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quinta-feira, 3 de março de 2016

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’

A dúvida continua....

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’

Este artigo publiquei nem 2008...E ele continua EM ALTA!
* Bia Lopes



E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA! Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:
*-Aedes aegypti municipalis
*-Aedes aegypti estadualis
*-Aedes aegypti federalis
O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.
No Rio de Janeiro, hoje, está ocorrendo mais uma terrível epidemia. O número de casos é assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país. São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.
Faltam: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...
A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.
E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente.
Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade. Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...
Dói em meu ouvido escutar o ministro da Saúde (e o secretário da Saúde do Rio) ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.
Além de não fazerem o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?
Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...
Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...
E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...
Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga especialista em Entomologia Médica
Hoje: Acadêmica de Direito, lutando pela Saúde Pública

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

AS DIFERENÇAS ENTRE ZICA E DENGUE...



CONHEÇA OS SINTOMAS DA "ZICA VIRUS":
-Febre de 38 graus ou mais.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Diarréia e enjôo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
-Lenta melhora. Fígado comprometido.
OS SINTOMAS DA DENGUE:
-Febre de 38 graus ou mais.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
- Lenta melhora. Fígado comprometido.
SINTOMAS DA DENGUE HEMORRAGICA:
-Febre intensa.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Diarréia e enjôo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
-Paciente apresenta “falsa melhora”.
-Corpo frio.  (febre).
-Insuficiência hepática e renal.
-Icterícia (pele e olhos amarelados).
-Manifestações hemorrágicas.
-Cansaço intenso. Letargia.
-Princípios hemorrágicos disseminados (sangue nas fezes, sangramento nasal, ouvidos, alteração da pressão sanguínea, rápida queda de plaquetas, dificuldades respiratórias.
-Comprometimento de órgãos (fígado, rins).

 SINTOMAS DA FEBRE AMARELA:
-Febre de 38 graus ou mais.
-Dor de cabeça intensa (cefaléia).
-Dores no corpo.
-Diarréia e enjôo.
-Manchas que surgem no corpo.
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés.
-Conjuntivite.
-Fotofobia.
-Princípios hemorrágicos disseminados (sangue nas fezes, sangramento nasal, ouvidos, alteração da pressão sanguínea, rápida queda de plaquetas, dificuldades respiratórias.
-Comprometimento de órgãos (fígado, rins).

FEBRE CHIKUNGNYA: nem é necessário escrever. Os sintomas são exatamente os mesmos!

ENCONTRE E ASSINALE AS DIFERENÇA!
Encontrou? Não? Eu explico por que: Trata-se do mesmo inseto, mesmo vírus (Flavivírus).
EXPLICANDO:
-Febre de 38 graus ou mais: Inicia a partir da entrada do vírus no organismo através da picada do inseto, o viris (antígeno) se multiplica intensamente, e a febre é uma reação desta invasão.
-Dor de cabeça intensa: (cefaléia). Vírus se multiplicando nos micro capilares inclusive na área cerebral.
-Dores no corpo: Vírus se multiplicando no interior da musculatura óssea.
-Diarréia e enjôo: Multiplicação do vírus nos órgãos digestórios.
-Manchas que surgem no corpo: Mais grave que se pensa, trata-se do rompimento de capilares sanguíneos superficiais, podendo levar a um quadro bastante grave!
-Surgimento de intensa coceira no corpo e palmas das mãos e sola dos pés: O sangue, fora do seu local normal (capilares) tenta sair desencadeando a reação.
-Conjuntivite: Envolve multiplicação viral nos micro vasos do olho.
EVOLUÇÃO:
-Lenta melhora. Fígado comprometido. Casos gravíssimos/Falta de atendimento adequado: ÓBITO!
A diferença reside da FALTA DE PESQUISA/PESQUISADORES na área!
E, quando alguém se interessa na pesquisa, visando ser útil e auxiliar na erradicação do vetor, o PODER PÚBLICO,  alem de não apoiar DERRUBA as pretensões do pesquisador, desestimulando a iniciativa através de pressão política e até mesmo perseguição (no caso, funcionária publica).
ESTÁGIO NA UFRJ-UNIVERSIDADE  FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Ao concluir Biologia (Ciências Biológicas) na UFMT já estava inscrita no curso de Especialização em Entomologia Médica, na FIOCRUZ-RJ que consiste no estudo de insetos vetores patogênicos ao homem. Como tenho interesse na pesquisa estive na UFRJ para conhecer os laboratórios da Universidade. Pois bem, ganhei uma bolsa de estudos no Laboratório de Vírus da UFRJ, onde estaria sob a supervisão da pesquisadora doutora Genoveva e do pesquisador doutor Maulory. Seria o estudo das estruturas da superfície do vírus da DENGUE!
Importantíssimo estudo, onde ocorre o estudo das estruturas que revestem o vírus e suas alterações que ocorrem.
Mas, lamentavelmente, com a ameaça de exoneração tive que “baixar a cabeça” e me submeter: Caso fosse para o estudo seria exonerada! Normal? Não... Bem sabemos que o município sempre tem funcionários “fazendo cursos” aleatórios e sem qualquer importância, inclusive no exterior...
Por que estou cursando Direito? O artigo 267 do Código Penal é claro, basta ser executado!
Os “estudiosos” que encontramos se limitam a ler manchetes de jornais ou noticias de veracidade duvidosa, divulgadas pela Mídia televisiva... Que disseminam inverdades, desviando o foco do que realmente importa:
-ELIMINAR O MOSQUITO VETOR! SIMPLES ASSIM...

Beatriz Antonieta Lopes
Bióloga-UFMT
Especialização em Entomologia Médica-  FIOCRUZ

Acadêmica em Direito Anhanguera

sábado, 25 de abril de 2015

DENGUE: Rio Grande do Sul...

Lamentavelmente a DENGUE chegou ao o Rio Grande do Sul. Era o ÚNICO Estado brasileiro que não tinha o vetor e a patologia! Alguns casos que ocorreram foram o de pessoas que estiveram em cidades/estados onde a DENGUE é constante.
Na recente EPIDEMIA já ocorreram várias mortes, desencadeadas por diferentes fatores:
-Pessoas que já tiveram a infecção (DENGUE) anteriormente.
-Erro na identificação da patologia que por vezes alguns profissionais confundem com outras patologia/erro na medicação.
-Pacientes que fazem uso de medicamentos tipo AAS (Acido Acetil Salicílico), no caso de tratamento cardíaco, ou outro tipo de antiagregante plaquetário. É preocupante quando o paciente apresenta todos os sintomas da DENGUE e o médico não investiga se, por algum motivo a pessoa possa estar fazendo uso de algum medicamento tipo AAS... Neste caso, EXISTE uma certeza: Este paciente irá sofrer princípios hemorrágicos com graves conseqüências... Sobre este assunto vou tecer umas considerações:
-A necessidade de fazer uso de anticoagulantes (atua na cascata de coagulação), com ação direta na inibição da produção ou bloqueio de alguns fatores de coagulação. (warfarina, heparina)
-antiagregante impedem a agregação de uma plaqueta na outra, evitando a formação do "tampão plaquetário". Ex: AAS, Aspirina, Dipiridamal, clopidogrel, ticlopidina. Alto risco em caso de Dengue. Médico deverá reavaliar a utilização.
São os processos que o organismo usa para coibir hemorragias, onde usam as plaquetas para coagular o sangue formando um trombo que obstrui a lesão na parede vascular impedindo a hemorragia.
Tanto anticoagulantes como antiagregante atuam no processo da hemóstase ou hemóstase, porém através de mecanismos diferentes. Hemóstase é o conjunto de mecanismos que o organismo emprega para coibir hemorragia. Para tal, é formado um trombo que obstrui a lesão na parede vascular. Ao contrário do que muitos pensam esse trombo não é constituído de coágulo e sim de plaquetas. A coagulação, além de fornecer pequena quantidade de fibrina para o trombo plaquetário, colabora na estabilização do trombo.
Qualquer alteração da função plaquetárias confere uma trombocitopatia que pode ser congênita, como a doença de von Willebrand, ou adquirida, como no uso de algumas drogas como aspirina, fenilbutazona, sulfonamidas, penicilinas e tranqüilizantes prozamínicos, sendo que dentre essas drogas, a aspirina causa uma inibição irreversível da agregação plaquetária. A utilização medica destes princípios ativos deve ser criteriosamente avaliadas e suspensas pelo alto risco hemorrágico!

A DENGUE HEMORRÁGICA

É a evolução da DENGUE clássica e pode ser desencadeada por diferentes eventos:
O uso de medicamentos anticoagulantes. Uma segunda infecção viral por DENGUE, quando os anticorpos reagem contra os antígenos invasores (Sistema imunológico reagindo contra o vírus invasor), desencadeando, devido à intensa multiplicação viral bem como a produção intensa de anticorpos, a resistência dos vasos sanguíneos fica fragilizada, ocorrendo rompimentos dos vasos e conseqüentemente derrames cavitários (hemorragias).
Sempre é urgente a interrupção de uma hemorragia, evitando perdas de sangue de uma lesão vascular, pois a multiplicação viral e as reações que ocorrem com o paciente com Dengue devem ser avaliadas com muita atenção, a re-hidratação do paciente, a investigação do uso de medicamentos que possam desencadear o processo hemorrágico, pode salvar a vida do paciente.
Analisar qual medicamento poderá ser o melhor para controle da temperatura (bastante elevada na maioria dos casos, provocada pela replicação viral).
Os princípios hemorrágicos podem ocorrer nos mais diferentes órgãos, fígado (intensamente agredido durante a replicação viral), rins, pulmões, cerebelo, (casos de Dengue desencadeiam hemorragias nesta área com evolução para AVC, em função os derrames cavitários).
Um profissional de saúde que atende o paciente de forma atenta e investigativa irá detectar hemorragias superficiais (petéquias e equimoses), que são sinais de problemas na Hemostasia primária (trombocitopenia ou trombocitopatia) ou lesão vascular.
No caso de petéquias e equimoses, aconselha-se a seguir os seguintes passos: - Contagem de plaquetas: no caso de uma trombocitopenia, investigar a causa. Queda brusca de plaquetas sinaliza um princípio hemorrágico em andamento. (http://www.ufrgs.br/hcv/lacvet/hemostasi...)

AVALIAÇÃO INICIAL E PROCEDIMENTOS

Em tempos de EPIDEMIA é importante o atendimento rápido e um importante FILTRO poderia ser a equipe de enfermagem, que PODE e DEVE analisar e iniciar a hidratação. O difícil é o entendimento entre os profissionais médicos e enfermagem....


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

OUTRA AVASSALADORA EPIDEMIA DE DENGUE!

beatriz antonieta lopes


Sempre alertei, em todos os meus artigos que, a cada 04 anos a mesma pessoa poderá ser NOVAMENTE infectada! Então, todas as pessoas que tiveram DENGUE em 2007/2008 estão sob ALTO RISCO! Quem teve a primeira DENGUE agora irá ter a segunda, com todas as complicações que envolvem a 2ª Infecção pelo vírus, outros a terceira e muitos (os sobreviventes) a quarta dengue.
NÃO EXISTE VÍRUS DIFERENTES! O VÍRUS É ÚNICO!
Quando é feito as Sorologias COM Isolamento Viral (poucos fazem), o resultado mostra diferenças no exame, de pessoas que tiveram uma Dengue com quem já teve duas, três ou quatro vezes a patologia.
A DENGUE que a pessoa sofre novamente envolve reações exarcebadas dos anticorpos imediatamente produzidos pelo Sistema Imunológico (registro da infecção anterior) que reage aos antígenos (vírus).
Esta reação é aumentada devido ao fato dos Anticorpos que, entrando ‘em combate’ com o vírus invasor se voltam também contra as células, onde há o registro da Dengue anterior.
Esta ocorrência desencadeia alta produção de Anticorpos e sua luta contra o vírus destrói também a fina camada do endotélio dos vasos sangüíneos e ocorre o princípio hemorrágico.
Este rompimento da delicada camada endotelial provoca pequenos sangramentos internos (e, evidentemente, invisíveis). São vasos dos órgãos internos: Fígado, rins, pulmão, cérebro, todos são órgãos ricamente vascularizados que, com o rompimento deixam o sangue extravasar no interior do organismo.
Pequenas hemorragias que surgem causam grande desconforto ao paciente. Neste caso, a reposição de líquidos é essencial, chá, sucos e soro caseiro ajudam.
 Se este rompimento de vasos for intenso o paciente está com DENGUE HEMORRÁGICA GRAVE, e necessitam cuidados intensivos (CTI), reposição de líquidos, controle da temperatura, repouso na penumbra, ingerir líquidos constantemente, banhos para regular a temperatura, juntamente com antitérmicos.
Agora pergunto: Se o atendimento básico, normal está deficiente, o que irá ocorrer durante uma EPIDEMIA como a que se anuncia?
Será que a população ira receber uma ‘capenga’ Medicina Curativa?
Por que o nosso país não muda o enfoque, elimina o vetor e garante qualidade de vida à população? Isso se faz praticando Medicina Preventiva, com a somatória das Vigilâncias Epidemiológicas e Sanitárias, isto é, eliminando vetores patogênicos que causam anuamente milhares de infecções e muitos óbitos!
Como especialista em Entomologia Médica questiono: “porque o RIO DE JANEIRO (e o resto do Brasil) espera pela ‘pior epidemia’? (http://revistaepoca.globo.com/Saude-e-bem-estar/noticia/2012/01/rio-de-janeiro-espera-pior-epidemia-de-dengue-da-historia.html)
O Rio de Janeiro dispõe de uma instituição de pesquisa do nível da FIOCRUZ onde reúne um grande número de pesquisadores, alguns dos quais absolutamente contrários ao uso do ‘fumacê’ (UBV), e eles SABEM PERFEITAMENTE (ou deveriam saber), ser esta a única solução para acabar com este vetor!
E, volto a perguntar: Por quê? Qual o interesse em manter este maldito vetor? Esta recusa em fazer o correto faz parte do enorme iceberg da DENGUE, do qual vislumbramos apenas a pontinha, semi oculta que está, nas lamas caudalosas da ingerência, incompetência, inoperância? As verbas envolvidas são grandes, e por que não é feito o que deve ser feito?
No início do século XX, o mosquito transmissor da doença chegou até mesmo a ser erradicado, graças à atuação do médico e sanitarista Oswaldo Cruz, que ‘batia duro’ e conseguiu erradicar o vetor e a doença
Penso que Oswaldo Cruz, se vivo estivesse, certamente sairia dando pancadas em quem não segue seus ensinamentos e não elimina o mosquito! E é lamentável que alguns que se intitulando pesquisadores,  atrapalhem com teorias confusas e equivocadas o que deve ser feito!
Resumido: O Rio de Janeiro NÃO DEVERIA estar esperando a EPIDEMIA! Deveria estar agindo para evitar!
Para recordar: A epidemia envolve sempre dois anos. Isto quer dizer que haverá muitos casos em 2012 e 2013. Mas não quer dizer que não surgirão novos infectados em 2014, pois a presença constante do vetor é o sinal de alerta!


domingo, 18 de julho de 2010

QUANDO NÃO EXISTE INTERESSE EM ACABAR COM UM PROBLEMA...

Série Doenças Negligenciadas


Cada um tem um jeito de agir, de ser... No meu caso, ao vir residir no Mato Grosso, em meio a uma epidemia de Dengue, que sequer eu sabia o que era ou como acontecia se era transmitida por vetor ou o quê, pois bem, a cidade toda estava doente, com Dengue e é evidente que tivemos a patologia também!


Percebi que pouco se sabia sobre a doença, falavam em ‘febrão’ e os médicos declaravam ser ‘uma virose’... Ocorreram óbitos mal esclarecidos, tanto que alguns atestados de óbito, o Ministério da Saúde questionou e pediu que fossem refeitos, com a causa da morte corretamente preenchida!

Esta epidemia ocorreu, envolvendo 1993/1994. Já em 1995 e 1996 surgiram alguns casos novos, mas em menor número. Estes são os chamados ‘surtos’. Tive Dengue. A cefaléia (dor de cabeça), dores no corpo todo,mal estar indescritível, febre alta,medo...

QUATRO ANOS DEPOIS...

Já em 1997 ocorreram vários casos (início da epidemia) para então em 1998, uma nova e explosiva epidemia, veemente negada pela Saúde Pública... Muitos casos e alguns óbitos. Tive Dengue novamente... Estava sozinha em casa, e me senti tão mal que não tive condições de ir ao médico, precisei de uma ambulância. Felizmente o médico que me atendeu foi eficiente, suspeitou que fosse Dengue, solicitou um hemograma para controle das plaquetas (e estavam baixando) quis me internar, não aceitei, após a medicação e hidratação, voltei para casa, para muito lentamente melhorar, sendo a 2ª Dengue não houve evolução para a Dengue Hemorrágica graças ao médico, que sabia exatamente do que se tratava e medicou corretamente.

Já estava pesquisando sobre a dengue e decidida a estudar, gostaria de aprender sobre o vetor, sobre o vírus e a patologia, prestei vestibular na UFMT e passei (Ciências Físicas e Biológicas). Nunca mais parei de estudar tudo sobre a Dengue embora a literatura fosse bastante reduzida, no final do curso, já estava inscrita na FIOCRUZ, onde participei do curso Entomologia Médica.

Foi fácil? Não! Mas isso não importa. Ainda hoje o problema continua. A população sofre com a doença, o descaso de quem coordena a Saúde Pública, tanto no governo federal, estadual ou municipal. Não existe interesse real em eliminar o vetor ou acabar com a Dengue...

Para não melindrar certas ‘autoridades da saúde’ direi que, devido a velhos e repetidos equívocos, as epidemias se sucedem, a cada quatro anos, e sempre surgem novos casos entre uma epidemia e outra. Mortes? Houve muitas. Subnotificação? Muito grande. A não realização das sorologias ou isolamento viral, importantes para o paciente e para comprovar dados estatísticos é um fator que comprova o descaso e desinteresse...

Milhares de pessoas são infectadas em epidemias e muitos perdem a vida, bebês, crianças, adultos e idosos. A dengue, uma das dez principais doenças negligenciadas, lota hospitais, e pronto atendimentos, onde pessoas passando mal, com muito medo, recebem atendimento depois de longa e angustiante espera.

Segundo informa a Agência Brasil, houve no Brasil mais de 737 mil casos de dengue em 2010! E em 2009, 335.265 casos.

E a conta correta é assim 2009: 335.265 casos

                                    2010: + 737.756 casos

                                               __________

                                              1.073.021 pessoas infectadas.

Então, Hum milhão e setenta e três mil e vinte e uma pessoas tiveram dengue durante esta epidemia!

Estes dados se referem a 07 estados brasileiros: Acre, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, e São Paulo.

ATENÇÃO MÉDICA EFICIENTE

Acompanhei, no PSF do Bairro Marechal Rondon, o trabalho do jovem médico, doutor Rodolfo, sua atenção e dedicação aos pacientes que chegavam (vários ao mesmo tempo), ficando difícil avaliar quem deveria ser atendido primeiro, muitos apresentando sintomas hemorrágicos. O atendimento, a avaliação do quadro e a rápida intervenção do médico, o trabalho e a dedicação da enfermeira Vera, do José, o paciente permanecia algumas horas no PSF sob os cuidados da equipe, sendo monitorado, hidratado.

Havendo necessidade de internação, o médico imediatamente entrava em contato e fazia o encaminhamento, a solicitação dos exames necessários! E não esquecia o paciente. Buscava a informação sobre a evolução. O doutor Rodolfo não perdeu nenhum paciente para Dengue! Isto demonstra que, já que não conseguem matar o mosquitinho, pelo menos que alguém se preocupe e faça sua parte bem feita!

domingo, 25 de janeiro de 2009

UM MOSQUITO ‘SEM PAI NEM MÃE’






foto:Genilton J.Vieira


A dúvida continua.... E olhe só: é mosquito do qual já se fez o maior número de DNA!

Mas as lideranças políticas ainda não descobriram se pertence à família Municipal, Estadual ou Federal! Ninguém assume! Então o insetinho continua sem sobrenome, podendo, futuramente assinar de qualquer uma destas maneiras:

*-Aedes aegypti municipalis

*-Aedes aegypti estadualis

*-Aedes aegypti federalis

O governo federal afirma (e criou Lei e subsídios) que o caso é de competência de cada estado monitorar as ações, fiscalizar o uso das verbas destinadas ao combate do vetor e, ao município, cabe aplicar as ações e os insumos recebidos no combate e erradicação do inseto, o que significa dizer: a eliminação da DENGUE.

No Rio de Janeiro, hoje, ocorreu mais uma terrível epidemia. O número de casos foi assustador. E o sistema de saúde se mostra completamente despreparado. Faltam condições de atendimento. Salta aos olhos a incapacidade generalizada em Saúde Tropical, essencial em nosso país.

São pouquíssimos os especialistas nesta área tão importante.

Falta: incentivo e oportunidades para quem realmente tem interesse na pesquisa, na busca de solução, e isto não reside exclusivamente na busca de vacinas ou na construção de hospitais...

A medicina não deve ser curativa. Ela deve ser, sim, preventiva.

E, para prevenir, o primeiro passo é eliminar o vetor. Radicalmente. Chega de pozinhos mágicos; chega de lendas e teorias que fogem da realidade.

Hoje, o mais importante, é voltar atrás, usar o velho “fumacê” e acabar com o mosquito antes que ele acabe com toda a gente...

Dói em meu ouvido escutar o Ministro da Saúde ocupar espaço na mídia para negar o que é evidente: negar a ocorrência desta epidemia.

Além de não fazer o que DEVERIA SER FEITO, que é eliminação do mosquito, tem mais coisas ocorrendo: por que continuam usando o inseticida inadequado? E quem está ganhando com isto?

Anualmente, milhares de pessoas vêm sendo infectadas ou reinfectadas; mortes e mortes ocorrendo e as epidemias se sucedem, uma após outra, enquanto o mosquito continua aí, dominando...

Assistimos o desespero de pessoas em busca de socorro médico; assistimos profissionais da saúde procurando dar atendimento em meio de tanta gente, com pessoas desmaiando e caindo pelo chão; o desespero de familiares ao se depararem com a morte de alguém da família, como o bebê morrendo por dengue, ainda no útero materno e logo depois, também, a morte da própria mãe...

E pior: não é só o mosquito que está ‘sem pai nem mãe’. Com o descaso que se verifica, todos estamos...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

DESATENÇÃO NO CONTROLE PERSISTE

Enquanto isso, Dengue, Leishmaniose, Malária, Chagas e outras doenças transmitidas por insetos patogênicos se alastram

Num país maravilhoso, onde tudo poderia ser perfeito (ou quase), acompanhamos, com tristeza, a cada ano epidemias eclodindo pelos estados brasileiros, provocando muitos óbitos e deixando graves seqüelas decorrentes das sucessivas infecções, abalando a saúde de muitos indivíduos de maneira irremediável.
Recordo uma família do sul, há uns 18 anos, que comprara uma área para se estabelecer no Mato Grosso e, passados alguns meses, voltaram ao Rio Grande do Sul. Quando os questionei, obtive a seguinte resposta: “Todos nós ficamos doentes, com uma doença transmitida por mosquitos, uma febre muito alta, pensamos que íamos morrer, por isso viemos embora...
Pois bem, depois de certo tempo vim ao Mato Grosso passear e gostei desta terra e de seu povo e decidi vir morar aqui...
O que eu ainda não sabia é que uma epidemia de dengue estava em andamento (a que houve em 1993/1994). Naturalmente fomos infectados juntamente com um elevado número de pessoas.
Uma das opções que havia era voltar correndo para o sul. A outra, a que escolhi, foi ficar e estudar, tentando encontrar uma solução para o problema.
Voltei a estudar. E muitas vezes aproveitei o silêncio de plantões nas madrugadas do Pronto Socorro para estudar!
(Ah, sim. Passei em concurso público para lá trabalhar.)
Pois foi assim. Estudando em velhos livros, que prestei vestibular na Universidade Federal de Mato Grosso e passei em 1º lugar (do que me orgulho, pois já era avó, em meio a tantos jovens, alguns vindos de cursinhos ou de escolas particulares).

No ano da conclusão do curso superior, já havia feito inscrição para a especialização em Entomologia Médica e, ao ser convocada para o ingresso no curso tive a desagradável surpresa: (coordenadoras e gestoras da secretaria de saúde) tentaram de todas as maneiras, impedir minha ida ao Rio de Janeiro, para o curso...
Ameaça de exoneração, corte de salário, tudo isso aconteceu!

“Não é porque o acesso à pesquisa, à continuidade dos estudos é restrito, que deixaremos de pesquisar e questionar.” (Beatriz Antonieta Lopes)

Questiono, mas já sei a resposta... Não existe interesse em acabar com a dengue ou com outras patologias vetoradas por insetos.
Isto representa dinheiro!
Uma verba considerável para o município, que se não existisse o problema, deixaria de vir; parece ser este o raciocínio de alguns.
Eu sei, pelo número de pessoas que se manifestam ao ler meus artigos, seja pessoalmente ou por e-mail, que estou no caminho certo e não desisto apesar da falta de apoio ou de incentivo.

“bastaria cumprir-se a lei”

De acordo com a drª. Lenir Santos, especialista em direito sanitário, em seu artigo no Globo (24/09/07), “se a Lei fosse cumprida (e ela existe para isto) muitos projetos seriam desnecessários”.
Explana ainda que “no nosso País não basta a Constituição, não basta a Lei. Criamos falsamente a necessidade de outra Lei para aplicar a já vigente”.
E a Constituição Federal, em seu Artigo 2º, preceitua que “A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
§ 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade.
E, para recordar, aí está um dos parágrafos do Artigo 5:

“§ 2º - Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”.
O que percebi, ao longo desses 15 anos e, acentuadamente nos últimos 10 anos é a falta de ações corretas e efetivas no combate e erradicação destes vetores.
“Os bombeiros são chamados porque o circo pegou fogo. Eles chegam e vão dar uma palestra sobre como evitar o incêndio ou tratam de apagar o fogo?”
Está claro que neste contexto o que estou questionando é: Epidemias em andamento e o pessoal a distribuir panfleto, visitar casas para verificar larvas, inventando armadilhas para pegar mosquitos!
Conscientização ambiental é importante e muito, durante o ano todo, nas escolas, como faz a professora CATARINA GIACOIA DA COSTA na escola em Saquarema, e outras tantas professoras e professores pelo país afora...
Mas durante uma epidemia as ações devem ser rápidas no atendimento à população doente, que passa mal, sente dores terríveis, febre altíssima e medo, muito medo! Pronto Socorro e profissionais devem estar disponíveis e preparados para dar atenção ao paciente; os cuidados devem se iniciar na sala de espera, com hidratação e monitoramento, que pode e deve ser realizado por enfermeiros, enquanto se aguarda o atendimento médico.
Pobre e assustada população, que vê os filhos e a si mesma como vítimas do descaso, da omissão....
Mas ações concretas e imediatas devem ser tomadas, com a aplicação do U.B.V para a eliminação do inseto adulto, atitude esta que irá evitar o surgimento de mais ovos e mais mosquitos!
É o que se espera, finalmente
É, bastaria cumprir-se a lei...

sábado, 11 de outubro de 2008

CONTROLE DE INSETOS VETORES PATOGENICOS AO HOMEM

*BIA LOPES

A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE-OMS, em sua publicação Space spray application of insecticides for vector and public health pest control, (Aplicação de inseticidas para controle de vetores patogênicos à Saúde Pública), determina o uso do Ultra Baixo Volume-UBV (ou fumacê) bem como explica a maneira e os cuidados na aplicação do inseticida e a necessidade do uso em alguns casos sendo este um método rápido de controle em emergência ou situações de epidemia e pode ser usados para controle de insetos vetores.
RESISTÊNCIA A INSETICIDAS
Aplicado o inseticida adequado, da forma correta irá eliminar o inseto. Mosquicidas, raticidas ou carrapaticidas não são indicados para eliminar mosquitos. Conhecendo o ciclo de desenvolvimento do inseto sabemos que todo aquele mosquito adulto que estiver no raio de aplicação do Ultra Baixo Volume (fumacê) será eliminado. Mas os ovos, larvas e pupas, nos múltiplos criadouros espalhados pela cidade, em terrenos baldios onde o lixo que se acumula, que vai de velhos sofás a carcaças de fogões e geladeiras, milhares destes insetos eclodem diariamente e saem em busca de sangue e muitos voltam ao próprio local onde nasceram para depositar de 180 a mais ovos, cada fêmea. Este processo é rápido envolve de uma semana a dez dias. Insetos marcados em laboratório para rastreamento de distancia de vôo já atingiram 1.200 metros, podendo ainda ir mais longe.
Se o fumacê for aplicado aleatoriamente, não haverá resistência ao veneno e sim o surgimento de novos mosquitos não eliminados (são os que nascem após a aplicação do inseticida e devido a isto que a aplicação deverá ser realizada em intervalos regulares até a eliminação destes vetores.
CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO DE FUNCIONARIOS
As exigências para o manejo, o preparo e manuseio de inseticidas são de fundamental importância: Luvas, óculos de proteção, mascara respiratória, (que deve ter seu filtro trocado periodicamente, devido serem micro gotinhas podem facilmente ser inaladas durante o preparo e a aplicação), protetores auditivos são também indicados devido ao ruído durante a aplicação. Estas orientações fazem parte da publicação da OMS-Organização Mundial de Saúde, basta traduzir e ler. Já houve acidentes com inseticidas em função do não cumprimento das normas técnicas ou uso inadequado do inseticida (funcionários usaram o veneno de forma abundante, para lavar paredes, sendo que a aplicação correta é no aparelho que distribui micro gotículas) e neste casos alguns foram a óbito e outro ficaram com graves seqüelas.
Durante os anos que a SUCAN aplicava o fumacê a redução de insetos nocivos era percebida pela população, que ficava livre da espoliação e vetoração de patologias.
A população preocupada e buscando proteger sua família compra “sprays” de inseticidas e utiliza, colocando em risco a saúde de bebês, por exemplo, recordo a jovem mão aplicando generosamente um determinado inseticida no quarto do bebê e quando questionei sobre o perigo para a saúde da criança ela ponderou “ah, este não faz mal, não tem nem cheiro”, ignorando que o cheiro é adicionado, muitas vezes para servir de alerta, no gás de cozinha, por exemplo.
OS SINAIS DE INICIO DE UMA EPIDEMIA
O inicio de uma epidemia é sempre representado por casos ocorrendo em diversos locais da cidade, lamentavelmente muitos sequer buscam atendimento medico, e os que procuram atendimento não são, na grande maioria, encaminhados para sorologias. E sem comprovação laboratorial os dados ficam truncados. Em entrevistas com a população uma das perguntas é:
“Você já teve dengue?” a resposta na maioria das vezes é “não”. A segunda pergunta é: “e virose?” “ah, virose sim...O médico disse que era virose”...Aliás, esta definição médica para toda doença febril representa, para mim, um atestado de burrice...

sábado, 26 de abril de 2008

ERRO CIENTIFICO OU ENGANO?

Em entrevista na Gazeta Mercantil com Walter Gratze, Químico e Biofísico, (Vaidade no Laboratório 16-03-2001) onde ele analisa erros científicos e comenta a fraude deliberada e o auto-engano. ‘Existem impostores, charlatães e idiotas na ciência como em todas outras ocupações humanas’, diz Walter.
A fraude deliberada praticamente dispensa comentários, deveria ser prisão mesmo.
Quanto ao auto-engano ele pode ocorrer e isto pode ser considerado normal, afinal pesquisadores e cientistas são seres humanos e assim, passíveis de engano.
A diferença reside em não admitir o engano devido a trabalhos já publicados, por exemplo, então o cientista persiste nas afirmativas e como (vaidade!) muitos pensam ser semideuses, afinal são considerados cientistas respeitáveis e seus pronunciamentos são acatados e é necessária uma grande dose de ousadia para discordar.
Vaidade também e ‘fechar’ um grupo, não ouvir e não aceitar que o outro possa estar certo e que uma mudança no rumo de uma investigação sobre determinada patologia, as causas que envolvem a transmissão, (vetor-vírus), o histórico todo deve ser analisado.
Existe o paciente, os sintomas e um diagnóstico inicial. Está ocorrendo uma epidemia? Sempre é importante descartar ou confirmar através de exames, sorologias e isolamento viral. No caso específico da dengue o envolvimento médico-paciente-infectologista-laboratório-virologista-biólogo-pesquisador, assim mesmo como está escrito, todos juntos, uma corrente e as decisões tomadas pelo conjunto definirão a evolução do quadro epidêmico.
Vivemos epidemias sucessivas, a cada 04 anos, desde a reintrodução do vetor. Ações que poderiam solucionar o problema são abandonadas ou desenvolvidas de forma errada, dando a impressão de que quem senta em torno de uma mesa para discutir estratégias não tem o mínimo conhecimento sobre insetos, por exemplo.
Estudos explicam o comportamento, os hábitos, o desenvolvimento do vetor a partir do ovo até a forma adulta. Mas o uso inadequado do UBV (Ultra Baixo Volume ou fumacê) que é passado de forma aleatória com dosagens e horário inadequado e que em vez de passar em cada 10, 12 dias é usado “de vez em quando” e depois estes mesmos coordenadores vão para a imprensa justificar o fracasso devido ao erro cometido declarando: “que o inseto adquiriu resistência” e esta é uma informação errada! Ao passar o ‘fumacê’ corretamente irá sim eliminar o inseto adulto presente no ambiente e como o inseticida tem poder residual, ficando aderido em folhas por ex., onde o inseto ao nascer irá sugar a seiva, pois necessita da glicose (energia) para depois sugar o sangue para se alimentar e maturar os ovos para a oviposição, então este poder residual irá eliminar estes insetos até uma nova aplicação do UBV, quando novos insetos que nascerem serão eliminados.

ANALISANDO O VÍRUS

A pesquisa viral, para definir qual o sorotipo (DEN 1, DEN 2, DEN 3 ou DEN 4) será feita através de sorologias e isolamento viral, o que irá definir se aquele paciente esta sofrendo a dengue pela 1ª vês (DEN 1) ou se e a 2ª, 3ª ou quarta dengue deste paciente E NÃO OUTRO VIRUS DIFERENTE QUE ‘ENTROU’ NO PAIS! E é neste ponto que a “vaidade do cientista de carteirinha” não curva a cabeça e observa melhor o que está vendo em caros e inacessíveis equipamentos do laboratório!
Existem diferenças sim, visualizadas no microscópio, durante o exame para o isolamento viral de uma primeira ou segunda, terceira, dengue, pois as estruturas da membrana celular apresentam diferenças e estas estão sendo interpretadas como vírus diferentes e ai reside o engano que impede a criação de uma vacina para a dengue, pôr exemplo.
O registro de infecções sofridas pelo organismo permanece com o indivíduo por toda a vida. Algumas doenças infecciosas acometem a pessoa apenas uma vez na vida enquanto outras podem se repetir.
Lamentavelmente enquanto este erro ou engano não for corrigido não teremos uma vacina ou um tratamento mais eficaz no caso da dengue.
A primeira hipótese conhecida como Teoria da Infecção Seqüencial, desenvolvida por Halstead, considera que o DH (dengue hemorrágico) e FHD (febre hemorrágica da dengue) são resultados de uma resposta imunológica que ocorreria em portadores de experiência imunológica anterior com a dengue sugere também, no caso de menores de 01 ano de idade cuja mãe sofreu infecção pela dengue (transferência via placentária).
Já Rosen defende a existência de cepas mais virulentas do vírus da dengue, que provocam manifestações mais graves (febre hemorrágica).
A pior hipótese é esta: incompetência.
Em minha pesquisa venho procurando evidenciar que a cada 04 a 05 anos as atividades epidêmicas aumentam evidenciando assim o intervalo existente entre uma infecção e outra, conforme podemos analisar nos dados a seguir:

1.995...: 124.887 mil casos, 112 casos hemorrágicos............... 02 óbitos.
1.996...: 175.818 mil casos, 69 casos hemorrágicos................ 01 óbitos.
1.197...: 254.109 mil casos, 35 casos hemorrágicos.................05 óbitos.
1.998...: 535.388 mil casos, 105 casos hemorrágicos................10 óbitos.
1.999...: 535.388 mil casos, 70 casos hemorrágicos............... 03 óbitos.
2.000...: 231.471 mil casos, 59 casos hemorrágicos................ 03 óbitos.
2.001...: 413.067 mil casos, 679 casos hemorrágicos............... 29 óbitos.
2.002...: 780.644 mil casos, 2.607 casos hemorrágicos.......... 145 óbitos.
2.003...: 341.902 mil casos, 713 casos hemorrágicos................38 óbitos.
2.004...: 112.928 mil casos, 77 casos hemorrágicos................ 03 óbitos.
2.005...: 203.789 mil casos, 433 casos hemorrágicos............... 43 óbitos.
2.006...: 234.068 mil casos, 346 casos hemorrágicos............... 37 óbitos.
2.007...: 536.519 mil casos, 1.275 casos hemorrágicos..............136 óbitos.

dados retirados do site PHO-PAN-AMERICAN HEALTH ORGANIZATION

Uma epidemia de proporções assustadoras atingiu o Rio de Janeiro em 1986, com UM MILHÃO de pessoas infectadas e, se somarmos 2007 e 2008 os números mostrarão o que venho tentando fazer com que as “autoridades da saúde” enxerguem!
Os dados fornecidos em 03/01/2002 pelo Ministério da Saúde são de 5.334 casos de dengue em 1989, 40.642 mil em 1990, em 1991: 97.209 mil casos, 1992 houve 3.215, e 1993 houve 7.086 casos e, para 1994 o registro foi de 56.621 casos notificados.
Em 2007 o número de casos “pula” novamente para 536.519 mil casos de DENGUE, (registrados os subnotificados não aparecem), dos quais 1275 casos hemorrágicos com 136 óbitos!
Os dados iniciais, em 1995 são de que 124.887 mil pessoas sofreram dengue com 112 casos com evolução para Febre Hemorrágica da Dengue e dois óbitos. Quatro anos depois nova epidemia onde o numero de casos “pula” para
535.388 mil pessoas e ai certamente estarão os reinfectados e os novos casos e
novamente 04 anos depois outro grande aumento nos números: 780.644 mil casos com 2.607 casos de Febre Hemorrágica e 145 óbitos com a circulação de sorotipos DEN 1, DEN 2 e DEN 3. Faltam os dados restantes dos casos de 2006, que certamente irão apontar um numero bem maior do que esta na tabela acima. Os dados que constam ano a ano são bem menores, mas não são insignificantes de maneira alguma, pois 112.928 mil pessoas são 112.928 mil pessoas, um número bastante significativo de novos infectados e entre estes podemos observar 77 casos de Febre Hemorrágica de Dengue com 03 óbitos!
Segundo o Ministério da Saúde em 1995, no continente Americano houve 250.000 mil casos e entre estes, sendo que sete mil foram da forma hemorrágica.
NOVA EPIDEMIA: A persistir as ações de controle erradas, nos anos 2012/2013 nova e terrível epidemia irá ocorrer! E, entre um ano e outro, muitos brasileiros serão infectados ou reinfectados.

BEATRIZ ANTONIETA LOPES
BIÓLOGA com especialização em ENTOMOLOGIA MÉDICA

bia_utopia@yahoo.com.br ou bialolara@gmail.com




domingo, 20 de abril de 2008

CONTROLE DE INSETOS VETORES PATOGÊNICOS AO HOMEM

*BIA LOPES
A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE-OMS, em sua publicação Space spray application of insecticides for vector and public health pest control, (Aplicação de inseticidas para controle de vetores patogênicos à Saúde Pública), determina o uso do Ultra Baixo Volume-UBV (ou fumacê) bem como explica a maneira e os cuidados na aplicação do inseticida e a necessidade do uso em alguns casos sendo este um método rápido de controle em emergência ou situações de epidemia e pode ser usados para controle de insetos vetores.
RESISTÊNCIA A INSETICIDAS Aplicado o inseticida adequado, da forma correta irá eliminar o inseto. Mosquicidas, raticidas ou carrapaticidas não são indicados para eliminar mosquitos. Conhecendo o ciclo de desenvolvimento do inseto sabemos que todo aquele mosquito adulto que estiver no raio de aplicação do Ultra Baixo Volume (fumacê) será eliminado. Mas os ovos, larvas e pupas, nos múltiplos criadouros espalhados pela cidade, em terrenos baldios onde o lixo que se acumula, que vai de velhos sofás a carcaças de fogões e geladeiras, milhares destes insetos eclodem diariamente e saem em busca de sangue e muitos voltam ao próprio local onde nasceram para depositar de 180 a mais ovos, cada fêmea. Este processo é rápido envolve de uma semana a dez dias. Insetos marcados em laboratório para rastreamento de distância de vôo já atingiram 1.200 metros, podendo ainda ir mais longe.
Se o fumacê for aplicado aleatoriamente, não haverá resistência ao veneno e sim o surgimento de novos mosquitos não eliminados (são os que nascem após a aplicação do inseticida) e devido a isto que a aplicação deverá ser realizada em intervalos regulares até a eliminação destes vetores.
CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO DE FUNCIONARIOS
As exigências para o manejo, preparo e manuseio de inseticidas são de fundamental importância: Luvas, óculos de proteção, mascara respiratória, (que deve ter seu filtro trocado periodicamente, devido serem micro gotinhas podem facilmente ser inaladas durante o preparo e a aplicação), protetores auditivos são também indicados devido ao ruído durante a aplicação. Estas orientações fazem parte da publicação da OMS-Organização Mundial de Saúde, basta traduzir e ler. Já houve acidentes com inseticidas em função do não cumprimento das normas técnicas ou uso inadequado do inseticida (funcionários usaram o veneno de forma abundante, para lavar paredes, sendo que a aplicação correta é no aparelho que distribui micro gotículas) e neste casos alguns foram a óbito e outro ficaram com graves seqüelas.
Durante os anos que a SUCAN aplicava o fumacê a redução de insetos nocivos era percebida pela população, que ficava livre da espoliação e vetoração de patologias.
A população preocupada e buscando proteger sua família compra “sprays” de inseticidas e utiliza, colocando em risco a saúde de bebês, por exemplo, recordo a jovem mão aplicando generosamente um determinado inseticida no quarto do bebê e quando questionei sobre o perigo para a saúde da criança ela ponderou “ah, este não faz mal, não tem nem cheiro”, ignorando que o cheiro é adicionado, muitas vezes para servir de alerta, no gás de cozinha, por exemplo.
OS SINAIS DE INÍCIO DE UMA EPIDEMIA
O inicio de uma epidemia é sempre representado por casos ocorrendo em diversos locais da cidade, lamentavelmente muitos sequer buscam atendimento medico, e os que procuram atendimento não são, na grande maioria, encaminhados para sorologias. E sem comprovação laboratorial os dados ficam truncados. Em entrevistas com a população uma das perguntas é:
“Você já teve dengue?” a resposta na maioria das vezes é “não”. A segunda pergunta é: “e virose?” “ah, virose sim...O médico disse que era virose”...Aliás, esta definição médica para toda doença febril representa, para mim, um atestado de burrice...