Mostrando postagens com marcador mosquitos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mosquitos. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de abril de 2011

Combate à dengue?

Como o assunto "dengue" esta sempre em alta vou republicar este artigo...



Sob o título "Tecnologia ajuda no combate à dengue em Pernambuco" a notícia descreve "Uma das novas armas tecnológicas de combate à dengue é um aparelho, um pouco maior que uma caixa de sapatos, desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco. Ele faz a contagem dos ovos do mosquito da dengue com a ajuda de um programa computadorizado", 24/07/09.

Existe uma falha imensurável nas ações de controle de vetores patogênicos sejam eles Aedes, Flebótomos ou outros. Quem está dentro de laboratórios com verbas e equipamentos e poderia fazer alguma coisa para o efetivo controle vetorial fica inventando máquina de contar ovos de mosquito!

Outro detalhe preocupante: a declaração de uma técnica, que diz ter contado 3.912 ovos. "Demorou quase meia hora para contar tudo", e com o aparelho a contagem levaria menos de um minuto... É impossível contar manualmente em meia hora tal quantidade de ovos!

A mim parece que o essencial, o primordial, é eliminar os vetores!

As verbas para pesquisa estão sendo liberadas e utilizadas sem critérios, sem controle, ficar inventando armadilhas, máquina de contar ovos, etc., com inventos sem nexo! Isto é um crime, uma irresponsabilidade sem limites!

Enquanto isto inseto se prolifera de forma assustadora, os números aumentam ano após ano, pessoas são infectadas e reinfectadas. Formas mais graves, provocadas pelas reações durante uma 2ª infecção, dengue hemorrágica, Síndrome de Choque por Dengue, com o comprometimento de órgãos vitais causado pela replicação viral, são as denominadas "complicações da dengue", pois o vírus se multiplica dentro dos capilares sanguíneos de órgãos importantes tais como o pulmão, coração, cérebro, fígado, enfim órgãos viscerais do ser humano todos ricamente vascularizados que, com a intensa replicação viral, rompem causando hemorragias de menor ou maior gravidade onde a evolução dependerá das ações do profissional de saúde.

Centenas e centenas de pessoas infectadas pelo vírus da dengue buscam atendimento médico em postos de saúde, hospitais (na maioria destes com atendimento deficitário) enquanto isto é liberada verba para contar ovos de mosquito! O ideal, o necessário seria eliminar os mosquitos, garantindo assim, saúde para a população.

Ocorre que não há interesse em eliminar o mosquito dos "ovos de ouro", como já escrevi em artigo anteriormente, pois ele representa verba preciosa, verba esta que elege de vereador a presidente...

Beatriz Antonieta Lopes é bióloga, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso. E-mail: beatrizantonietalopes_ccz@ig.com.br

quinta-feira, 3 de março de 2011

UMA NUVEM DE MOSQUITOS


A realidade é esta! Realmente não há um só local em toda Rondonópolis que não sejam encontrados muitos mosquitos! Sejam eles os da Dengue (Aedes aegypti), Culex fatigans (pernilongos) que além de incomodar o sono são transmissores de várias patologias, inclusive a Wunchereria bacrofti, ‘elefantíase’, e o terrível Flebótomo, vetor da Leishmaniose.
Isto não iniciou agora. Eu conheci o Mato Grosso há 18 anos e o Aedes já estava ‘atacando’... Quando iniciei a pesquisa haviam grupos da saúde encarregados de desmentir a epidemia em andamento, seria, segundo eles, “para não alarmar a população”...
Não alarmar a população! Irresponsabilidade fatal, que levou a óbito várias pessoas. Já nesta época (1993/1994) passei a alertar sobre os riscos da disseminação do vetor para outros estados onde ainda não havia casos de Dengue nem a presença do vetor.
Ocorre que o mosquito era (e é ainda) transportado dentro de ônibus e carros particulares. Quando um ônibus está na garagem para lavar, as fêmeas, já alimentadas, costumam se esconder DENTRO do ônibus, lugar escuro, sob os bancos. Depois este ônibus vai para a rodoviária, recolher os passageiros e sai de viagem para qualquer ponto do país, parando por dezenas de cidades onde, além dos passageiros, descem muitas fêmeas, já alimentadas com o sangue de quem estava dentro do veículo, elas saem e vão procurar um lugar para fazer a oviposição (depositar os ovinhos).  Centenas deles.
Passada uma semana nascem muitos novos mosquitos e imediatamente vão sugar o sangue e transmitir a doença. A crença de que o mosquito precisava sugar o sangue de alguém doente para adquirir o vírus está descartada. O inseto já NASCE com o vírus.
         equívocos e desinformação

“Era para ser mais uma tranqüila noite de sono”... Entre tanta desinformação veiculada estou destacando esta que abre o parágrafo. Esta divulgação mostra um bebe dormindo e a terrível ameaça contida no anuncio. Ocorre que o Aedes é um inseto de hábitos diurnos. Esta e outra ‘propaganda da dengue’ divulgada na mídia onde mostra um bando de crianças parecem ser as únicas AÇÕES desenvolvidas no combate ao vetor... Lamentavelmente!
O único lugar que vi muito mosquito da dengue circulando e sugando sangue dia e noite foi na Santa Casa. Por que ela (a fêmea) estava ‘trabalhando’ à noite: com a iluminação farta, necessária ao funcionamento do hospital as fêmeas sugam o sangue dia e noite. O hospital dispõe de uma empresa prestadora de serviço de dedetização, mas com produtos inadequados, o que não resolve o problema, pelo fato de possuir apenas repelência temporária.

        hábitos e necessidades do inseto
A cada alimentação o inseto procura um local propício e deposita centenas de ovinhos que, em uma semana tornar-se-ão insetos adultos, aptos a veicular o vírus!
A outra desinformação é a preocupação com tampinhas de garrafas pet: Ali o mosquito não tem como se desenvolver. Pois falta substrato, de onde o inseto retira os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. O inseto necessita pelo menos 10 aminoácidos para seu desenvolvimento.
Ouvi um coordenador mostrando uma destas tampinhas na TV, como se representasse risco, se esquecendo ele das centenas de caixas d’água espalhadas por toda cidade este levantamento é parte de meu projeto de pesquisa, ‘abortado’ por este e outros coordenadores da saúde. E o resulta está ai: Epidemia! Ou melhor, Pandemia! Sim, pois a grande expansão geografia leva a esta denominação.
A cidade possui centenas de caixas d’água em situação crítica: Com a tampa quebrada, sem tampa ou cobertas com uma telha ondulada (Eternit). São criadouros potenciais e invisíveis, onde se reproduzem milhares de insetos. Isso ocorre ano após ano, sem que efetivas providencias sejam tomadas...
Atualmente estão ocorrendo em alguns lugares o ‘oba-oba’ da dengue, os chamados mutirões que de prático e objetivo não representam nada! O pior é que muita verba pública vai ‘para o ralo’ enquanto centenas de pessoas adoecem!
Não existe um atendimento médico efetivamente preparado para este atendimento para as pessoas infectadas. O que percebemos é os locais de Pronto Atendimento superlotados e pessoas aguardando por 8 a 10 horas para um atendimento médico que, na maioria das vezes vai diagnosticar “virose”, receitar Paracetamol (outro erro) e encaminhar até mesmo os casos graves de volta para casa!
        sinais de emergência médica

Agitação, nervosismo, dores abdominais, pequenos sangramentos, cefaléia intensa, manchas pelo corpo, cefaléia intensa, paciente apresentando estes ou alguns destes sintomas deve merecer atenção especial para que não ocorra a Síndrome de Choque por Dengue.
A hidratação e monitoração deste paciente devem ser intensivas!

O uso do Paracetamol deve ser evitado:
Este medicamento NÃO DEVE SER UTILIZADO, o médico deve optar por outros medicamentos antitérmicos menos agressivos ao fígado do paciente, já bastante agredido pelo vírus, que se multiplica no fígado, causando lesões graves, lesões estas que podem ser agravadas por este medicamento.
Para verificar acesse o que diz o pesquisador Doutor Renan Marino e também o Doutor Anthony Wong, presidente nacional do CEATOX.
Alerto também para NÃO USAR medicamentos com o princípio ativo AAS – Acido Acetil Salicílico. ATENÇÃO: Este medicamento faz parte de várias formulações de medicamentos! O uso pode desencadear um princípio hemorrágico de difícil controle! Pacientes cardíacos devem consultar seu cardiologista, no caso de suspeita de DENGUE para avaliar a suspensão temporária do uso.

                                                              BEATRIZ ANTONIETA LOPES
                                                  Bióloga graduada pela UFMT
                                                    Curso  de Entomologia Médica-FIOCRUZ

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UM CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES DEVERIA SER MAIS ATUANTE

     Quando, há vários anos atrás idealizei, coletei as assinaturas dos delegados, presentes no Fórum de Saúde Pública, que estava nos momentos finais e NINGUÉM havia lembrado de pedir a instalação de um Centro de Controle de Zoonoses, eu imaginei um órgão para zelar pela Saúde Pública, humana e animal!

Jamais pensei que iria virar um matadouro de cães! E muitos destes, mortos sem a devida comprovação laboratorial, (aliás, o correto ainda seria orientar para que o dono do animal procurasse um veterinário).

A Leishmaniose não teve início repentino. Há bastante tempo que se percebia cães pelas ruas com o aspecto da doença, tanto a visceral quanto a de pele. Casos humanos, pela demora de diagnóstico e a falta de profissional especializado na área, ocorreram e foram a óbito. Atualmente Rondonópolis conta com um profissional experiente e atento, o que tem salvado a vida de muitos pacientes, de Rondonópolis e região!

A Leishmaniose apresenta um quadro de grande importância, com inúmeras mortes humanas provocadas pelo mosquito Flebótomo... E o que tem sido EFETIVAMENTE feito para eliminar o vetor? Até agora a única providencia que tive o desprazer de acompanhar (e questionar!) foi a eliminação semanal de mais de uma centena de cães, vítimas inocentes do mosquito e da inoperância que se verifica na área de controle de vetores... Parece que o cão é maior que o mosquito, mais fácil de eliminar!

A Dengue é este desastre: Seqüenciais epidemias, e fora do período epidêmico sempre surgem novos casos, mostrando a presença constante do vetor na região. O mesmo grupo atuante (?), os mesmos coordenadores ali estão já há bastante tempo, e a atuação deixa muito a desejar... Os produtos químicos ineficazes, mas ainda assim muito tóxicos ao homem e aos animais, já há muito deveriam ter sido substituídos por produtos adequados para mosquitos.

Estas ações, digamos, “equivocadas” da coordenação do CCZ local, e não vamos nos esquecer de onde partem as determinações e quem as coordena: o coordenador da Vigilância e Saúde Ambiental, órgão estadual, senhor Oberdan Lira, que responde por todos os municípios do Mato Grosso. Este coordenador parece não ter “sido cobrado” pela ineficácia das ações que ele insiste em manter, nem pelos seus superiores nem pela população...

Independente disto, cada coordenação municipal tem o DEVER de, percebendo a ineficácia das ações e produtos utilizados questionar o Estado e solicitar, sugerir e até mesmo exigir a substituição dos insumos.

Bastaria ler e analisar: Está bastante claro que os derivados de piretróides funcionam na eliminação de animais rasteiros, que ‘andam’! A população percebeu este efeito, mesmo sendo leiga no assunto, que após as aplicações realizadas pelo CCZ, morrem centenas de baratas, formigas, aranhas e cupins... No entanto, os mosquitos ‘somem’, durante 03 dias isto é são repelidos temporariamente, depois retornam, com mais fome de sangue!

UM CENTRO DE ZOONOSES NECESSITA TER UM DEPARTAMENTO DE ENTOMOLOGIA

Deve ser um departamento competente e dinâmico, em constante vigilância para, ao menor sinal da presença de vetores agir rapidamente, controlando assim, a entrada de novos vetores patogênicos. O número de Aedes não irá reduzir de forma ‘mágica’ se as providencias para o controle continuarem como estão...

Quanto ao flebotomíneos, estes continuam a aumentar e causar graves problemas ao homem e aos animais, pois o que se vê são cães doentes e novas pessoas com exames positivos para Leishmaniose!

E o surgimento de diferentes vetores patogênicos exige ações de controle imediatas!

A importância de um CENTRO de CONTROLE DE ZOONOSES está no fato de que, casos as ações fossem desenvolvidas corretamente, teríamos como resultado um município saudável.

Pelo CCZ deve ser realizado o controle não só dos insetos vetores de patologias como a Dengue, Elefantíase, Chagas, Malária e Leishmaniose, esta última envolve, além do homem, cães e pequenos animais selvagens, que funcionam como reservatórios, ratos, morcegos e outros animais peçonhentos devem ser monitorados com muita atenção!

IMPORTANTE: Muitas pessoas pensam que o cão ‘passa’ a Leishmaniose para as pessoas. Isto não é verdade! O cão no seu quintal, além de proteger sua residência ainda protege sua vida, pois o mosquito em busca de sangue suga o cão, uma vítima inocente. Não tendo o cão no quintal o mosquito ENTRA na sua casa e suga o sangue da sua família! Existe uma coleira repelente, que ‘espanta’ o inseto, chamada Scalibur. Não Mata o mosquito, apenas repele!

Chagas, cujo vetor é um triatomíneo (barbeiro), está em situação de descontrole, com denúncias da presença do vetor em diferentes pontos da cidade.

Morcegos, diretamente envolvidos na transmissão da raiva, que atinge cães, gatos, cavalos, bois e o homem.

Acidentes envolvendo aracnídeos, escorpiões, lacraias, cobras etc.

Sendo então o CENTRO de CONTROLE DE ZOONOSES uma referência de onde partem determinantes e condicionantes para a saúde coletiva existe a necessidade de atenção especial para que o trabalho seja desenvolvido com agilidade, dando resposta imediata, ao primeiro sinal de inicio de problema.

PROMOTOR DE JUSTIÇA DA DEFESA DA CIDADANIA E DO CONSUMIDOR:


Ontem, dia 21 de outubro ocorreu a reunião, convocada pelo Promotor de Justiça da Defesa da Cidadania e do Consumidor Doutor Ari Madeira Costa, com os presidentes de bairro. O Doutor Madeira apresentou dois pontos importantes:

1-O morador tem a obrigação de ‘checar’ seu quintal, remover todo possível criadouro.

2-O Presidente de cada bairro, juntamente com a diretoria, deverá verificar situações de risco, e notificar a Vigilância Sanitária e a Promotoria, para as devidas providencias.

Outras reuniões estarão ocorrendo em nossa cidade, visando a redução do elevado número de casos de Dengue. A cada ano ocorrem óbitos, pelas complicações hemorrágicas desencadeadas pela patologia.

LEMBRE-SE: O mosquito é ainda, o melhor estrategista!














sábado, 13 de junho de 2009

“PERPLEXIDADE ENVOLVE A DENGUE”

Para a epidemiologista e sanitarista Glória Teixeira, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFBA, o Brasil e outros países do mundo vivem uma "perplexidade", porque os vários esforços que vem sendo feitos não impediram a circulação do vírus da dengue. A sanitarista disse que "temos que avançar no conhecimento sobre o vírus e a doença, e para isso, os conhecimentos dos técnicos que atuam nos municípios são fundamentais".
Seria importante que a epidemiologista lançasse um ‘olhar mais abrangente’ sobre detalhes que venho publicando em meus artigos. Não são dados aleatórios, mas, sim, frutos de aprofundadas pesquisas, que envolvem diferentes enfoques: o inseto vetor; seu desenvolvimento do ovo ao inseto adulto; seus hábitos de vida; o vírus por ele vetorado; a patologia; as epidemias seqüenciais; o que ocorre com o indivíduo durante a primeira infecção; porque as reações são mais violentas durante uma segunda infecção; a dengue; a gestante e o bebê; o que é DEN 1, DEN 2, DEN 3 e DEN 4... Não bastassem esses erros, outros ainda mais graves somam negativamente.
OS ERROS COMETIDOS NO CONTROLE DO VETOR
T.C.P Novaes, pesquisadora química aposentada da FUNDACENTRO, SP, em seu artigo “DENGUE E OS 10 ANOS DO PEAa/PNCD -ERROS MANTIDOS, RISCOS DESCONSIDERADOS E REORIENTAÇÕES NECESSÁRIAS”, analisa, juntamente com sua equipe, os acontecimentos desencadeados devido a erros graves apontados há nove anos nos programas de controle vetorial de dengue, presentes nas orientações de diluição de larvicida e nas nebulizações ultra baixo volume (UBV), e riscos associados a essas operações.
"DENGUE: Instrução para pessoal de combate ao vetor Manual de Normas Técnicas", 3ª Ed.-Brasília-FUNASA/MS, conforme declara Novaes, permanece no manual o erro de cálculo de diluição do inseticida organofosforado temefós e do larvicida biológico Bacillus truringiensis israelensis (Bti) onde se mede o volume do recipiente (capacidade) e não o volume real de água, conduzindo a soluções mais concentradas que o previsto. No caso do Bacillus truringiensis israelensis (Bti), que, segundo o manual pode ser aplicado à água potável orientação aos executores de campo, propaga-se esse erro nacionalmente e eu questiono: em se tratando de uma bactéria, seu uso deveria ser muito controlado e rigoroso, pois o que poderia ocorrer na inalação desta bactéria, caso ela se aloje no pulmão de um individuo? No inseto sei muito bem como funciona: a larva ingere a bactéria que, dentro do sistema digestivo cresce e ‘explode’, matando a larva....
Este erro de cálculo gerou a informação ‘que o inseto adquiriu resistência’, o que não é verdade! O uso correto jamais irá gerar resistência! Mas em lugar de corrigir o erro, substituíram o inseticida e cometeram outro erro grave: utilizar inseticida inadequado, indicado a outro tipo de inseto e o resultado está ai. A PROLIFERAÇÃO DESENFREADA DO VETOR e a dengue se alastrando incontrolavelmente pelo Brasil todo!
A autora sugere em seu artigo, a suspensão do inseticida; no caso, minha sugestão é a correção de dosagens, aplicações, horários e os meses corretos para o controle. Trata-se de um inseticida que elimina mosquitos e não existem relatos de causar danos a humanos.
O que houve (aqui por perto) foi o uso inadequado, por parte de funcionários, que ‘lavaram paredes’ com o inseticida, que é próprio para ser aplicado com o UBV em microgotículas! Ocorreu também, por falta de maiores informações, que servidores se acomodavam sobre as embalagens de veneno, para descansarem...
As reavaliações na condução do controle do vetor devem ser rapidamente estudadas e readequadas, pois já passou da hora de fazer o que deve ser feito!

BANCO MUNDIAL investe 1,2 milhões de Reais EM ARMADILHAS PARA MOSQUITOS

Mesmo boquiaberta com este tipo de ação fico buscando entender por que um órgão do nível do Banco Mundial financia um projeto desses?
Trata-se de um projeto de controle do mosquito transmissor da dengue, que está sendo desenvolvido em Manaus, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Tem parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem, ainda como parceiros, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) e Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM), e trata-se da implantação de mais de 1,5 armadilhas para captura e controle do mosquito Aedes aegypti, com recursos da ordem de 1,2 milhões de reais.
“O projeto concorreu com outros 2 mil projetos de inovação tecnológica no mundo inteiro, ficando selecionado entre os 20, para receber, também, financiamento do Banco Mundial”. Inovação tecnológica? Do mundo inteiro? E este foi o melhor?!!!
Já li e reli este artigo e não consigo ‘processar’ direito as informações...
Este projeto foi implantado LOGO APÓS uma grande epidemia ocorrida em Manaus, quando normalmente o número de casos reduz devido à população ter sofrido recente infecção pelo vírus da Dengue. Se ao menos fosse feito no período que antecede a epidemia para comprovar a importância de tal investimento... A epidemia em Manaus envolveu 2007/2008. A próxima será em 2011/2012, embora no intervalo sempre surjam novos casos.
Para verificação de eficácia seria necessário trabalhar o projeto em experiências a serem feitas ANTES da ocorrência de uma epidemia e esta observação deverá abranger os quatro anos futuros, para verdadeira comprovação de efeitos!!
Nenhum resultado dado como ‘efeito positivo’ das tais armadilhas poderá ser divulgado ou publicado antes dos próximos 04 anos. Passado este tempo pode-se ter uma idéia REAL do efeito obtido com tal experiência.
É. E eu que pensei já ter visto tudo... Onde estão as ‘cabeças pensantes’ de nosso país?
Bem, falta criar a minipanelinha para cozinhar os ovinhos do mosquito e, tem a minha sugestão: fabricar uma minibigorna, um minialicate e um minimartelo para a eliminação do vetor! Com o minialicate você segura o mosquito sobre a pequena bigorna, batendo nele com o martelinho! Pronto, é mais uma solução mágica para acabar com a Dengue...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

VETORES PATOGÊNICOS

Não espere ações, tome atitudes!


Sob o título “À ESPERA DE AÇÕES INTERSETORIAIS” o médico dermatologista, doutor em Medicina Tropical, secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Oliveira Penna, lembra “que os métodos tradicionalmente empregados no combate a doenças transmitidas por vetores, quase sempre centradas no combate químico, têm limitada participação da comunidade e poucas ações intersetoriais”...
Ora, caro secretário, parte do grande equívoco reside aí. A comunidade participa ativamente, sim: ela dá o sangue e, muitas vezes, a própria vida!
Isso enquanto espera que os gestores da saúde, que deveriam coordenar e desencadear ações corretas e concretas para a eliminação do mosquito vetor, realmente ajam sem querer transferir a própria responsabilidade à comunidade!
As ações até agora vêm sendo equivocadas, e continuam assim.
O uso de inseticida piretróide, além de extremamente tóxico, não é indicado a mosquito, mesmo que os fabricantes coloquem no rótulo “mata o mosquito da dengue”, ele é próprio para baratas, carrapatos e moscas, volto a repetir.
Torna-se necessário ressuscitar o velho fumacê, o UBV, utilizado eficientemente há 20 anos.
Costumo perguntar a pessoas mais velhas e sempre ouço a declaração de “que naquele tempo não tinha tantos mosquitos”, sejam eles vetores da dengue, o Aedes, sejam pernilongos, envolvidos na vetoração da elefantíase, flebótomos transmitindo Leishmaniose, barbeiros e outros insetos patogênicos ao homem e aos animais.
A epidemia ocorrida em 2002 foi terrível. Estava no Rio de Janeiro e o que via era mosquitos em todos os lugares, hospitais, cemitério; no campus, havia milhares de mosquitos!
O pior é que as epidemias se repetem, atingem seu ápice, sem uma mudança comportamental das autoridades. Muitas pessoas passam a 3ª dengue, outras, a segunda e muitíssimas a 1ª dengue, sem que ocorra uma investigação correta, porque se assim fosse, seria levantado que muitas pessoas afetadas são crianças, boa parte delas ainda no útero materno, se transformando em potenciais vítimas da doença na tenra idade.
Muitas crianças a partir dos 04 anos, em 2002, já estariam tendo sua 2ª dengue e, esta, sempre é mais agressiva, devido ao registro da presença de anticorpos de uma infecção anterior. Outras estariam tendo a dengue pela primeira vez, assim como ocorre com os adultos, que passam muito mal na primeira infecção, se recuperando lentamente, isto, se não houver complicações pelo uso de medicação que altere a coagulação sanguínea, remédios, que cardiopatas necessitem fazer uso, por exemplo.
Culpar a população tem sido o usual dos maus gestores que, transferindo responsabilidades, tentam se eximir pela falta de ações, pelo caos desencadeado a cada epidemia, potencializando cada vez mais o descrédito para com o setor público.
Culpar o aumento populacional, falta de saneamento adequado, habitações precárias, dificuldades de acesso para o agente de saúde E NADA FAZER, torna evidente o porquê do aumento de casos a cada ano, onde epidemias se intercalam.
Ah! E declarar redução percentual “devido às ações realizadas” é um grande, um enorme equívoco, enquanto não se fizer o que tem de ser feito, que é matar o mosquito.
Temos de ir pras ruas exigir reais medidas saneadoras das nossas autoridades, batendo de frente com aquelas que gostam de transferir suas inaptidões ao nosso silêncio e a nossa falta de atitudes.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

LEISHMANIOSE: A DOENÇA CONTINUA SE ALASTRANDO

Relatos de casos de leishmaniose aumentam, causando temor na população a presença constante do Flebótomo vetor da doença.
Em Rondonópolis muitas pessoas foram infectadas e vários óbitos ocorreram; centenas de cães foram sacrificados... E os mosquitos, continuam por aqui!
O CZZ (Centro de Controle de Zoonoses) deveria recolher os cães, realizar exames, e, copiar o modelo utilizado pelo CZZ de Campo Grande, MS, cujo projeto iniciado em 2007, dividido em 04 etapas, programou, na primeira, 92 mil cães para receberem a coleira protetora contra o flebótomo; prosseguindo com mais 121 mil cães encoleirados na segunda etapa e atingindo 80 mil na terceira, o programa prevê uma quarta ação com outros 121 mil cães recebendo a coleira protetora.
A coleira funciona como repelente para o mosquito (proteção para o cão), evitando, assim, a eutanásia do animal.
A outra providência, prioritária, é eliminar o mosquito! Apesar de todos os alertas que tenho feito, inclusive com pedidos de providências e denúncias à promotoria pública sobre o uso de inseticidas inadequados, as coisas permanecem do mesmo jeito...
Para os cães existe esse paliativo.
E para as pessoas?
Não sei, mas além de serem acusadas pela presença do mosquito, taxadas de relaxadas por quem deveria cuidar e eliminar este e outros vetores, aproxima-se a hora de cada um de nós pôr uma coleira protetora no pescoço!
Enfim... Poderá ser uma solução, a menos que cada um, exercendo seu direito de cidadão venha a exigir solução imediata, com a eliminação correta dos mosquitos!

sábado, 11 de outubro de 2008

DOENÇAS DE JECA TATU CHEGAM A BRASÍLIA

*Bia Lopes


Notícia divulgada pela Sociedade Brasileira de Parasitologia e o Estadão mostra o avanço da Leishmaniose em Brasília-DF., e não na área “pobre” mas na chamada zona norte, local considerado de classe média alta, se destacando a repetição do erro: a preocupação em eliminar os cães e não os mosquitos!
“Para combater a leishmaniose visceral, é preciso eliminar o inseto transmissor, conhecido como mosquito-palha ou birigui, e adotar medidas ambientais”, diz a veterinária Maria Isabel Rao Bofill, da Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, trata-se de “um fenômeno grave” afirma ela, e necessita da colaboração de todos, no combate ao vetor.
Centenas de cães são sacrificados e milhares de mosquitos se espalham reproduzindo-se rapidamente, de forma descontrolada, e a falta de medidas eficazes na eliminação dos vetores deixa animais e população sob grave risco.
Quanto à eliminação de cães infectados para prevenir a doença, diz Maria Isabel: “No caso da leishmaniose há um complicador: cachorro contaminado tem de ser sacrificado porque é um reservatório do protozoário e, se picado pelo mosquito, há fácil transmissão para o homem”. Ao que, eu, pergunto: e as pessoas infectadas deverão também ser eliminadas? Ora, ora! Eliminem o vetor! Sem vetor não há a doença. Fácil de resolver... Basta querer!
Doenças negligenciadas tanto pelo governo como pela indústria de medicamentos e por que não dizer (?) devido à falta de apoio, nem a pesquisa científica se interessa muito em se envolver pesquisando velhas mazelas que estão retornando.
O mais grave é que este retorno está sendo bastante rápido devido à facilidade de introdução dos vetores que, sem um combate efetivo, se reproduzem de forma alarmante.
A DENGUE, vinte anos atrás, estava presente em poucos estados, mas, hoje, se espalhou por quase todo Brasil e faz milhares de vítimas anualmente.
Falhas e erros de avaliação nos programas de controle permitiram a introdução de outros insetos patogênicos: o Flebótomo, causador da Leishmaniose (principalmente a visceral, forma mais grave da doença), está presente em vários estados onde a falta de controle vetorial propicia sua reprodução e faz aumentar o número de casos e óbitos.
O Brasil ostenta o título de líder mundial em hanseníase, tem mais de 500 mil casos de malária, possui um elevado número de portadores da Doença de Chagas (causada pelo Triatoma infestans, conhecido vulgarmente por Barbeiro) e é um dos cinco países com maior quantidade de portadores de Leishmaniose.
O médico Carlos Morel, ex-diretor do Programa de Doenças Tropicais da Organização Mundial de Saúde (OMS), afirma:” O Brasil está anos-luz na frente dos países da África, mas também é reconhecido mundialmente pela desigualdade e negligência com a saúde”.
Os dados constantes não são totalmente confiáveis e o número de casos destas doenças pode ser bem mais elevado, pois muitos dos casos só são identificados quando vem o óbito.
Os insetos vetores vivem nas matas e matagais, que, hoje, estão sendo erradicados de forma descontrolada devido ao crescimento urbano desordenado, à falta de saneamento básico; grande parte da população brasileira não tem acesso ao esgoto ou fossa séptica. A coleta e destinação do lixo deixam muito a desejar, pois os chamados “lixões” a céu aberto, são focos de proliferação dos mais diferentes tipos de vetores nocivos ao homem.
Um triste exemplo observado é o Hospital Regional, que, na rua em frente, escorre há mais ou menos 8 anos, um caldo verde, podre, onde baratas, formigas, moscas e mosquitos pousam (ou andam) e, depois, circulam livremente pelo hospital, funcionando como vetores mecânicos de uma centena de patologias bacterianas.
Saúde se faz prevenindo, não deixando a doença se instalar. Qual a situação de um paciente cirúrgico, um acidentado, adquirindo uma infecção provocada pelo descaso da Saúde Pública?
Enfim, são atitudes muitas vezes simples e objetivas, que garantem a saúde da população.

BEATRIZ ANTONIETA LOPES
BIÓLOGA com especialização em ENTOMOLOGIA MÉDICA

bia_utopia@yahoo.com.br ou bialolara@gmail.com