos em matéria orgânica. Estes locais "quentes e úmidos, ricos em matéria orgânica" são o entulho acumulado no seu quintal ou o lixo no lote vago ao
lado de sua casa, a linda cerca viva que cresceu junto ao muro, aquele xaxim quase esquecido...
- As larvas e pupas utilizam essa matéria orgânica para se alimentar.
- Os mosquitos adultos vivem por, aproximadamente, 20 dias. Depois de 72h que picam alguém (CÃO ou HUMANO) infectado com LEISHMANIOSE, tornam-se aptos a transmitir a doença enquanto estiverem vivos.

Perguntas interessantes:
1) Por que não há um trabalho do governo de pulverização de inseticidas para eliminar o mosquito?
Resposta do Dr. Leonardo Maciel: Porque a leishmaniose é a 6ª na ordem das "necessidades urgentes" de doenças transmitidas por mosquitos. A 1ª é a dengue, depois vêm a febre amarela, malária... Tem que haver surto de 05 (cinco) doenças antes, para que o governo se mobilize! Mesmo assim, questiona-se a eficácia das pulverizações e os riscos para a saúde.

2) Por que é tão difícil controlar o mosquito?
Resposta do Dr. Leonardo Maciel com complemento meu: Porque as pessoas têm dificuldade de tirar uma latinha que acumula água de dengue... imagine limpar um quintal inteiro?// O mosquito invadiu as cidades porque foi expulso de seu habitat natural. Ele também está tendo que se adaptar a novas mudanças. Entretanto, está em franca vantagem, uma vez que reproduz-se muito mais rápido que nós ou os cães, e isso permite que - através de mutações - adapte-se mais facilmente a este novo "ecossistema urbano".

3) Exterminar cães soropositivos resolve?
Resposta do Dr. Leonardo Maciel: Depende. Em uma cidade de 1000 habitantes, se o diagnóstico e a eutanásia forem feitos em apenas 1 semana, é bem provável que os índices da doença se reduzam drasticamente. Mas, numa cidade como Belo Horizonte - MG, com quase 3 milhões de habitantes, é impossível fazer o diagnóstico e eutanásia em tão pouco tempo, de todos os cães infectados. Aliás, a prefeitura tem aparecido na casa dos proprietários para "buscar os cães doentes", 8 meses depois da coleta do sangue. Durante todo este tempo, eles estão transmitindo a doença.

4) Existe tratamento para a leishmaniose?
SIM, existe! O tratamento não elimina a leishmania do organismo, mas impede que o cão transmita a doença a outros cães ou a seres humanos - por isso o tratamento deve ser feito por toda a vida. Mas, algum infeliz do nosso governo deu uma "canetada" e proibiu o tratamento da doença. Teoricamente, desde de agosto deste ano, todos os cães diagnosticados com a doença, devem ser eutanasiados. Não há cura para a leishmaniose. A leishmaniose é uma doença crônica, como a diabetes ou a hipertensão, ou seja, exige tratamento por toda a vida. Mas, a Associação Bichos Gerais em conjunto com a Anclivepa entrou com uma ação liminar contra essa medida. Vamos torcer pelos animais.
Postado por Camilli Chamone às 6:23 PM