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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Batalha Perdida

Li e gostei muito do artigo do Dr. Helder e estou publicando no site pela importância e coerência do relato. Se todos fizessem o que deve ser feito em relação aos insetos vetores certamente o Brasil não estaria na situação que está...
A situação, no Brasil, não muda nunca... Apenas EVOLUI... Para pior!   E agora, com a proximidade dos Jogos da COPA DO MUNDO fico refletindo: Cuiabá-MT., o Rio de Janeiro-RJ., vão esconder os casos (e os mosquitos) onde????
Cada visitante levará como "souvenir" uma DENGUE de recordação???  

 Beatriz

                             Batalha Perdida


Autor: HELDER ANTÔNIO AGOSTINI DE MATOS


No início da década de 90 retornei ao Rio de Janeiro, após uma jornada profissional na Amazônia, onde trabalhei em uma bem-sucedida iniciativa de controle de malária no então incipiente campo de petróleo do Rio Urucu.
Uma das particularidades desse trabalho foi viabilizar infra-estrutura médico-sanitária para desenvolvimento de ações no interior da floresta, em região antes inabitada, repleta de mosquitos.
No que diz respeito à malária, o desafio foi inimaginável: desde a descrença absoluta das autoridades regionais em qualquer forma de sucesso no seu controle até a inexistência de modelo local compatível com o empreendimento. Recrutamos e treinamos pessoal, conveniados com a então SUCAM.
Não havia como controlar vetores buscando apenas ou sequer imaginando buscar criadouros de insetos! Os rios amazônicos mudam de curso anualmente, deixam lagos imensos em áreas alagadas após retornarem de suas cheias, sem contar na imensidão de árvores gigantescas que podem abrigar uma infinidade de pequenas poças...
Ora, o Rio de Janeiro e o país estão se confrontando com casos de dengue e infestação pelo vetor, imbatível, desde aquela época! Surpreendeu-me que por aqui se estivesse valorizando tanto a busca de criadouros e se combatesse de forma tão débil o vetor adulto...
Ao longo de mais de uma década tenho observado esse paradoxo e as manchetes sobre a dengue falam por si.
Não preciso dizer mais nada, além da constatação, ao me encontrar hoje com um profissional de saúde, agora em seu segundo episódio de dengue, com manifestações hemorrágicas: apesar do sucesso com uso de fumacê por aqui, em décadas e situações anteriores, o Rio e nossas cidades estão menosprezando aquilo que a Amazônia nos forçou a fazer a partir de incertezas diante de sua vastidão, já que a borrifação de inseticidas não teria como cobrir todo o campo operacional de maneira lógica e racional.
Duas décadas do modelo atual de controle do Aedes demonstram que "algo mais" merece ser feito! Já ouvi em congresso que o tamanho da gotícula dos borrifadores era um empecilho para seu melhor uso nesta cidade, lá longe, no início dos anos 90! Isso quando já os usávamos com pleno sucesso nas estradas e nos acampamentos em terra batida do Urucu, nos finais de tarde morna e úmida, permitindo que milhares ali trabalhassem e vivessem sem qualquer episódio de contaminação!
Encerro com profunda tristeza, semelhante àquela que vivi quando me deparei com servidores contratados para controle de vetores, acampados na Cinelândia, reivindicando readmissão nos quadros da FUNASA, pouco antes de mais uma escandalosa epidemia de dengue, ao longo dos anos 90, fruto do descaso de então para com esta que já se impõe como eterna vergonha da saúde pública em nosso país.
Por favor, não queiram me convencer que o modelo atual é eficiente, que não temos outra alternativa, sem também atacar os insetos adultos... Isso requer estratégias, gastos, dirão alguns, mas por que ainda não fazemos? Vamos continuar assistindo a manchetes diárias com mortes e aumento do número de casos por mais quantas vezes e décadas?


HELDER ANTÔNIO AGOSTINI DE MATOS é médico.
O GLOBO – OPINIÃO – segunda-feira, 04/02/2008, p. 7
E-mail: helderantonioagostinidematos@yahoo.com.br


sábado, 18 de dezembro de 2010

É URGENTE A NECESSIDADE DE MUDAR O ENFOQUE DAS EPIDEMIAS NO BRASIL

DENGUE: Especialistas afirmam que a doença poderia ter sido evitada se o controle tivesse sido feito a tempo”...


Com medidas de controle e prevenção muitas patologias poderiam ser evitadas. E o termo correto é este mesmo: EPIDEMIA. Podemos denominar como surto, casos eventuais que ocorrem em determinada região.

A Dengue é uma das principais doenças que atingem a população brasileira. Outra é a Leishmaniose. E as duas são transmitidas por mosquitos, o Aedes aegypti e o Flebótomo.

Não são doenças novas. Já haviam sido erradicadas e retornaram graças ao jogo de interesses políticos e o “jogo de empurra”, onde o Governo Federal ‘lavou as mãos’ e transferiu aos estados e municípios o controle e vale lembrar: As verbas também.

INSETICIDA OU APENAS REPELENTE?

O mosquito é um ser “sem pai nem mãe”, pois a partir do momento que o Governo Federal transferiu a incumbência ao Estado para gerenciar as ações, substituiu o inseticida por motivos, digamos obscuros, por outro produto ÚNICO NO MERCADO, só troca o nome, mas todos são Piretróides. O consumidor vem sendo lesado de duas formas:

Quando chega ao supermercado e adquire um inseticida ou veneno, como era antigamente denominado o produto, a pessoa compra, não percebe efeito nenhum, pois o inseto continua ou se afasta temporariamente, então substitui, compra outro, de outra marca e embalagem muitas vezes de preço mais elevado, mas não percebe estar adquirindo o MESMO PRINCÍPIO ATIVO! Todos são Piretróides que possuem apenas momentâneo efeito de repelência, oferecendo proteção mínima, o que não é suficiente para proteger a pessoa.



ZEBRAS E MOSQUITOS

Zebras e mosquitos podem causar graves problemas de saúde pública, devido os equívocos cometidos por certos gestores, que, não possuindo interesses em se qualificar adequadamente acabam confundindo mosquitos com zebras e vice-versa, embora a zebra não seja comum em nosso país... A semelhança entre um e outro está nas listras e no país de origem: África.

A zebra, definição: nome feminino

1. ZOOLOGIA mamífero perissodátilo, da família dos Eqüídeos, domesticável, com pelagem listrada de faixas escuras, representado por várias espécies e subespécies africanas.



A zebra não transmite DENGUE...

Isso qualquer um sabe. Mas, devido a algumas semelhanças podem as zebras ser eliminadas para ‘combater a dengue’, assim como ‘especialistas’ eliminam os cães para acabar com a Leishmaniose, quando o correto seria eliminar o mosquito vetor!



O Aedes aegypti, definição: Aedes (Stegomyia) aegypti é a nomenclatura taxonômica para o mosquito que é popularmente conhecido como mosquito da DENGUE, é um mosquito da família Culicidae proveniente da Africa, atualmente distribuido por quase todas as partes do mundo, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais.


Esta é uma fêmea Aedes aegypti, facilmente identificada. A diferença entre um e outro reside aonde mesmo? Ah, sim: Um é vetor da DENGUE. O outro é um animal  da família dos Eqüídeos, domesticavel...

MEDICAMENTO OU VENENO?

O Governo Federal, através do Ministério da Saúde, distribui FARTAMENTE, o medicamento de princípio ativo PARACETAMOL, que é o mesmo TYLLENOL, estranhamente é o único que nunca falta para distribuir nas unidades de saúde pública.

Este ‘medicamento’ teve o uso proibido há muitos anos nos Estados Unidos e, aproximadamente 30 anos, no Rio Grande do Sul foi retirado de circulação pelos graves problemas de saúde desencadeados pelo princípio ativo Paracetamol.

Ocorre também que, passado o efeito do medicamento volta a dor e a febre, e o paciente (ou familiares) faz uso novamente do Produto (medicamento), ocorre então um depósito, pois transforma-se, tornando-se um composto que vai se acumular no fígado.

O uso de tal medicamento juntamente com antiinflamatórios pode paralisar as funções renais levando a um quadro irreversível.

Leia a denuncia do doutor Anthony Wong, toxicologista do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas   http://noticias.uol.com.br/uolnews/saude/entrevistas/2005/12/08/ult2748u82.jhtm

E do doutor Renan Marino:

http://uniaodasdistrofias.blogspot.com/2010/08/dengue-hemorragica-e-paracetamol-vida-e.html

ou

http://www.liderfm.com.br/noticiaDetalhes/99/medicamento-pode-ser-prejudicial-ao-figado-se-utilizado-em-doses-extras



Trata-se de uma tragédia anunciada! Quantos morrem a cada ano pelo uso deste princípio ativo de alta toxicidade? E mais grave ainda: muitas pessoas pensam que o Tyllenol ou Paracetamol (nome do princípio ativo) serve como proteção “para não ter Dengue”!

Muitas mães compram (sem receita médica, não precisa...), e dão ao bebê, em caso de febre, e como a febre retorna ANTES de passar às oito horas de intervalo, repetem a dose! O fígado do bebê é gravemente agredido pelo ‘medicamento’! Então, Caso este bebê esteja com DENGUE à agressão ao órgão hepático é dupla e pode levar ao óbito...

Neste artigo você pode analisar os obscuros fatos que envolvem a DENGUE:

1- Por que o MINISTÉRIO DA SAÚDE adquire e distribui FARTAMENTE um produto que funciona como repelente (temporariamente)? Permetrina não é inseticida!

2- Por que o MINISTÉRIO DA SAÚDE adquire e distribui FARTAMENTE o Paracetamol, medicamento que teve o uso proibido nos Estados Unidos já há muitos anos?

3- Ninguém é obrigado a saber sobre patologias, vetores ou inseticidas... Mas para assumir como gestor de Saúde Pública tem que ter pelo menos a assessoria de especialistas que conheçam sobre insetos vetores, que pertença a área de Infectologia, Biologia, Medicina Veterinária (zoonoses), Agronomia (conhecimento químico de inseticidas). É necessário formação e competência para mudar o quadro epidêmico brasileiro!

Até aonde vai a falta de respeito à saúde do cidadão? Além disto, tudo ainda o governo gasta polpudas verbas na mídia, para culpar o cidadão pela ingerência de seus indicados incompetentes para administrar a Saúde Pública!

É inadmissível que esta situação continue!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

VETORES E CONTROVÉRSIAS



A DENGUE,
A LEISHMANIOSE
E AS AVESTRUZES....

Calma, calma! A avestruz não transmite nem dengue nem leishmaniose! Ela aparece aqui para demonstrar o comportamento equivocado de quem está (ou esteve) frente à coordenação e, de forma inconseqüente, se comporta como a avestruz, mantendo “enterrada a cabeça” num buraco e achando, que, assim, o problema fica solucionado!
“Aqui não tem Dengue”, só virose; “a culpa é da população” e outras desculpas vergonhosas, que costumamos ouvir...
Ah, e cães não transmitem Leishmaniose, eles são chamados reservatórios, após a contaminação e são, como já escrevi anteriormente, vítimas assim como nós, do mosquito, da incompetência e do descaso desses maus gestores escalados para o setor e de quem os escalam....
Se as ações de combate/controle dos vetores estão equivocadas (e esta é uma das explicações para o aumento de epidemias), é necessário rever, rediscutir, alterar os procedimentos. Para isto se faz necessário uma boa dose de coragem no enfrentamento de resistências enraizadas e de interesses diversos.
Gestores, técnicos e, especialmente alunos das variadas áreas, inclusive da saúde (medicina, agronomia, veterinária, biologia, etc.) deveriam ter como princípio a leitura. Bons autores podem mostrar com clareza o ‘caminho das pedras’, desvendando os persistentes mistérios de recursos e mais recursos empregados sem resultado positivo nenhum. Os livros de Gubler, Halstead, são em inglês, o que pode dificultar um pouco, mas por que não começar o exercício fazendo a tradução? Afinal, cargo público deve ser ocupado por gente que demonstre interesse em saber!



E temos nossos autores brasileiros, com excelentes obras relacionadas à virologia, parasitologia, infectologia, entomologia.
Ler e questionar!
Quando o curso solicita algum trabalho de pesquisa parece que muitos estudantes usam o método “control C” e “control V”, isto é: copia e cola.
Não! Não tenho nada contra esta ferramenta do sistema, é ótima... Mas quem tem certo grau de preguiça, na hora de realizar um trabalho usa única e exclusivamente esta ferramenta! E isto, sim, é negativo... Se não ler não aprende; não assimila, absorve apenas. E quem não sabe não questiona, ‘engole tudo’ como certo e não é assim que funciona!

POR QUE A DENGUE SÓ AUMENTA?
Uso de inseticida errados; metodologia incorreta; funcionários sem capacitação. Pensar que criar um dia “D”, fazer circo, teatro, show, vestir-se de mosquito, muito panfleto inútil e dispendioso, sem resolver o problema, é perda de tempo e de dinheiro. E dinheiro do contribuinte!
“Infestação por dengue é mascarada”, diz Leda Regis, pesquisadora, “pois os agentes de saúde visitavam as casas para procurar visualmente as larvas do mosquito e esse porcentual não chegava a 5% em Ipojuca e a 12% em Santa Cruz do Capibaribe.” Muitos deles desconhecem ou não sabem identificar nem larvas nem pupas ou o próprio mosquito, explica ela depois de algum acompanhamento.
Hoje pela manhã, 17.01, enquanto aguardava o conserto dum pneu, numa borracharia, no centro, dei uma olhada geral, “com olhos de quem quer ver”. Pois bem, na borracharia não encontrei criadouros, apesar da utilização de uma grande caixa d’água para verificar furos em pneus.
Mas, ao lado...
Na parte de trás de uma oficina de confecção de placas e faixas de publicidade, o quadro era assustador! Grandes e pequenas embalagens jogadas, cheias de água da chuva que caiu no dia anterior estavam ali, num verdadeiro paraíso para os mosquitos! E alguém revisou isso? Não!
EDUCAÇÃO AMBIENTAL É IMPORTANTE, SIM
Mas não é tudo.
Se os vetores ainda não estivessem instalados em nosso país, só educação ambiental resolveria, mas este não é o caso. Fazem-se necessárias providências urgentes para a eliminação dos insetos.
Em meu artigo UM GRANDE ERRO DE AVALIAÇÃO, cito palavras do Dr. Helder, que diz de sua profunda tristeza por ver o país “se confrontando com casos de dengue e infestação pelo vetor, imbatível, desde aquela época! Surpreendeu-me que por aqui se estivesse valorizando tanto a busca de criadouros e se combatesse de forma tão débil o vetor adulto... Ao longo de mais de uma década tenho observado esse paradoxo e as manchetes sobre a dengue falam por si.”
Ele fala também, sobre seu trabalho realizado na Amazônia, garantindo a saúde dos trabalhadores do campo de petróleo do Rio Urucu, em plena Floresta Amazônica, com milhares de criadouros propiciados pelas mudanças anuais de cursos dos rios e uma imensidão de árvores gigantescas, que podem abrigar centenas de poças d’água. Ele recrutou e treinou o pessoal em convênio com a extinta SUCAN.
Qual a fórmula que Dr. Hélder utilizou? Fez uso do UBV, o velho “fumacê” e, conforme suas palavras “com pleno sucesso nas estradas e nos acampamentos em terra batida do Urucu, nos finais de tardes, mornas e úmidas, permitindo que milhares ali trabalhassem e vivessem sem qualquer episódio de contaminação”! (Batalha Perdida- O GLOBO do dia 04/02/2008).
O comentário de Paulo Cesar Silva, Sanitarista do Ministério da Saúde, é também muito claro: “É impressionante como em situações de crise, como em uma epidemia de dengue, por exemplo, especialistas de uma área se atrevem a dar opiniões sobre coisas que não dominam. A questão da ineficiência do "fumacê" é uma delas”.
“Poucos, a não ser especialistas da área de controle de vetores sabem o contexto. Uma epidemia (seja ela de malária ou de dengue, SÓ SE INTERROMPE COM INSETICIDAS DE AÇÃO ESPACIAL! “ A dengue é uma doença que, se o gestor municipal, fizer o dever de casa (atividades de rotina, como mobilização da população e visitas casa-a-casa com cobertura de qualidade e regularidade), consegue-se o controle com o mínimo uso de inseticidas”.
Fica bastante claro que ao longo destes últimos anos, erros e mais erros foram cometidos e o resultado ai está: o vetor se espalhou pelo país todo, com exceção ao RS que apresenta casos de dengue em que as pessoas estiveram em cidades/estados onde o vetor e a patologias estão presentes.
E Paulo Cesar conclui: “A epidemia de dengue em Fortaleza, este ano, foi controlada graças ao uso do Malathion em
Aplicações a UBV.
Por favor, deixem de prestar um desserviço à saúde pública! Estamos convivendo com uma situação grave, principalmente pelo acometimento de crianças. Se não querem ajudar, pelo menos não atrapalhem. Esse pessoal devia pelo menos consultar o MS - temos 100 anos de experiência em controle de vetores - O Brasil foi e é referencia técnica mundial nesta área, hoje podemos festejar a interrupção da doença de Chagas pelo barbeiro, graças ao uso racional de inseticidas de ação residual”.
Com a ameaça de uma epidemia envolvendo 2009 e 2010 torna-se imperativo a revisão urgente das ações, ensejando as modificações que se fazem necessárias!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

DENGUE: É PRECISO ATITUDE E COERÊNCIA

“Eu não trabalho com o "achômetro”,declarou uma coordenadora da saúde. Não a contrario neste aspecto, mas, minha opinião, é de que ela deveria trabalhar com o “desconfiômetro” a indicar que existe um erro muito grave nas ações executadas, pois se estivesse tudo muito certo não haveria nem o mosquito da dengue e nem o da leishmaniose ou outras patologias transmitidas por vetores, matando a população!
Quanto ao “achômetro” na saúde, tem gente que acha que está tudo bem; acha que as ações desenvolvidas estão corretas... Acha, também, que reuniões, palestras e panfletos vão eliminar os mosquitos e acabar com a dengue e a leishmaniose, achando ainda, que aparecer na mídia com declarações, não vou dizer mentirosas, mas bem equivocadas, com dados fantasiosos e omissos sobre o número de casos e até mesmo sobre o número de óbitos em conseqüência destas patologias, esquecendo que, se a pessoa foi a óbito, tem a família, amigos e vizinhos para questionar os dados incorretos...
Se essa coordenadora, utilizando então o “desconfiômetro” analisasse e refletisse sobre as ações desenvolvidas e os resultados obtidos, quem sabe conseguisse ver que algo está errado nestas ações de combate ao vetor *preconizadas pelo MINISTÉRIO DA SAÚDE, e seguida à risca pelos gestores da Saúde Pública! E não me refiro apenas aos gestores aqui de Mato Grosso, mas do Brasil todo. O erro é enorme e as conseqüências, desastrosas; a prova está ai: epidemias de grande magnitude como a ocorrida no Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro e as que ocorrem em Mato Grosso, com dados subnotificados, fato que gera informações errôneas e prejudiciais à população.
Repito: Se as ações estivessem corretas, não haveria tantos casos de DENGUE e a LEISHMANIOSE não estaria matando tantas pessoas!
Se a DENGUE é uma patologia grave, a LEISHMANIOSE é pior, muito mais grave e mais letal!
Quando mostrei o erro que envolve o inseticida aplicado, a resposta foi: “mas é o MINISTÉRIO DA SAÚDE que *preconiza o uso deste inseticida”. Ora, se o ministério está errado vamos aceitar calados?
Se o erro parte do MINISTÉRIO DA SAÚDE, hoje o mais importante é corrigir este erro, urgente!
Vivemos sob ameaça; o Brasil se tornou zona de risco epidêmico, e, se nada for feito, as conseqüências serão de grandes proporções, agravadas com o Sistema de Saúde Pública revelando estrutura frágil. Assim, podemos esperar o quê?
O erro está nas ações, que, ano após ano se repetem, sempre da maneira errada!
Os números das epidemias podem ser consultados no site da Organização Mundial de Saúde-OMS; não são dados achados aleatoriamente; e, sobre o que posso dizer a respeito deles, é que não apresentam a realidade nua e crua, o que se deve à grande subnotificação, senão, os números estatísticos seriam ainda mais assustadores.
Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, entre outros estados, a persistir o quadro caótico, desorganizado e incompetente nas ações desenvolvidas de “combate” à DENGUE podem (e eu lamento profundamente dizer isto) se preparar para epidemias enormes, com casos de gravidade piores dos que hoje acompanhamos na mídia, pois quatro anos de repetidos desacertos, passam rápido, muito rápido!
As epidemias que atingiram cidades em diferentes estados brasileiros podem ser observadas, basta fazer uma busca e encontraremos os registros de 1986 (Rio de janeiro com mais de um milhão de casos), 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2007 e 2008, nos quais se percebe as seqüências de novos casos e, entre estes, pessoas sofrendo a 2ª, 3ª dengue.
Torna-se urgente mudar o enfoque no combate ao vetor. Eliminar larvas? Não funciona. Está comprovado.
Tem que se eliminar o inseto adulto! Sem mosquitos, não haverá mais larvas...

Obs: * “Preconiza” parece ser uma palavra (a única) decorada por quem “deu uma olhadinha” nas normas técnicas do Ministério da Saúde, achando que ela poderia impressionar quem a ouvisse ou lhe dar credibilidade...