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segunda-feira, 20 de maio de 2013

LEISHMANIOSE- MÉDICOS SEM FRONTEIRAS EXPLICAM E ORIENTAM



Leia o que dizem dois especialistas Médicos Sem Fronteiras sobre esta patologia, o vetor e o parasita, um protozoário, (Leishmania) envolvido! A doença é terrível, pode ser fatal, e o vetor prolifera livremente em nosso país, fazendo vítimas humanas ou caninas (e outros animais silvestres).
Importantíssimo seria FAZER A ELIMINAÇÃO DO VETOR, e com urgência...
Beatriz.






20 de maio de 2013 - Durante o 5º Congresso Mundial de Leishmaniose (Worldleish), realizado em Porto de Galinhas (PE) de 13 a 17 de maio, especialistas do mundo todo estiveram reunidos para a troca de conhecimentos acerca da doença. Dois profissionais da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) responderam questões sobre a leishmaniose em entrevista exclusiva ao site de MSF-Brasil. O epidemiologista Raman Mahajan atualmente trabalha com MSF na Índia, como responsável pela administração de sistemas de informação de saúde e pelo desenvolvimento de pesquisas operacionais do projeto; e o Dr. Sakib Burza atua em medicina comunitária, e acumula experiência em países como Sudão, Gâmbia, Palestina, Uzbequistão e Afeganistão. Confira abaixo as perguntas e respostas dos dois profissionais:


1.  O que é leishmaniose? E o que é a leishmaniose visceral?
Leishmaniose é um grupo de doenças causadas por infecção por um parasita chamado Leishmania. Não é uma bactéria nem um vírus, mas, sim, um protozoário. Há muitas espécies diferentes de parasitas de Leishmaniose e eles causam estes quatro principais tipos da doença:
- Leishmaniose cutânea, que causa úlceras cutâneas, que, normalmente, formam-se em áreas expostas, como a face, os braços ou as pernas. Geralmente, tais úlceras são curadas em poucos meses, mas deixam cicatrizes.
- Leishmaniose cutânea difusa, que causa lesões cutâneas generalizadas e crônicas, semelhantes àquelas encontradas na lepra lepromatosa. O tratamento é difícil.
- Leishmaniose mucocutânea, que, além de afetar a pele, podem destruir, parcial ou integralmente, as membranas mucosas do nariz, cavidades bucais e da garganta e tecidos do entorno. 
- Leishmaniose visceral (LV), também conhecida como calazar, é causada pelas espécies Leishmania donovani, L.infantum, L.tropica ou L.chagasi. No sudeste da Ásia, o L.donovani é o parasita que mais provoca a LV ou calazar. É diferente das outras estirpes de leishmaniose, uma vez que o parasita afeta órgãos internos, causando uma doença sistêmica. Se não for tratada, a LV pode ter uma taxa de fatalidade de até 100% em dois anos.

2. Como as pessoas são infectadas?
As pessoas são infectadas a partir da picada de mosquitos-palha fêmeas que, por terem picado pessoas infectadas ou um hospedeiro animal, transmitem a infecção para outro ser humano.

3.  Quais tratamentos MSF usa em cada região em que trabalha?
Na Índia, MSF utiliza diferentes regimes de tratamento, como a dose única de amBisome, uma combinação de amBisome e sete dias de miltefosina e uma outra combinação, de paramomicina e miltefosina.

Em outros projetos na África, MSF usa diferentes tipos de medicamentos, como o estibogluconato de sódio (SSG) e mantém a utilização de AmBisome para casos complicados ou resistentes.

4. Existe alguma conquista recente em termos de pesquisa e desenvolvimento associada ao calazar?
Infelizmente, por ser uma doença negligenciada, o calazar não é beneficiado com pesquisa e desenvolvimento, ainda que haja uma demanda clara por investimentos em diagnóstico, tratamento e prevenção. O teste rápido RK39 é bastante funcional para o diagnóstico primário de VL no subcontinente indiano, mas é preciso desenvolvimento no campo de teste para a África Oriental, dedicando atenção especial ao diagnóstico preciso de pacientes coinfectados com HIV.

Um avanço recente é a dose única de anfotericina B liposomal, que vai melhorar significativamente a adesão ao tratamento. 

É preciso urgentemente investimento no desenvolvimento de medicamentos, já que os atuais apresentam desvantagens. Enquanto isso, a avaliação de terapias baseadas na combinação de medicamentos existentes continua sendo uma prioridade. É essencial ressaltar que uma vacina melhoraria significativamente o controle de LV, assim como novos métodos de controle do reservatório animal em áreas endêmicas – coleiras para cachorros, por exemplo – ou prevenção da infecção humana, com a distribuição de mosquiteiros com inseticidas. 

5.  Há algum tipo de vacina para a doença?
A natureza do ciclo de vida do parasita e o fato de que a cura e a recuperação protegem os indivíduos de uma nova infecção indica que pode ser possível desenvolver uma vacina contra a LV. Até o momento, no entanto, o progresso no desenvolvimento de uma vacina contra as diferentes estirpes de leishmaniose tem sido limitado.

6. Como o calazar pode ser prevenido?
Por meio de cuidados higiênicos, da pulverização das casas e do diagnóstico antecipado, além de tratamento.

As estratégias atuais baseiam-se no controle dos reservatórios e vetores, bem como no diagnóstico e tratamento precoces. O mosquito-palha é suscetível aos mesmos inseticidas que o vetor da malária e a pulverização das casas e abrigos de animais tem se mostrado efetiva na Índia. Outro componente é o controle do ambiente, que envolve o revestimento de buracos nas paredes das casas e alterações no estilo de vida, como afastar-se do local em que ficam os animais. O uso de mosquiteiros com inseticidas pode também prevenir a LV e outras doenças vetoriais, como a malária. No entanto, há pouca evidência de que os mosquiteiros de fato protejam a população, já que sua efetividade está associada aos hábitos de sono da população e aos hábitos dos vetores locais. 

7. O calazar ocorre da mesma forma em todos os lugares do planeta? Quais são as diferenças?
As infecções ocorrem da mesma forma por todo o planeta, mas as manifestações clínicas podem variar sensivelmente de um lugar ao outro. Por exemplo, as espécies de parasitas diferem entre si, bem como as formas de transmissão, envolvendo animais ou não.

A LV é causada por duas espécies, L.donovani ou L.infantum, dependendo da região geográfica. A L.infantum infecta, principalmente, crianças e indivíduos imunodeficientes, enquanto a L.donovani infecta grupos de todas as idades.
Há um número estimado de 500 mil novos casos de Leishmaniose Visceral e mais de 50 mil mortes relacionadas à doença a cada ano, uma letalidade superada apenas pela malária, entre as doenças parasitárias. É comum que a LV não seja reconhecida nem reportada. A maioria dos casos, mais de 90%, ocorre em apenas seis países: Bangladesh, Índia, Nepal, Sudão, Etiópia e Brasil. A imigração, a ausência de medidas de controle e coinfecção com HIV são os três principais fatores que levam ao aumento da incidência de LV. A doença afeta comunidades pobres, geralmente localizadas em regiões remotas e rurais. Normalmente, é endêmica em países das regiões menos desenvolvidas do mundo (como o Nepal), ou nas regiões mais pobres do planeta.

8. Além do HIV, há algum outro tipo de coinfecção relacionado ao calazar?
O calazar é uma doença imunossupressora, o que faz com que a pessoa infectada fique extremamente suscetível a outras infecções. As mais comuns são a malária e, muito frequentemente, a tuberculose (TB). Também devido aos sintomas clínicos, os pacientes estão, por muitas vezes, desnutridos. 

9. Os governos de Bangladesh, da Índia e do Nepal chegaram a apresentar um plano para eliminar a doença até 2015. Esse plano ainda existe? É uma perspectiva realista?
Apesar das dificuldades para controlar a LV no mundo, há diversos fatores específicos que fazem com que a erradicação da doença seja factível no subcontinente indiano: os fatores biológicos incluem o ciclo em que os seres humanos são os únicos reservatórios e o mosquito-palha da espécie Phlebotomus argentipes o único vetor, novos e mais efetivos testes para diagnósticos e medicamentos são acessíveis e podem ser utilizados em campo. O mais importante, no entanto, é o forte comprometimento político e a colaboração entre os países. 

A iniciativa para eliminar a LV foi lançada em 2005 com a assinatura de um memorando entre os países citados. A meta era alcançar o objetivo em 2015, com a redução da incidência anual de calazar para menos de 1 em cada 10 mil pessoas em nível distrital ou subdistrital e reduzir a taxa de fatalidade. No entanto, a evolução do cenário está paralisada por diversos motivos e a erradicação da doença pode não ser alcançada em 2015.

10. Qual tratamento é utilizado no Brasil?
De acordo com as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os regimes de tratamento recomendados para a LV causada pelo L.infantum na América do Sul são à base da anfotericina B liposomal, antimoniais pentavalentes e o deoxicolato de anfotericina B.

http://www.msf.org.br/noticias/1662/perguntas-e-respostas-sobre-a-leishmaniose/?utm_source=facebook&utm_medium=social+media&utm_content=2013-05-20_leishmaniose&utm_campaign=facebook-noticias

sábado, 21 de abril de 2012

DESCULPEM EU ESTAR ‘GRITANDO’, MAS: CUIDADO! A LEISHMANIOSE MATA MESMO!




Agora, em primeiro lugar, é necessário tratar os animais doentes... Centenas e centenas foram eliminados... Mas, preciso da 'força' de todos os grupos, ONGs para CONSCIENTIZAR a SAÚDE PÚBLICA para a eliminação dos vetores! A isto chamo de MEDICINA PREVENTIVA, isto NÃO DEIXAR a doença se instalar! A população ignora, mas existem MUITAS PESSOAS com Leishmaniose, correndo risco de morrer... Esta patologia age silenciosamente no organismo, tanto dos cães quanto das pessoas... Pode parecer, inicialmente, um simples mal-estar!
As pessoas se preocupam, fazem o que podem (e sabem), mas os cuidados técnicos ‘estão’ sob o comando dos municípios, estados e federação! Eles possuem as verbas para as ações de controle e erradicação, mas há mais de 20 anos NÃO FAZEM O CORRETO, O QUE DEVERIA SER FEITO!!!!
Para isto é necessário o envolvimento de TODOS para cobrar estas ações!
Se APENAS tratar os animais doentes, APENAS colocar coleiras neles e deixar o mosquito se reproduzindo aos milhares... Tem mais: O mosquito precisa e vai sugar, pois é de sangue que ele vive...
Adivinha o sangue de QUEM o mosquito vai sugar e TRANSMITIR a patologia terrível, a Leishmaniose? Vai sugar O SEU SANGUE, DOS SEUS FILHOS, O MEU E DA MINHA FAMÍLIA!
O Ministério da Saúde, em sua “cômoda redoma” está lá, distante e despreocupado... Este órgão é de onde partem as ações voltadas à Saúde Pública de todo o Brasil. A eles compete determinar, fiscaliza e exigir que estados e município executem as ações corretas!
O Ministério fornece os insumos aos estados e municípios, mas aqui no Mato Grosso lamentavelmente a pessoa RESPONSÁVEL pelos 141 municípios insiste em manter uma metodologia incorreta e ineficaz, sendo que FAZER O CERTO seria o melhor, pois as cidades gastariam menos tendo que dar atendimento aos doentes, as empresas tem perdas, pois funcionário doente, seja por Dengue, Leishmanioses e outras doenças vetoradas por insetos representam perdas financeiras...
ESTA É A VERDADE:
Preste atenção!  Esta lista abaixo apresenta produtos químicos para combater a DENGUE e outros vetores, que cada Secretaria Estadual de Saúde solicita ao Ministério da Saúde, verifique que o inseticida correto e adequado para eliminar os vetores da Dengue faz parte desta lista e o MS fornece, basta solicitar!
Inseticidas, larvicidas e equipamentos enviados aos estados
Rondônia
9.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.000 quilos de Temephos²
3.600 quilos de Cipermetrina¹
10 nebulizadores portáteis motorizados
12 borrifadores manuais
5 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê
Acre
7.500 cargas de Alfacipermetrina¹
1.280 litros de Deltametrina¹
15.000 quilos de Temephos²
20 quilos Diflubenzuron²
Mato Grosso
6.000 cargas de Alfacipermetrina¹
6.380 litros de Deltametrina¹
30.000 quilos de Temephos²
Mato Grosso do Sul
33.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.700 litros de Deltametrina¹
50 quilos de Diflubenzuron²
16.000 quilos de Temephos²
25.021 quilos de BTI²
6 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê
Goiás
7.500 cargas de Alfacipermetrina¹
2.100 litros de Deltametrina¹
300 quilos de Diflubenzuron²
6.000 litros de Malathion¹
170.000 quilos de Temephos²
Minas Gerais
106.500 quilos de Temephos²
5.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.000 litros de Deltametrina¹
8.000 litros de Malathion¹
460 quilos de Diflubenzuron²
6.000 quilos Fenitrothion¹
26 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê
São Paulo
2.800 cargas de Alfacipermetrina¹
17.000 litros de Malathion¹
13.682 quilos de BTI²
4.000 quilos de Fenitrothion¹
15.000 quilos de Temephos²
8 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fuma
FONTE: SVS EM REDE é editado pelo Núcleo de Comunicação da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Por que este coordenador insiste no erro? É tão fácil corrigir! Será que não ‘pesa na consciência’ (se é que ele tem) as mortes pela DENGUE, a LEISHMANIOSE,  causadas pela ineficiência e inoperância de suas ações erradas????
Olha a situação epidêmica em Cuiabá, que se alastra por todo o Estado!
Já passou da hora de alguém tomar providências neste sentido! Ou ficaremos novamente (sob risco) assistindo a monumental e avassaladora epidemia que se alastra sobre o Mato Grosso?
E outro erro: Colocar o exército LIMPAR terrenos baldios, obrigação dos municípios! O trabalho (importantíssimo) do Exército seriam as estratégias de aplicação do fumacê, de FORMA CORRETA, com o óleo adicionado, para aderência, obedecendo a horário, velocidade e aplicações corretas!
Até quando a população permanecerá em silencio olhando seus filhos, sua família ser morta por um miserável mosquito e um incompetente e radical coordenador que não PERCEBE e CORRIGE OS ERROS cometidos?
Desculpem meus leitores, mas não estou aqui escrevendo para “passar a mão na cabeça” de ninguém! Acordem! Reajam! Cobrem as ações corretas!

quinta-feira, 22 de março de 2012

IMPRENSA OMISSA, APADRINHADOS POLÍTICOS E O RESULTADO:DENGUE


Acredito que cheguei ao LIMITE! Que existe aberrações comandando a Saúde Pública isto todos sabem! Mas não posso aceitar formadores de opinião especialmente a imprensa, ‘engolindo’ como verdades absolutas o que ‘embolorados ocupantes de cargos’, sem a menor qualificação a não ser aquelas qualidades (!) que içaram tais incompetentes ao poder!
A população segue, vendo adoecer e morrer por DENGUE, a cada epidemia, pessoas da família e,aparentemente atordoadas, calam-se ante os absurdos cometidos por indivíduos que ocupam cargos de fundamental importância na área de saúde...
Não pensam eles (população) em questionar quem delegou tais cargos, qual o político responsável por isto que se transformou o estado e TODOS os municípios do Mato Grosso!
               A imprensa crítica e investigativa estará adormecida? É o que parece! Não questiona a falta de ações concretas para ELIMINAR os vetores, que se reproduzem de forma assustadora e o que fazem os (ir) responsáveis além de gastar com a mídia? Por que a imprensa não questiona a falta do ‘fumacê’?  Não acredito que tenham aceitado a velha e vergonhosa desculpa que o ‘fumacê’ faz mal! Pessoa com algum resquício de inteligência sabe o que estou dizendo...
“Fumacê” faz mal... Ora, ora... O Brasil e, mais especialmente o Mato Grosso utiliza centenas de toneladas anualmente, de agrotóxico nas lavouras, nós nos alimentamos com carne, peixe e alimentos produzidos com muito agrotóxico... O número crescente de novos casos de câncer sinaliza algo muito errado ocorrendo!
Então, aceitar esta desculpa vergonhosa e não combater, não eliminar os mosquitos é um absurdo sem medida! É um CRIME!
Não estou criticando simplesmente. Não é meu estilo. Apresentei projeto com explicações claras e objetivas para eliminar este e outros vetores. Meu projeto foi descartado. Não bastasse isto, as retaliações contra minha pessoa aumentaram de tal maneira que abalou minha saúde. Isto não importa. O que interessa no momento, é que a imprensa “acorde e abra a boca”, questione, exija ações!
O governo federal fornece os veículos e os insumos corretos. Já há vários anos o Mato Grosso (e grande parte do Brasil) deixou de fazer o correto em relação aos mosquitos vetores e o resultado é este que ai está: Dengue, Leishmaniose, Malária, Elefantíase matando cada vez mais!

terça-feira, 12 de julho de 2011

A Leishmaniose continua, silenciosamente...

Uma amiga me ligou, assustada e preocupada: O marido está com Leishmaniose!



Está em tratamento e o medicamento faz lembrar um tratamento de quimioterapia, pela agressividade do medicamento utilizado!


É bastante difícil ao paciente, especialmente quando a pessoa não pode ficar sem trabalhar, tudo isto somado a dor e ao temor que a menção ‘Leishmaniose’ provoca, pois bem sabemos se tratar de uma grave e negligenciada patologia!


Lamentavelmente, a única efetiva ação realizada pelo Centro de Zoonoses, desde o surgimento desta doença, foi a sistemática ‘matança’ de cães, vítimas inocentes, igual à população, pois nem cães nem pessoas transmitem a doença! Quem transmite e DEVERIA ser eliminado é o mosquito vetor, o Flebótomo.


Trata-se de um pequeno inseto, o Flebótomo, (são mosquitos-hematófagos Phlebotominae-gênero Lutzomyia), vulgarmente conhecido por diferentes nomes: ‘queimador, asa dura, asa branca, tatuquira, birigui, cangalha, cangalhinha, ligeirinho, péla-égua, arrupiado, arrepiado, mosquito palha.


‘Queimador’ como o nome sugere, é devido ao fato que parece que queima como se enfiasse uma agulha quente no local.


Em nossa cidade várias pessoas foram infectadas e, muitos ainda não sabem, pois a doença age silenciosamente.Houve também muitos óbitos nos últimos anos!


Quanto aos cães, mesmo eliminados às centenas, continuamos a ver muitos circulando pela cidade, apresentando as características da doença.


Uma ação correta e inteligente seria a imediata ativação de uma sala cirúrgica, para castração de pequenos animais (cães e gatos) recolhidos nas ruas que, saudáveis, podem ser entregues para doação.


Não se trata de um projeto dispendioso para o município, visto que dispõe de médicos veterinários e para o bem estar da população, numa cidade do porte de Rondonópolis é inadmissível a falta deste serviço tão importante para a Saúde Pública!


Principalmente pela observação de muitos morcegos espalhados pelos bairros e centro da cidade o risco de casos de raiva fica bastante alto!


E, para solucionar este problema basta ATITUDE, artigo em falta no setor público...


Faz tempo que a Saúde Pública está entregue às moscas...ou pior: Aos mosquitos!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ANIMAIS DOENTES (E SADIOS) CONTINUAM NAS RUAS DE RONDONÓPOLIS


Lamentavelmente continuamos a encontrar centenas de animais (cães e gatos) abandonados nas ruas de Rondonópolis. Muitos apresentam o aspecto característico da Leishmaniose.

O Centro de Controle de Zoonoses que idealizei com tanto carinho não executa as ações necessárias e importantes para garantir a saúde animal, e as conseqüências são altamente prejudiciais tanto para a saúde animal quanto para a saúde humana!

Na Conferência Municipal de Saúde, em 1999 eu mesma coletei as assinaturas dos delegados para a criação do CCZ. Mas a unidade local deixa desejar em todos os sentidos, seja no atendimento, ou seja, nos serviços QUE DEVERIAM SER PRESTADOS...

O elevado número de eutanásias praticado contra os cães jamais irá solucionar o grave problema representado pela Leishmaniose!

Faz-se urgente e necessário eliminar o vetor (Flebótomo) que continua a proliferar de forma assustadora! O número de casos de Leishmaniose continua a aumentar, e também ocorreram inúmeros óbitos provocados pela doença.

UMA SALA DE CASTRAÇÃO DE ANIMAIS...

O Centro de Zoonoses possui profissional (médicos veterinários), dispõe de espaço, depende apenas da sensibilização do gestor municipal para disponibilizar este serviço à população!

Este investimento irá representar mais saúde para a população e para os animais.

Reduzindo a procriação dos cães e gatos dificilmente iremos encontrar animais abandonado, correndo risco de serem atropelados, ou mais grave ainda: Causar graves acidentes envolvendo motociclistas ou ciclistas.

Várias cidades brasileiras oferecem estes serviços, vou citar uma delas: Araraquara-SP.

O município, além de ofertar a castração gratuita dos animais possui também uma unidade volante para prestar o serviço à população.

E também oferece as vacinas (anticoncepcional) para os animais.

Na pré-conferência municipal de saúde apresentei a sugestão para que seja imediatamente oferecido tal serviço.

E apresento também a sugestão de uma unidade móvel de castração, pois as pessoas de menor poder aquisitivo sequer tem como se deslocar até o CCZ.

Uma campanha de cadastro e castração, amplamente divulgada, poderá diminuir consideravelmente o numero de animais abandonados, que circulam pela cidade.

domingo, 24 de abril de 2011

Combate à dengue?

Como o assunto "dengue" esta sempre em alta vou republicar este artigo...



Sob o título "Tecnologia ajuda no combate à dengue em Pernambuco" a notícia descreve "Uma das novas armas tecnológicas de combate à dengue é um aparelho, um pouco maior que uma caixa de sapatos, desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco. Ele faz a contagem dos ovos do mosquito da dengue com a ajuda de um programa computadorizado", 24/07/09.

Existe uma falha imensurável nas ações de controle de vetores patogênicos sejam eles Aedes, Flebótomos ou outros. Quem está dentro de laboratórios com verbas e equipamentos e poderia fazer alguma coisa para o efetivo controle vetorial fica inventando máquina de contar ovos de mosquito!

Outro detalhe preocupante: a declaração de uma técnica, que diz ter contado 3.912 ovos. "Demorou quase meia hora para contar tudo", e com o aparelho a contagem levaria menos de um minuto... É impossível contar manualmente em meia hora tal quantidade de ovos!

A mim parece que o essencial, o primordial, é eliminar os vetores!

As verbas para pesquisa estão sendo liberadas e utilizadas sem critérios, sem controle, ficar inventando armadilhas, máquina de contar ovos, etc., com inventos sem nexo! Isto é um crime, uma irresponsabilidade sem limites!

Enquanto isto inseto se prolifera de forma assustadora, os números aumentam ano após ano, pessoas são infectadas e reinfectadas. Formas mais graves, provocadas pelas reações durante uma 2ª infecção, dengue hemorrágica, Síndrome de Choque por Dengue, com o comprometimento de órgãos vitais causado pela replicação viral, são as denominadas "complicações da dengue", pois o vírus se multiplica dentro dos capilares sanguíneos de órgãos importantes tais como o pulmão, coração, cérebro, fígado, enfim órgãos viscerais do ser humano todos ricamente vascularizados que, com a intensa replicação viral, rompem causando hemorragias de menor ou maior gravidade onde a evolução dependerá das ações do profissional de saúde.

Centenas e centenas de pessoas infectadas pelo vírus da dengue buscam atendimento médico em postos de saúde, hospitais (na maioria destes com atendimento deficitário) enquanto isto é liberada verba para contar ovos de mosquito! O ideal, o necessário seria eliminar os mosquitos, garantindo assim, saúde para a população.

Ocorre que não há interesse em eliminar o mosquito dos "ovos de ouro", como já escrevi em artigo anteriormente, pois ele representa verba preciosa, verba esta que elege de vereador a presidente...

Beatriz Antonieta Lopes é bióloga, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso. E-mail: beatrizantonietalopes_ccz@ig.com.br

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UM CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES DEVERIA SER MAIS ATUANTE

     Quando, há vários anos atrás idealizei, coletei as assinaturas dos delegados, presentes no Fórum de Saúde Pública, que estava nos momentos finais e NINGUÉM havia lembrado de pedir a instalação de um Centro de Controle de Zoonoses, eu imaginei um órgão para zelar pela Saúde Pública, humana e animal!

Jamais pensei que iria virar um matadouro de cães! E muitos destes, mortos sem a devida comprovação laboratorial, (aliás, o correto ainda seria orientar para que o dono do animal procurasse um veterinário).

A Leishmaniose não teve início repentino. Há bastante tempo que se percebia cães pelas ruas com o aspecto da doença, tanto a visceral quanto a de pele. Casos humanos, pela demora de diagnóstico e a falta de profissional especializado na área, ocorreram e foram a óbito. Atualmente Rondonópolis conta com um profissional experiente e atento, o que tem salvado a vida de muitos pacientes, de Rondonópolis e região!

A Leishmaniose apresenta um quadro de grande importância, com inúmeras mortes humanas provocadas pelo mosquito Flebótomo... E o que tem sido EFETIVAMENTE feito para eliminar o vetor? Até agora a única providencia que tive o desprazer de acompanhar (e questionar!) foi a eliminação semanal de mais de uma centena de cães, vítimas inocentes do mosquito e da inoperância que se verifica na área de controle de vetores... Parece que o cão é maior que o mosquito, mais fácil de eliminar!

A Dengue é este desastre: Seqüenciais epidemias, e fora do período epidêmico sempre surgem novos casos, mostrando a presença constante do vetor na região. O mesmo grupo atuante (?), os mesmos coordenadores ali estão já há bastante tempo, e a atuação deixa muito a desejar... Os produtos químicos ineficazes, mas ainda assim muito tóxicos ao homem e aos animais, já há muito deveriam ter sido substituídos por produtos adequados para mosquitos.

Estas ações, digamos, “equivocadas” da coordenação do CCZ local, e não vamos nos esquecer de onde partem as determinações e quem as coordena: o coordenador da Vigilância e Saúde Ambiental, órgão estadual, senhor Oberdan Lira, que responde por todos os municípios do Mato Grosso. Este coordenador parece não ter “sido cobrado” pela ineficácia das ações que ele insiste em manter, nem pelos seus superiores nem pela população...

Independente disto, cada coordenação municipal tem o DEVER de, percebendo a ineficácia das ações e produtos utilizados questionar o Estado e solicitar, sugerir e até mesmo exigir a substituição dos insumos.

Bastaria ler e analisar: Está bastante claro que os derivados de piretróides funcionam na eliminação de animais rasteiros, que ‘andam’! A população percebeu este efeito, mesmo sendo leiga no assunto, que após as aplicações realizadas pelo CCZ, morrem centenas de baratas, formigas, aranhas e cupins... No entanto, os mosquitos ‘somem’, durante 03 dias isto é são repelidos temporariamente, depois retornam, com mais fome de sangue!

UM CENTRO DE ZOONOSES NECESSITA TER UM DEPARTAMENTO DE ENTOMOLOGIA

Deve ser um departamento competente e dinâmico, em constante vigilância para, ao menor sinal da presença de vetores agir rapidamente, controlando assim, a entrada de novos vetores patogênicos. O número de Aedes não irá reduzir de forma ‘mágica’ se as providencias para o controle continuarem como estão...

Quanto ao flebotomíneos, estes continuam a aumentar e causar graves problemas ao homem e aos animais, pois o que se vê são cães doentes e novas pessoas com exames positivos para Leishmaniose!

E o surgimento de diferentes vetores patogênicos exige ações de controle imediatas!

A importância de um CENTRO de CONTROLE DE ZOONOSES está no fato de que, casos as ações fossem desenvolvidas corretamente, teríamos como resultado um município saudável.

Pelo CCZ deve ser realizado o controle não só dos insetos vetores de patologias como a Dengue, Elefantíase, Chagas, Malária e Leishmaniose, esta última envolve, além do homem, cães e pequenos animais selvagens, que funcionam como reservatórios, ratos, morcegos e outros animais peçonhentos devem ser monitorados com muita atenção!

IMPORTANTE: Muitas pessoas pensam que o cão ‘passa’ a Leishmaniose para as pessoas. Isto não é verdade! O cão no seu quintal, além de proteger sua residência ainda protege sua vida, pois o mosquito em busca de sangue suga o cão, uma vítima inocente. Não tendo o cão no quintal o mosquito ENTRA na sua casa e suga o sangue da sua família! Existe uma coleira repelente, que ‘espanta’ o inseto, chamada Scalibur. Não Mata o mosquito, apenas repele!

Chagas, cujo vetor é um triatomíneo (barbeiro), está em situação de descontrole, com denúncias da presença do vetor em diferentes pontos da cidade.

Morcegos, diretamente envolvidos na transmissão da raiva, que atinge cães, gatos, cavalos, bois e o homem.

Acidentes envolvendo aracnídeos, escorpiões, lacraias, cobras etc.

Sendo então o CENTRO de CONTROLE DE ZOONOSES uma referência de onde partem determinantes e condicionantes para a saúde coletiva existe a necessidade de atenção especial para que o trabalho seja desenvolvido com agilidade, dando resposta imediata, ao primeiro sinal de inicio de problema.

PROMOTOR DE JUSTIÇA DA DEFESA DA CIDADANIA E DO CONSUMIDOR:


Ontem, dia 21 de outubro ocorreu a reunião, convocada pelo Promotor de Justiça da Defesa da Cidadania e do Consumidor Doutor Ari Madeira Costa, com os presidentes de bairro. O Doutor Madeira apresentou dois pontos importantes:

1-O morador tem a obrigação de ‘checar’ seu quintal, remover todo possível criadouro.

2-O Presidente de cada bairro, juntamente com a diretoria, deverá verificar situações de risco, e notificar a Vigilância Sanitária e a Promotoria, para as devidas providencias.

Outras reuniões estarão ocorrendo em nossa cidade, visando a redução do elevado número de casos de Dengue. A cada ano ocorrem óbitos, pelas complicações hemorrágicas desencadeadas pela patologia.

LEMBRE-SE: O mosquito é ainda, o melhor estrategista!














quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CRIADOUROS DE MOSQUITOS VETORES

Mosquito da DENGUE nasce no interior das residências?



Não, o mosquito ENTRA nas casas, atrás de pessoas para sugar o sangue! São raros os casos em o inseto nasce no interior das residências.



Existem milhares de criadouros espalhados pela cidade...



Certos coordenadores desinformados costumam justificar a própria incompetência, acusando a população pela proliferação do inseto, algumas pessoas realmente colaboram para isto, mas a maioria cuida!



Um destes coordenadores declarou: "O fato de irmos à casa das pessoas para levar o larvicida fez muita gente ficar esperando a volta do agente”. Mas ele esquece que o agente é pago para ir examinar casa a casa? Lamentável mente, são cargos políticos, indicados por vereadores e muito são responsáveis e trabalham, mas outros apenas ganham, não trabalham!



A irresponsabilidade de quem está no comando das ações é incrível! No residencial Marechal Rondon onde houve casos e óbitos por Leishmaniose, um destes coordenadores após o plantio de grama na praça, decidiu colocar folhas em decomposição, sobre a grama!



Ora, será que ele não sabe que o mosquito vetor da Leishmaniose nasce sob folhas caídas no solo? Então a proteção da grama tem um custo: Novos mosquitos foram ‘transportados’ do local onde estavam para o bairro, aumentando assim o problema já existente e não resolvido!



Aliás, este problema teve início já há alguns anos, e que deveria tomar providencias nada fez. E pior: Omitiu o fato à população e a classe médica



que, caso soubesse o que estava ocorrendo, teria o diagnóstico facilitado, contribuído para que o paciente recebesse rápida atenção adequada, evitando assim a evolução para um quadro mais grave e o óbito.



De tudo, uma das coisas mais terríveis são algumas pessoas que sabem o que deveria ser feito, mas preferem enterrar a cabeça num buraco e calar... Desculpo aquele funcionário que passou pela vida, sem estudar, sem se reciclar, e permanece ignorante e atrasado... Este não tem jeito mesmo!



Mas aquele que sabe e cala ou pior, se une aos considerados ‘poderosos’, para apoiá-los, bajulando, buscando assim ‘ficar bem’ com a chefia, inoperante ou mal intencionada, este sim é o pior!



Seja apenas por omissão, ou seja, para não precisar trabalhar, seguem assim, omissos e calados! Sabendo o que e como devem ser desempenhadas funções tais que delas depende a saúde e a vida da população, mas calam, consentindo que o erro prejudique inclusive sua própria família...



Nos últimos 20 anos uma sucessão de erros ou equívocos, como queiram, vem sendo responsável por milhares de pessoas que são infectadas pela DENGUE, MALÁRIA, LEISHMANIOSE, CHAGAS e outras patologias transmitidas por insetos vetores.



De forma consciente afirmo que, se não forem tomadas as medidas necessárias teremos mais e mais óbitos para lamentar. Muitas epidemias. O retorno de inúmeros vetores é preocupante!



É evidente que é mais cômodo permanecer em silencio! Dá menos trabalho... O trabalho executado anteriormente era penoso e exigia uma grande dose de sacrifício. Hoje? Cumpre-se o horário e só. Servidores com amplo conhecimento assistem o desenvolvimento de ações sem eficácia e calam. É mais “confortável”...



Ou tomam atitudes ‘mais fáceis’: Aliando-se aos ‘empoderados’ se voltam contra o considerado ‘mais fraco’. Movimentam sindicatos para ‘defender a categoria’, para se defender da responsabilidade, falando um português mais claro: Falta vontade de trabalhar? Então cai fora, abre espaço para quem queira fazer o trabalho corretamente.



Órgãos responsáveis (Federal, Estadual, Municipal) devem, urgentemente, organizar concurso público, capacitar novos servidores para o desenvolvimento de trabalho de combate a vetores.



Minha opinião é de que o governo federal convoque os antigos servidores da extinta SUCAN que ainda não se aposentaram e que hoje prestam serviço como motorista para o município e absorva o conhecimento que eles possuem, assim que passar o período político eleitoral seja aberto um concurso para agente de endemias e os antigos servidores ministrem cursos e orientação aos novos agentes.



Uma revisão no MANUAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE se faz necessária, pois alguns conceitos sobre índices de IP (infestação predial) que os gestores municipais seguem estão equivocadas. 1 % de Infestação Predial é ALTO RISCO, entretanto o estado, mesmo apresentando índices acima de 14%, acredita que as ações desenvolvidas estão corretas.



Sei que sou uma voz dissonante em meio aos desmandos administrativos, mas como profissional não posso calar perante o risco que a população corre! Eu poderia dizer ‘lamento incomodar’... Mas não, eu faço minha parte!



O que população deve fazer? Continuar a manter limpo o quintal e buscar seus direitos na Promotoria, que deve garantir ao cidadão o direito à saúde!








domingo, 16 de maio de 2010

DENGUE E LEISHMANIOSE: ORIENTAÇÕES

       A relevância da orientação e informação adequadas tem peso fundamental tanto no que se refere à prevenção quanto à gestão de epidemias.


A DENGUE retornou ao nosso país há mais de 20 anos e foi se instalando nos municípios.

      Surtos epidêmicos ocorreram em alguns estados e não chegaram a chamar atenção embora já no início ocorressem casos graves e óbitos, pois algumas pessoas já com a saúde debilitada ou por confundir a doença com outras patologias de origem febril, a trataram de forma errada.

      Recordo que em 1993/94 houve em Rondonópolis uma grande epidemia, com muitas pessoas infectadas pela Dengue, e já com alguns óbitos, mas as dúvidas e/ou desconhecimento quanto à doença eram quase totais, o que, certamente, gerou um enfoque equivocado na condução e tratamento dos casos.

     A atenção para as emergências epidemiológicas deve ocorrer de modo contínuo e sistemático com o aperfeiçoamento dos mecanismos de identificação das emergências epidemiológicas, concorrendo para isto a capacitação do profissional da área médica. Isto – ressalte-se – é importantíssimo!

     Em Rondonópolis dispomos de um médico infectologista, atendendo nossa cidade e vários outros municípios, que aqui buscam atendimento, o que se dá através de encaminhamento seja do clínico geral ou outro médico ao identificar a importância do quadro do paciente.

     Acontece que muitos não buscam atendimento e outros recebem o diagnóstico vago: “É uma virose...” e sequer são encaminhadas para as sorologias, importantes e necessárias.

     Volto a frisar: as sorologias são importantes e necessárias!

     Não interessa a demora no resultado!

     Estes exames são importantes para o paciente, pois em caso (e muitos tiveram) de uma segunda Dengue, eles deverão receber maior atenção. São importantes também para a Saúde Pública, devido à necessidade da notificação ao Ministério da Saúde. Não existindo a notificação, até os repasses de recursos diminuem, aumentando ainda mais o problema.

     A DENGUE inicia de modo repentino. Estado febril (a temperatura é sempre alta), dor de cabeça, nos olhos, no corpo, mal-estar geral. Outras patologias cursam com sintomas semelhantes e devido a isto é importante a consulta, a orientação médica e o exame sorológico.

     Outro grave equívoco que ocorre: o uso abusivo do Paracetamol (Tyllenol)!

- É bom pra dengue, eu comprei e já estou tomando...

É comum se ouvir isso.

     Quando há a prescrição médica é de oito em oito horas; o uso errado poderá causar graves danos ao fígado e ao sistema renal. Muitas pessoas costumam utilizar tal medicamento para todo e qualquer mal-estar, indiscriminadamente. Lembro também que o Paracetamol faz parte da composição de inúmeros medicamentos!

Quando à LEISHMANIOSE, é uma doença silenciosa.

Na maioria das vezes, a pessoa nem percebe quando foi infectada.

     Uma febre baixa, tosse seca, gânglios inchados debaixo dos braços e no pescoço; pode ocorrer, mal-estar, dores no corpo, diarréia num dia ou dois, e melhora. Mas o protozoário já está no organismo do individuo, agindo silenciosamente, por um tempo que pode envolver meses ou anos.

     Conforme os professores doutores Éderson Akio Kido e Paulo Paes de Andrade: “A Leishmaniose começa com sintomas que despertam pouca atenção, e que vão avançando até deixar a pessoa tão fraca que pode levá-la a morte. As principais vítimas são as crianças. Adolescentes e adultos também são afetados, embora em menor número. Um rápido diagnóstico é importante e os profissionais da área de saúde, familiares e amigos, podem ajudar se souberem como identificar”.

     Geralmente, começa com uma febre que pode durar horas ou o dia inteiro, não é muito forte e se apresenta quase todos os dias. A criança com febre procura abrigar-se do vento e sentar-se ao sol. Dias depois, ela perde a vontade de brincar, passando a maior parte do tempo sentada ou deitada, e deixando de se alimentar direito. Posteriormente, passa a ter tosse, fica pálida, com os lábios descorados, o cabelo sem brilho, perde muito peso, e a barriga cresce. A febre continua, e um longo cansaço a impede que brinque, vá à escola ou faça as suas tarefas, explicam eles.

     A relevância do exame é fundamental e pode ser feito pela mãe, o pai ou o agente de saúde e vai verificar que há algo duro e crescido no lado esquerdo da barriga da criança, que sai de trás das costelas e pode ir até abaixo do umbigo, nos casos mais graves. O médico, ao deitar a criança (ou adulto) perceberá que o baço e o fígado estão aumentados e deverá solicitar as sorologias.

     Torna-se importante a observação: um leve aumento de temperatura, emagrecimento, crescimento do abdome não costuma impedir a vida normal, e a pessoa prossegue suas atividades. Mas enquanto isto a doença prossegue e não sendo diagnosticada logo, sem o tratamento correto, poderá evoluir para um quadro grave.

     A orientação é procurar os Postos e PSFs, relatando ao médico a ocorrência dos sintomas acima descritos. E, com o tratamento adequado, à doença tem cura!

     A Leishmaniose não iniciou agora, repentinamente. O inseto vetor está presente em nosso meio há vários anos, com alguns casos ocorrendo anualmente. Mas a partir de 2007 o número aumentou.

     Centenas de cães doentes foram mortos e surgem novos animais doentes a cada dia. É muito triste ver um animalzinho de estimação, que está com a família há muito tempo, ser sacrificado. Como já escrevi em artigos anteriores (Artigos.com, ou em meu blog Vetores Patogênicos, blog Abril), os cães são vítimas inocentes assim como nós.

     A eliminação do vetor começa na casa de cada um com a limpeza de folhas no quintal. Talos e folhas de bananeira devem ser removidos, restos de lixo em locais sombreados, a criação de animais de sangue quente: deve ser evitada (flebótomos tem predileção por galinha, cavalo e burro, além do cão).

Importante: quem transmite a doença não é o cão!

     É o Flebótomo, um mosquito muito pequeno, que costuma atacar à noite e de manhã bem cedo. Seu vôo é saltitante e muito rápido. A picada é dolorida, ‘queima’.

     Lamentavelmente tanto a DENGUE quanto a LEISHMANIOSE estão presentes em nosso município (e em muito locais no país).

     Descaso e falta de atenção pelo poder público ao longo dos últimos anos, erros no enfoque no combate ao vetor e está aí o resultado. Para mudar esse quadro, novas ações (e o retorno de outras atividades que eram eficazes e foram abandonadas) e poderemos ter em nosso município uma população saudável, livre de mazelas...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DENGUE: ÉTICA & CIDADANIA

Os conceitos relativos a estes temas são, muitas vezes, deturpados ‘em nome da ética’. Falsa ética. Algumas pessoas entendem equivocadamente. A omissão de fatos importantes para a comunidade em nome da falsa ética ocorre incontáveis vezes.


Verdades são camufladas e mascaradas usando a desculpa da ética. Que estranha ética é esta?

A população tem o direito de saber o que está ocorrendo, para assim se proteger e a seus filhos.

Ética é tudo que envolve integridade, é ser honesto em qualquer situação; é ter coragem para assumir seus erros e decisões, ser tolerante e flexível, é ser humilde! Ser ético, então, é ser cidadão!

“O código de ética profissional, reúne um conjunto de normas derivadas da ética, frequentemente incorporados à lei pública. Assim, os princípios éticos passam a ter força de lei, e seu estudo tem alta probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam fatos relativos à conduta profissional. O não cumprimento dos princípios éticos pode resultar em sanções executadas pela sociedade profissional, e suspensão temporária ou definitiva do direito de exercer a profissão.” *

O que é ética: “A ética profissional pode ser representada pelo varredor de rua, que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água da chuva; o auxiliar de almoxarifado, que verifica se não há umidade no local destinado para colocar caixas de alimentos; o médico cirurgião, que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia”. **

O que é cidadania: “Cidadania é o conjunto de direitos e deveres, que regem a vida e o modo de atuação de um indivíduo na sociedade. É através da cidadania que o indivíduo pode exercer seu papel fundamental no desenvolvimento da sociedade, lutando por melhores garantias individuais e coletivas, por direitos essenciais como: o direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade e a todos os valores civis, políticos e sociais que equilibram a vida em sociedade”. ***

Quando escolhemos a nossa profissão, passamos a ter deveres profissionais obrigatórios. No caso do Biólogo: Bio= vida e logos= estudo. Então o biólogo estuda, pesquisa e preserva a vida!

Mesmo que você exerça a sua atividade funcional fora da área de sua formação, não quer dizer que você não tenha deveres e obrigações a cumprir com ela. Tem de ter coragem para assumir as decisões - mesmo que seja contra a opinião alheia, especialmente quando da sua atitude depende a vida, seja ela humana ou animal.

Como Bióloga, devo agir de acordo com meus princípios, ter integridade e responsabilidade. Como cidadã, devo exercer minha cidadania de forma que possa garantir direitos essenciais tais como: o direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade e a todos os valores civis, políticos e sociais.

Não é o que está acontecendo hoje. Como Bióloga e pesquisadora, alertei e sugeri providências, pois sabia que uma grande epidemia de Dengue se aproximava.

Discordo das ações desenvolvidas nos últimos anos no Mato Grosso pela ineficácia já comprovada e jamais escondi minha preocupação com a situação em nosso município, preocupação que, lamentavelmente volta a se confirmar, com o elevado número de casos de Dengue.

Vários casos de FHD (Febre Hemorrágica da Dengue), casos de SCD (Síndrome de Choque da Dengue), e o município mais uma vez, precisa tentar ‘consertar o estrago’ causado pelo trabalho ineficiente, sem técnica, totalmente carente de visão objetiva para perceber o equívoco e mudar o enfoque.

Esta epidemia poderia ter sido evitada. Eu alertei sobre o risco dela acontecer. Lamentavelmente a arrogância de ‘gestores’ ou pseudos gestores é hoje responsável por muitas famílias chorarem a morte de familiares, eliminados por um maldito mosquito!

Muitas pessoas com dengue, assustadas, com muito medo. E com razão! Existe um vírus envolvido nesta patologia e pode ser mortal!

Tentei de forma ética, objetiva, exercer minha cidadania: coloquei meu trabalho, minha pesquisa à disposição, para evitar a epidemia. Mesmo com ela já iniciada, ainda insisto sobre como conter seu avanço, o aumento do número de casos.

Mutirões aleatórios, mais para a mídia do que para uma ação eficaz, pois fazer um bairro e deixar o resto da cidade “à deriva’, de nada resolve. A necessidade de eliminar o inseto adulto é fundamental! Milhares de fêmeas Aedes continuarão depositando seus ovos nos mais variados criadouros. Quando terminar a temporada das chuvas os ovos estarão ali, a espera do novo ciclo das chuvas.

E tudo recomeçará. Mais dengue! E, mesmo sabendo que as chuvas são fenômenos naturais da natureza, e uma característica de nosso estado, este grupo que coordena (?) as ações de controle do vetor fica surpreso (com a chuva que se inicia!) e culpa a chuva e a população pela proliferação do mosquito...

Realmente demonstrando um conhecimento obtuso e confuso, num setor responsável pela saúde da população, o controle de vetores patogênicos deixa muito a desejar, com o retorno de patologias como a Leishmaniose, Malária, Chagas, Elefantíase e a Dengue, que a cada epidemia infecta mais e mais pessoas.

Um coordenador, escasso de conhecimento técnico, em plena epidemia, costuma sugerir às famílias que plantem citronela! Ora, ora... Neste caso o que posso dizer? Vamos comparar: isto é como entregar um ‘estilingue’ a cada policial e mandar para a favela combater traficantes!

Diariamente acompanho famílias onde alguns (ou todos) os membros estão com dengue.

As providencias tomadas? Uso indiscriminado de piretróides com efeito de repelência, altamente tóxico para as pessoas, animais e meio ambiente, e também o uso de produto indicado para matar baratas!

Assim, de forma ética e consciência cidadã, volto a sugerir mudanças imediatas nas ações para evitar que mais famílias chorem a morte de pessoas queridas
*wikipédia ** Glock & Goldim ***(canalverdetv)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

CUIDADO! “VIROSE” PODE SER DENGUE

Outro agravante detectado para a subnotificação e a desinformação em nossa cidade (e país), é um especialista que tem um diagnóstico na ponta da língua. Veja o diálogo a seguir, registrado num dos mutirões da dengue. Em bairro de nossa cidade, conversei com algumas pessoas e, a pergunta que fiz, foi simples e básica:
--A senhora já teve DENGUE?
--NÃO! – Negativa feita rapidamente.
--Alguém de sua família teve?
--NÃO!!! – Sempre uma resposta negativa...
Mas, ao perguntar:
--E virose?
- Ah, sim! O médico disse que eu estava com virose... meu marido e meu filho estiveram com virose no inicio do mês...
E assim tem sido com cada pessoa que já entrevistei.
Este especialista, o chamado “Dr. Virose”, lamentavelmente está por aí diagnosticando “virose” para toda e qualquer etiologia febril. Sem exames ou investigação mais aprofundada, rabisca uma receita de Paracetamol (Tyllenol) e dá por terminada a consulta, sem solicitar sequer um hemograma...
Também tem sido atestado como “virose” a Leishmaniose. O que é um equívoco gravíssimo, pois tal patologia não é de origem viral, já que se trata de um protozoário da família Tripanosomatidae. E a demora na identificação da doença pode colocar a vida do paciente em risco.

A falta de exames específicos gera subnotificação e, pior: com isto ocorre uma redução no repasse das verbas ao município. Essa perda é ruim para nossa cidade. E a perda maior quem sofre é a população, pois existe a doença camuflada como “virose inespecífica”, superlotando o Pronto Atendimento, que, numa sistemática gerencial equivocada fica com menor verba para cuidar da sua saúde.
Sabe-se, a cada ano, que muitas pessoas tiveram Dengue e a falta de comprovação laboratorial omite números ao Ministério da Saúde (MS), Organização Pan Americana de Saúdes (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS). A desinformação existente fez com que eu, há 16 anos, recém chegada ao Mato Grosso, ao sofrer a 1ª Dengue aceitasse a explicação de que “não adiantaria fazer o exame, pois até que o mesmo ficasse pronto eu já estaria bem”..
O médico DEVE solicitar as sorologias necessárias, bem como o isolamento viral, para identificar se o paciente está passando sua 1ª, 2ª ou 3ª Dengue, mesmo que demore até 03 meses (absurdo!) para ficar pronto o exame.
Ter este resultado é importante devido às seqüenciais epidemias que ocorrem em nosso estado (e no Brasil todo), até mesmo para auxiliar o atendimento médico em caso de evolução hemorrágica.
Sempre é importante recordar que o inseto vetor da Leishmaniose está envolvido em outra letal infecção bacteriana, a Bartonella bacilliformis ou febre de La Oroya, uma doença típica da região dos Andes, na província de Madre de Diós, que faz fronteira com o Brasil. (Anna Paula Buchalla e Giuliana Bergamo-TERRA É O PARAÍSO) e poderá rapidamente estar entre nós, matando!
E é bom repetir que as ações até hoje realizadas se revelam ineficientes, pois não eliminam os vetores, se fazendo necessária uma URGENTE revisão dos conceitos, que determine a mudança do atual modelo de controle, caso contrário epidemias se sucederão, uma após outra e o número de óbitos será bastante elevado.
A principal mudança deverá ocorrer em relação aos inseticidas utilizados, que, além de ineficazes são inadequados e, em não funcionando, deixam prosperar a justificativa errada de “que o inseto adquiriu resistência”!!!
O enfoque dado pelo sistema de Vigilância Epidemiológica brasileira deixa muito a desejar e o aumento dos números de casos comprovam isto (sejam eles de Dengue, Leishmaniose, Malária, Esquistossomose, Chagas). Se o modelo atual está errado por que continuar com ele?
Faz-se urgente uma revisão nos inseticidas utilizados nesses últimos anos bem como se corrigir o erro de aplicações eventuais, aleatoriamente, sem a continuidade exigida.
A desculpa usada é a de que “o inseto adquiriu resistência” e isto mostra o descaso, a irresponsabilidade de quem está à frente das ações (MS), que nem pára para pensar, pois já deveriam ter ocorrido mudanças de procedimento frente aos números de infectados anualmente, com as epidemias se intercalando.
“Nesta perspectiva, nossa preocupação volta-se não apenas para a manifestação dos casos de doenças, mas, principalmente, para os contextos de vida, aos ambientes e aos mecanismos pelos quais se reproduzem e são renegociados constantemente os processos endêmico-epidêmicos. (Rosely Magalhães de Oliveira). Cad. Saúde Pública vol.14 supl.2 1998
“O interesse volta-se menos para as causas das doenças e mais para os processos e os efeitos desencadeadores dos problemas de saúde” a partir daí podemos analisar, no caso da leishmaniose, o porquê da eliminação dos cães e não dos mosquitos: Ai reside um grande equívoco em que persistindo irá ter proporções inimagináveis. Sempre pergunto: e quando se eliminar o último cão se irá eliminar os animais silvestres e, depois? Muitas pessoas estão infectadas... Serão os próximos?

Definições:
“Endemia”: O dicionário define como doença própria de uma região, que se manifesta constantemente.
“Epidemia”: Doença contagiosa que atinge rapidamente pessoas de uma região.
“Epizootia”: Doença que atinge, ao mesmo tempo, um grande número de animais de um mesmo lugar.
“Protozoário”: qualquer animal unicelular. Ex: Amebas.
“Vírus”: Agente infeccioso, microscópico, causador de várias doenças (AIDS, gripe...) e provoca produção de anticorpos, para combater os antígenos invasores.
É permitida a utilização parcial ou total desde que citada autoria e fonte.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Leishmaniose Canina - Parte II

Encontrei o blog de Camilli, gostei muito e estou publicando aqui seu artigo Leishmaniose Canina - Parte II , pois esclarece, de maneira simples várias dúvidas sobre esta patologia.

(15 de Dezembro de 2008)
A leishmaniose é transmitida por um mosquito.

O flebótomo tem um ciclo de vida único e conhecê-lo é importante para que possamos fazer nosso "dever de casa" na prevenção do mosquito.

Ciclo do flebótomo

- As fêmeas colocam em torno de 50 ovos, por vez, em locais quentes e úmidos, ricos em matéria orgânica. Estes locais "quentes e úmidos, ricos em matéria orgânica" são o entulho acumulado no seu quintal ou o lixo no lote vago ao
lado de sua casa, a linda cerca viva que cresceu junto ao muro, aquele xaxim quase esquecido...
- As larvas e pupas utilizam essa matéria orgânica para se alimentar.
- Os mosquitos adultos vivem por, aproximadamente, 20 dias. Depois de 72h que picam alguém (CÃO ou HUMANO) infectado com LEISHMANIOSE, tornam-se aptos a transmitir a doença enquanto estiverem vivos.

Perguntas interessantes:
1) Por que não há um trabalho do governo de pulverização de inseticidas para eliminar o mosquito?
Resposta do Dr. Leonardo Maciel: Porque a leishmaniose é a 6ª na ordem das "necessidades urgentes" de doenças transmitidas por mosquitos. A 1ª é a dengue, depois vêm a febre amarela, malária... Tem que haver surto de 05 (cinco) doenças antes, para que o governo se mobilize! Mesmo assim, questiona-se a eficácia das pulverizações e os riscos para a saúde.

2) Por que é tão difícil controlar o mosquito?
Resposta do Dr. Leonardo Maciel com complemento meu: Porque as pessoas têm dificuldade de tirar uma latinha que acumula água de dengue... imagine limpar um quintal inteiro?// O mosquito invadiu as cidades porque foi expulso de seu habitat natural. Ele também está tendo que se adaptar a novas mudanças. Entretanto, está em franca vantagem, uma vez que reproduz-se muito mais rápido que nós ou os cães, e isso permite que - através de mutações - adapte-se mais facilmente a este novo "ecossistema urbano".

3) Exterminar cães soropositivos resolve?
Resposta do Dr. Leonardo Maciel: Depende. Em uma cidade de 1000 habitantes, se o diagnóstico e a eutanásia forem feitos em apenas 1 semana, é bem provável que os índices da doença se reduzam drasticamente. Mas, numa cidade como Belo Horizonte - MG, com quase 3 milhões de habitantes, é impossível fazer o diagnóstico e eutanásia em tão pouco tempo, de todos os cães infectados. Aliás, a prefeitura tem aparecido na casa dos proprietários para "buscar os cães doentes", 8 meses depois da coleta do sangue. Durante todo este tempo, eles estão transmitindo a doença.

4) Existe tratamento para a leishmaniose?
SIM, existe! O tratamento não elimina a leishmania do organismo, mas impede que o cão transmita a doença a outros cães ou a seres humanos - por isso o tratamento deve ser feito por toda a vida. Mas, algum infeliz do nosso governo deu uma "canetada" e proibiu o tratamento da doença. Teoricamente, desde de agosto deste ano, todos os cães diagnosticados com a doença, devem ser eutanasiados. Não há cura para a leishmaniose. A leishmaniose é uma doença crônica, como a diabetes ou a hipertensão, ou seja, exige tratamento por toda a vida. Mas, a Associação Bichos Gerais em conjunto com a Anclivepa entrou com uma ação liminar contra essa medida. Vamos torcer pelos animais.
Postado por Camilli Chamone às 6:23 PM

sábado, 3 de janeiro de 2009

OLHA A ALEGRIA E A VITALIDADE DO SPOT


MEU AMIGO SPOT

Olhar nos olhos dele e mandar para o sacrifício? Perfeitamente saudável? Hora de repensar, minha gente! Depois de eliminarem todos os cães, vão começar a eliminar as pessoas?



Só quero dividir a alegria de meu cãozinho que, segundo a zoonose, estaria com leishmaniose. A outra foto é de mais ou menos 5 meses, no artigo anterior, logo após o "diagnóstico"...


e esta, tirei hoje, 03/01/2009.


Dá para perceber a alegria e saúde dele? Ele usa a coleira scalibur. Mas ela apenas serve de proteção, repele os Flebótomos, não os elimina.








terça-feira, 2 de dezembro de 2008

LEISHMANIOSE: A DOENÇA CONTINUA SE ALASTRANDO

Relatos de casos de leishmaniose aumentam, causando temor na população a presença constante do Flebótomo vetor da doença.
Em Rondonópolis muitas pessoas foram infectadas e vários óbitos ocorreram; centenas de cães foram sacrificados... E os mosquitos, continuam por aqui!
O CZZ (Centro de Controle de Zoonoses) deveria recolher os cães, realizar exames, e, copiar o modelo utilizado pelo CZZ de Campo Grande, MS, cujo projeto iniciado em 2007, dividido em 04 etapas, programou, na primeira, 92 mil cães para receberem a coleira protetora contra o flebótomo; prosseguindo com mais 121 mil cães encoleirados na segunda etapa e atingindo 80 mil na terceira, o programa prevê uma quarta ação com outros 121 mil cães recebendo a coleira protetora.
A coleira funciona como repelente para o mosquito (proteção para o cão), evitando, assim, a eutanásia do animal.
A outra providência, prioritária, é eliminar o mosquito! Apesar de todos os alertas que tenho feito, inclusive com pedidos de providências e denúncias à promotoria pública sobre o uso de inseticidas inadequados, as coisas permanecem do mesmo jeito...
Para os cães existe esse paliativo.
E para as pessoas?
Não sei, mas além de serem acusadas pela presença do mosquito, taxadas de relaxadas por quem deveria cuidar e eliminar este e outros vetores, aproxima-se a hora de cada um de nós pôr uma coleira protetora no pescoço!
Enfim... Poderá ser uma solução, a menos que cada um, exercendo seu direito de cidadão venha a exigir solução imediata, com a eliminação correta dos mosquitos!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A SAÚDE QUE MERECEMOS

Ocorreu, dias atrás, uma “passeata de desagravo” aos profissionais da saúde. Correto! Pois eles realmente trabalham! Aliás, grande maioria trabalha em condições adversas, sem meios ou materiais para proporcionar o atendimento que a população tem direito!

Médicos em número insuficiente para receber não só a demanda que ocorre no município, parte devido aos desmandos na condução das ações necessárias e essenciais ao atendimento a que o cidadão tem direito, mais os pacientes oriundos dos municípios vizinhos em função do Consórcio de Saúde.

Funcionários da saúde ficam de “mãos amarradas”, sem ter o que fazer frente às centenas de pessoas que buscam atendimento.

Tristes casos ocorrem, como o daquela jovem que chegou cedo ao PA, passando mal, com muita dor e ficou esperando atendimento até à noite, quando morreu! E por um problema tão simples: apendicite.

Puxando a passeata, uma das coordenadoras da saúde, que há muito colocada à frente no controle das doenças causadas por vetores (Dengue, Leishmaniose, Calazar), se registrando muitas ações equivocadas na condução do combate deles, falhas determinantes a que muitas pessoas tivessem dengue, ocasionando vários óbitos.

E o mais grave: o Flebótomo, responsável pela Leishmaniose, que fez várias vitimas fatais em Rondonópolis, continua se reproduzindo e infectando pessoas, silenciosamente. E, às vezes, até que a doença seja descoberta, a evolução poderá ser fatal.

Há muito tempo venho pedindo providências em relação aos vetores patogênicos ao homem e animais domésticos (como é o caso dos milhares de cães infectados pela Leishmaniose e sacrificados, eles que são também vitimas inocentes, como nós).

A população de Rondonópolis tem direito à saúde e este direito passa pelo controle de vetores que deveriam ser eliminados garantindo assim uma vida mais saudável à população.

Pergunto: depois de eliminar o último cão de nosso município, seguindo seu raciocínio, partirá para a eliminação dos animais silvestres ou selvagens, muito próximos de nós? Gambás (marsupiais) são reservatórios para as Leishmânias, nos quais o inseto se alimenta e, depois, ao alimentar-se com o sangue canino ou humano irá disseminar a doença.

Depois irá derrubar cada árvore dos quintais, das ruas de nossa cidade? Porque sob elas caem folhas onde as larvas do Flebótomo vetor da Leishmaniose prolifera!

E depois, dona Rosana, fará o que mais? Afinal a senhora foi quem esteve à frente dessas ações na saúde ao longo desses anos...

Não estou criticando, estou apontando as falhas, não sem mostrar onde está o erro; a prova é o PROJETO RONDONÓPOLIS SEM DENGUE, que protocolei encaminhado ao senhor prefeito municipal, bem como vários ofícios solicitando e sugerindo providências. Entrei com denúncia na promotoria pública e a prefeitura fez uma “parceria” com a promotoria. Outros óbitos ocorreram, e muitas pessoas estão infectadas.

Finalmente entrei com um pedido na Justiça Federal contra o Ministério da Saúde, pois tanto o estado como o município dizem que cumprem normas do ministério (e este, de acordo com ofício que recebi do Gabinete Pessoal do Presidente da República, explica que “conforme determina nossa Constituição, o chefe do Executivo Federal não pode interferir em questões administrativas dos municípios.”), mas ainda não sei quais providências foram tomadas.

Assim em vez dos inúmeros e seqüenciais, digamos “equívocos”, a coisa certa seria, pura e simplesmente, ELIMINAR O MOSQUITO VETOR, seja ele o da Dengue, da Leishmaniose ou outros que por ai estão proliferando, se adotando procedimentos adequados. Ou matar a tapas...

Com referência aos inseticidas errados, inadequados, “preconizados” pelo Ministério da Saúde, eu gostaria de saber: eles são Deus e temos de aceitar suas determinações sem questioná-las? Não, senhora, não é assim! De minha parte, digo “amém” somente em minhas orações...

Já escrevi e volto a repetir: Rondonópolis poderia ser exemplo em Saúde Pública para muitos outros lugares!

Que saúde é essa que a senhora apregoa d. Rosana? É essa saúde em que a senhora esteve à frente ao longo desses últimos anos?

Não d. Rosana, isto não é saúde! A saúde que queremos para nós e para nossas famílias é bem diferente....

Na falta de ações concretas e corretas para garantir à população um nível saudável de vida, e a isto se chama Saúde Preventiva, o município, o estado e a federação arcam com os custos da Saúde Curativa, o que não é, de forma alguma, o desejado!

Em RADIS (publicação sobre saúde da FIOCRUZ) 08/ 2008 o deputado Jofran diz, com ironia: “A saúde não tem preço, mas tem custo” e eu concordo. Mas as verbas destinadas à saúde deveriam ser aplicadas na saúde!

Essa edição de RADIS foi comemorativa aos 20 anos da Constituição, e na pagina 25 publica o capítulo da saúde, que inicia com o Art.196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado (governos municipais, estaduais e federal), garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução de risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A impressão que tenho é a de que está ocorrendo um sério desvio, pois quando se fala de políticas de saúde é os cuidados básicos a que tem direito o cidadão e não se trata de fazer “política na saúde” como ocorre hoje.

A população tem direito ao acesso à saúde com dignidade; o local deveria ser higienizado; pintura suja e descascada não é o padrão aceito pela vigilância sanitária, que aplica pesadas multas em clínicas particulares que não estejam adequadas aos padrões exigidos.

Para o visual político das propagandas percebemos que alguns locais (Secretaria Municipal de Saúde) receberam um colorido novo “prá ficar bonito na foto”... Mas a população necessita com urgência de providências tais como médicos suficientes no atendimento para não ultrapassar 01 hora de espera. Precisa de um trabalho eficiente na eliminação dos vetores patogênicos à saúde e assim não haverá superlotação nos postos de atendimento médico e hospitais. Melhorias mais efetivas no trânsito para reduzir o número bastante alto de acidentes com feridos graves e elevado número de óbitos.

E assim, cara senhora, teremos uma população saudável e uma vida melhor.

BEATRIZ ANTONIETA LOPES
BIÓLOGA com especialização em ENTOMOLOGIA MÉDICA

bia_utopia@yahoo.com.br ou bialolara@gmail.com

terça-feira, 6 de maio de 2008

LEISHMANIOSE: “SURGIMENTO DE MANEIRA REPENTINA”?

* Bia Lopes

A edição nº 6922 de domingo, dia 27 de Abril de 2008, do jornal A TRIBUNA, noticia que “Os mutirões e demais ações foram intensificados desde o surgimento, de maneira repentina (o grifo é meu), da doença na cidade...”
Como assim, “de maneira repentina”? E os casos e óbitos ocorridos em 2007? Já caíram no esquecimento? E conforme notícia divulgada no mesmo jornal A Tribuna, de 14/12/2007:“01 óbito por LEISHMANIOSE por ano é normal...”
Como assim, “normal”? Se ocorrem casos, é por que o vetor está presente e precisa ser eliminado! E normal, é a população saudável!
Mas o descuido, a omissão de quem tem os dados sobre o fato e a obrigação de eliminar os vetores, para isto recebendo verbas, verbas estas aplicadas em panfletagens e outras ações discutíveis, em lugar de ELIMINAR OS VETORES PATOGÊNICOS, que proliferam em todos os locais da cidade...Isto, sim, não é normal! Ainda que seja o normalmente feito, nos diferentes níveis de poder, infelizmente.
Em janeiro de 2008, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) enviou uma equipe da Coordenadoria de Vigilância em Saúde a Rondonópolis para constatar o quadro da doença e acompanhar as ações de controle químico realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde.

O CONTROLE QUÍMICO

Seria de fundamental importância se estivesse sendo utilizado o inseticida correto e obedecendo as datas de intervalo entre uma e outra aplicações, de acordo com as recomendações técnicas, fato QUE NÃO ESTÁ OCORRENDO!
Milhares de baratas estão sendo eliminadas e isto é bom, pois são insetos nocivos e veiculadores de doenças, MAS NÃO SÃO AS BARATAS QUE ESTÃO MATANDO A POPULAÇÃO, então, por favor, vamos usar o inseticida certo!
Pois o número de casos de LEISHMANIOSE continua aumentando, o número de cães infectados e eliminados é bastante alto e continuamos a ver cães circulando por diferentes locais de nossa cidade, apresentando as características da doença.
Enquanto este erro persistir, os mosquitos continuarão a proliferar e o número de casos tende a aumentar dia a dia.

A SAÚDE NÃO FAZ O QUE PRECISA SER FEITO, MAS APLICA MULTAS

E a população, tachada de relaxada por quem não se preocupa em corrigir os erros cometidos no controle do vetor, assustada, compra inseticidas (inadequados), pois o que se encontra à venda, são piretróides, só mudam as marcas, e não possuem eficácia contra estes mosquitos.
Uma equipe acompanhou a Saúde aplicando multas nos moradores, mas assim como algumas famílias no Rio de Janeiro, que perderam entes devido à dengue e acionaram judicialmente o Município, o Estado e a Federação, parece que está na hora das famílias rondonopolitanas não apenas lamentarem suas vítimas, mas, também, cobrarem seus direitos...

TERRENOS BALDIOS E IMÓVEIS ABANDONADOSVolto a sugerir que, em vez de multar casas e lotes, o município limpe estes locais e cobre pelo serviço, junto com o IPTU. Pois, um dia, o proprietário irá aparecer, seja para tomar posse ou, para vender, quando será obrigado a pagar! Porque multas, não vão funcionar, uma vez que o problema continuará incomodando a população. Então, é necessário limpar esses imóveis.

O MUTIRÃO NO BAIRRO MARECHAL RONDON

A coleta de sangue dos cães foi um bom trabalho na verificação de cães hospedeiros do protozoário. Quanto ao recolhimento do cão doente, continua deixando a desejar: ou a família continua com o cão em casa, aguardando o resultado, correndo riscos, ou paga particular a eutanásia, o que nem todos dispõem de condições para tanto.
Muitas famílias reclamam não ter sido passado o “fumacê” em seus quintais, vindo a justificativa de que, quem quisesse, deveria solicitar.
Por algum motivo, que só os coordenadores da saúde sabem, eles tentam apresentar o Residencial Marechal Rondon como um bairro sujo e problemático, mas andando pelas ruas do bairro encontra-se casas bonitas bem cuidadas.
O bairro possui um Posto de Saúde, bem organizado e de bom atendimento aos moradores.
Pacientes que não possuem condições de locomoção, as agentes fazem visitas para controle de pressão arterial, curativos, etc.
As famílias que residem no bairro, são funcionários públicos, da área da saúde, educação e trabalhadores em diferentes empresas locais.

UMA TRISTE COINCIDÊNCIA...

O Flebótomo, vetor da Leishmaniose é conhecido pelos nomes de Mosquito Palha, Cangalhinha, Birigui, Asa Branca.
E “Asa Branca” era o nome do estabelecimento comercial do senhor Sebastião, uma das vítimas desta terrível doença.

A PRESENÇA DO VETOR EM TODA A CIDADEMapeamento realizado pela Vigilância Ambiental em 2006 e 2007 (não há divulgação atualizada, mas nem é necessária...), constatou a presença do vetor em 30% dos bairros (50% apenas haviam sido examinados), pelo que, podemos concluir que os dados podem ser ainda mais expressivos, contrariando qualquer afirmativa de ‘surgimento repentino’.

BEATRIZ ANTONIETA LOPES
BIÓLOGA com especialização em ENTOMOLOGIA MÉDICA

bia_utopia@yahoo.com.br ou bialolara@gmail.com